quarta-feira, 18 de junho de 2014

Laurinha, a lenda da paixão








Albertinho conheceu Laurinha na escola aos treze anos. Foi amor à primeira vista, daqueles que destroem a adolescência e se arrastam para a vida. Laurinha era a mais bonita das mais bonitas meninas da escola. Tinha tudo que uma moça precisa ter para ser apaixonante e ele apaixonadíssimo. 








Tudo era mágico e encantador. Carregava sua mochila, fazia seus deveres e trabalhos, trocava as provas e em troca ela deixava que ficasse próximo dela na fila de entrada das aulas.









Albertinho, aos quinze anos, fazia parte do pequeno grupo dos melhores amigos de Laurinha. Festas, bailes, baladas, bebedeiras, passeios no parque, viagens com a turma, praia, montanha, cinema, shows imperdíveis, etc. e tal. Laurinha estava lindíssima, corpo se formando em graça e harmonia.









As dezessete anos Laurinha enfrentou a disputa por uma vaga universitária, acompanhada de Albertinho, seu escudeiro, confessor, ombro amigo, e cúmplice nas coisas boas e doidas da juventude. Naquele tempo Laurinha enamorou-se de Cacaso, rompendo assim uma amizade que juraram nunca terminar. Em função disto, Albertinho tomou outro rumo, outra cidade, outro curso e outros sonhos.









Oito anos depois, na fila de entrada do "The Eugene O'Neill Theater", no coração de New York, encontram-se para surpresa e felicidade, ainda que contida. Estavam solitários em busca de um encontro consigo. Depois do espetáculo, saíram conversando, jantaram juntos e despediram jurando um encontro na manhã seguinte, que não ocorreu, dado a ausência de Laurinha no local marcado.









Aos trinta e dois anos encontraram-se no velório do pai dela, numa estranha coincidência de estarem na cidade na mesma época, quando um infarto fulminante e inesperado levou o progenitor da amada. Trocaram olhares, afagos, abraços e não teve como não notar que estava casada. Albertinho sentiu-se mortalmente ferido. Chorou convulsivamente no enterro e trancou-se na casa dos pais até o dia da partida.









Aos quarenta anos, Albertinho já havia perdido todas as esperanças, era um homem rico, realizado, triste e solitário. Laurinha fora o seu único e grande amor platônico. Vivia apenas para o trabalho, sem amigos e sem vida social, sempre discreto e contido. Um dia recebe um pedido de amizade no Facebook - era Laurinha dando sinal de vida e levantando a bandeira da paz.









Laurinha estava divorciada, perdera tudo, desde o patrimônio construído até a autoestima. Mas Albertinho viu ali a oportunidade de reconquistar a amizade e quem sabe, conquistar seu coração. Trouxe-a para dentro da sua casa, e imediatamente deu-lhe uma suite ampla, um carro do ano, cartão de crédito e conforto.









Naquela noite, em uma provocante lingerie, Laurinha caminhou exuberante aos aposentos de Albertinho. Ao abrir a porta, deparou com seu objeto de desejo sentado confortavelmente em uma poltrona imensa, com um pijama de seda verde fluorescente sob um roupão escarlate de veludo 100% algodão com gola xale e aplicação de
renda guipure.









Mas o que é isto, Albertinho? 




- Laurinha, eu sempre desejei me vestir igual a você, ter um corpo igual ao seu e um cabelo igual ao seu...









E foram felizes para sempre!









É isto aí!














  



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