domingo, 31 de maio de 2015

Histórias do Coração - Julinha feliz para sempre!




Frederico estava numa entendiante festa de natal da turma do escritório da namorada, uma escultura de mulher que fazia olhos e corpos se virarem para sua sempre perfumada existência. Enquanto circulava pedrinhas de gelo com o dedo indicador no copo, ouviu a conversa entre a companheira e duas amigas tão estonteantes quanto.





Não falei para vocês? Julinha é anti-social. Não veio e jamais virá, ela se sente superior, sei lá, não se mistura. As três riram muito da ausência da moça.





A amiga disse - Julinha é uma boba, tem uma vidinha normalzinha, sem saltos, sobressaltos, espasmos ou orgasmos que a fizessem perceber que há vida lá fora. Vinte e oito anos, graduada, pós-graduada, psicanalisada, viajada, bilíngue, eficiente, moderninha, sempre com aquele sorriso enigmático estampado na alva face brejeira. As três deram gargalhadas pela vidinha da moça.





A outra acrescentou - Que eu saiba, aquela paranoica não tem amigas, nem namorado, nem instantes, momentos ou spots de prazer. Não tem referências bibliográficas para citar, filmes cult, peças de teatro inolvidáveis, músicas prediletas e nem religião confessa. Nunca se soube de que tivesse um bar preferido, uma bebida única, um restaurante predileto ou mesmo um prato que a identificasse. As três se curvaram de tanto rir pelas paranoias da moça.





Volta para a namorada - Minha tia falou que ela nunca praticou delitos de quaisquer intensidades, nem colou nas provas, nem desejou o namorado das outras meninas, nem chorou em público, nem reclamou uma cutícula inflamada ou uma unha quebrada. Se tinha cólicas, sofria em silêncio, assim como quaisquer outras enfermidades. As três destilaram uma fina ironia e escárnio pela honestidade da moça.





A amiga intensificou os dados - Ela é ridiculamente certinha. Não possui roupas da moda, nem sapatos de princesa, nem lingeries caras, nem jóias de metais preciosos, muito menos diamantes ou rubis... Frederico pediu licença e  saiu dali mareado, procurou e encontrou Julinha e foram felizes para sempre.  





As três fizeram juras eternas de ódio da moça.





É isto aí!

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