sábado, 14 de fevereiro de 2015

Minha flor de manjericão




O carnaval ainda não começara e Tião já cambaleava ladeira acima para chegar no barraco. Na verdade era até um certo privilégio que gozava na comunidade, pois a residência era de alvenaria já com acabamento externo. Por dentro, cinco cômodos - sala, cozinha, dois quartos e um banheiro. O piso ainda por assentar e as portas sem tranca ou fechadura não eram assim de tanta urgência.





Na sala, Silvianeide o recebe sentada no sofá, com lágrimas e tristeza. Cruzam os olhares, e ainda guardando uma parcela diminuta de sobriedade, percebe que a coisa era séria. 





- Que foi, Dedé? Por que tão triste assim, nega? É carnaval.





- Para tudo, Tião, para o mundo, para a vida, para a festa, o desfile, para a tequila com as amigas... ai meu deusinho, por que, Tião? Por quê? (soluços)





- Credo, Dedé, tão linda, tão formosa, a bunda mais sublime do planeta e querendo descer do trem da vida em movimento?





- Tião, olha para mim, mas olha bem. O que você vê? (séria)





- Vejo a minha sereia, Dedé.





- Fala a verdade, Tião, eu quero a verdade.(lábios trêmulos)





- Que papo maluco é este, Dedé? Fumou da erva estragada de novo?





- Dei só um tapa para desabafar, Tião, mas não consegui tragar tudo, sei lá, estou aflita demais. (choro e soluços)





- Sei. É aquilo de novo, certo? Você está tendo aquela sensação de novo?





- É isto amor, amor, olha para mim - Tião, eu... eu... que merda, Tião, eu estou gorda. Gorrrrrrda. (desesperada, soluços, lágrimas e puxando o cabelo)





- Dedé, para com isto. Quem te falou esta bobagem?





- Foi aquele casal que já te falei deles - a Dona Balança e o Seu Espelho, Tião, e eles nunca mentiram para mim. (desesperada)





- Vem cá, me dá um abraço.




- Vou merda nenhuma. Você vem com este negócio de abraço, depois me alisa, não me larga, e fica me tentando e daí eu acabo querendo também e paro de pensar nos meus problemas. (séria)





- Vem cá, vem, minha flor.





- Flor de que, Tião? Flor de que?




- De manjericão, querida, você é minha flor de manjericão.





- Ai, Tião, faz isto não. Manjericão é tão bom, hummm, ai Tião, que maldade com sua preta.





- Vem cá, vem... isto, quietinha... minha flor de manjericão...





- Hummm, bom demais da conta! Nossa, Tião nosso amor é feito flor de manjericão, cheiroso, bonito e gostoso...





É isto aí!

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