domingo, 15 de junho de 2014

Odete, a moça da elite do Planalto e o R47




Odete, como se sabe, não se dá com as verborragias da endinheirada elite bandeirante. Conta a lenda que, de certa feita, foi testemunha de um episódio às margens do Ipiranga, onde um famoso cardeal de plumagem azul da política local deu a falar compulsivamente sobre buracos, desvios e pobres, no discurso que ficou conhecido como o Blefe do Metrô. Neste dia ela entendeu que o buraco do Metrô paulista é mais embaixo.










Bem, meu imortal Nokia 2128i monocromático tocou e era Odete, a moça da elite do Planalto. Sua voz macia, envolvente e sedutora, inconfundível, foi logo enebriando meus mais íntimos desejos oníricos.





Olá querido... (sussurrando)





- Olá Odete, puxa vida, quanto tempo.





- Pois é, tanto tempo, me lembra o Paulinho da Viola...





- É mesmo. Sinal fechado, clássico, assim como você, uma moça clássica de Brasília.





- Então, amor, tenho tantas coisas para te dizer.





- Então diga, Odete, sou todo ouvidos para você.





- Uau, que romântico. Bem, o fato é que minha prima Creuzinha contou-me que soube por Flavinha, amante de Nestor, que ouviu de Telinha, esposa de Jajá, que escutou da sua namorada Mariinha, que captou em uma conversa entre o marido e seu sócio em uma empresa que presta altos serviços às plumagens bandeirantes, que o episódio de euforia que a massa cheirosa pensou traduzir em um estado de completa,
artificial e patológica satisfação e felicidade no estádio do Itaquerão, não passou de um sintoma de transtorno mental coletivo com uma fala
ininterrupta onde as palavras foram ministradas seguindo uma
lógica subjetiva durante um surto
psicótico.





- Mas quer dizer então...





- Quer dizer que a massa cheirosa está diagnosticada com R47, que no CID 10 refere-se aos transtornos da fala e comunicação.





- Meu Deus do céu, Odete, que horror...





- E olha que ainda vão querer tratar no SUS... falando nisto, em SUS, sei lá, você todo ouvidos, vem prá Brasília que eu quero ser sua otorrino...





- Caramba, isto sim é que é convite...





- Então vem, vem mesmo, que vai ouvir coisas que farão nunca mais querer sair daqui...





- Nossa, Odete... alô... alô... Odete... esta minha audição cada vez mais fraca....









É isto aí!


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