quinta-feira, 21 de maio de 2015

A estalagem casamenteira




Deveria ser um final de semana de descanso e contemplação, mas a chuva, o frio e as condições da estrada inibiram turistas de ocupar uma estalagem no alto das montanhas. Somente duas pessoas solitárias conseguiram chegar na quinta à noite, e cada um seguiu imediatamente para o seu aposento.





Jerebinha, o hóspede do chalé 03 era viúvo, engenheiro e empresário, franzino, tímido e introspectivo. Naquela manhã subia a trilha de acesso à hospedaria depois de um breve circuito de meditação em silêncio, floresta e bichos. Ao chegar na estreita ponte que separava a civilização da natureza, a hóspede do chalé 05, com idade pelos 45 anos, de corpo bonito acima da linha de peso, rosto angelical e curvas excitantes bloqueava a passagem.





Morta! Ela está morta! Gritou lá da sala o estalajadeiro. 





A moça mesmo assim teve medo, pânico, horror, pavor ou alguma coisa entre uma crise nervosa e um processo histérico - mas eu tenho medo!!!





Não precisa se preocupar, pode passar, que não há como ela te fazer mal, tornou a gritar, agora com um tom entre irônico e irado.





Ela deu mais um passo e pronto, paralisou de vez. Travou todo o corpo, musculatura tesa, olhos estatelados, sudorese intensa e à sua frente uma ratazana de proporções felinas jazia no caminho, provavelmente intoxicada por venenos de combate aos da sua espécie.





Jerebinha deu mais uns passos e percebeu que deveria fazer algo pois estavam a uma altura de dois a três metros por sobre um riacho gelado, fundo e cristalino, e uma queda ali teria consequências de risco. Foi aproximando devagar, bem devagar, até chegar ao ponto entre a ratazana e a moça e chutou o corpo do animal para fora do caminho.





Então ela desmaiou, e ele ágil e educadamente inclinou-se a tempo de segurá-la para que não machucasse, e ai pode sentir sua pele macia, seu perfume delicado e a seda dos seus cabelos. A arrumadeira veio com um chá e ajudou a trazê-la até a varanda. Já acomodados no sofá, continuou a acalmá-la, segurá-la, foi então que a achou mais bonita ainda , gostou do contato e assim nasceu um grande amor.  





Na semana seguinte, Carminha chegou à hospedaria e ao chegar no balcão, "seu" Joãozinho olhou para ela e perguntou? E aí? Trouxe  a sua ratazana?





Claro, o senhor acha que eu ia esquecer?





Então se arruma, que o hóspede do Chalé 07 já deve estar voltando da caminhada...





É isto aí! 
















Nenhum comentário:

Postar um comentário

Gratidão!