sexta-feira, 26 de junho de 2015

Tatanka Yatanka




Carta do Chefe Sioux
TOURO SENTADO (Tatanka Yatanka) ao presidente dos EUA em 1855 (Franklin Pierce)





"O governo
norte-americano desejava adquirir o território da tribo...O Grande Chefe de
Washington mandou dizer que deseja comprar nossa terra. O Grande Chefe
assegurou-nos também de sua amizade e sua benevolência. Isto é gentil de sua
parte, pois sabemos que ele não necessita da nossa amizade.





Porém, vamos pensar em
tua oferta, pois sabemos que se não o fizermos o homem branco virá com armas e
tomará nossa terra. O Grande Chefe em Washington pode confiar no que o chefe Seattle
diz, com a mesma certeza com que os nossos irmãos brancos podem confiar na
alteração das estações do ano. Minha palavra é como as estrelas. Elas não
empalidecem.





Como podes comprar ou vender
o céu - o calor da terra? Tal ideia nos é estranha. Nós não somos donos da
pureza do ar ou do resplendor da água. Como podes comprá-los de nós? Decidimos
apenas sobre o nosso tempo. Toda esta terra é sagrada para o meu povo. Cada uma
folha reluzente, todas as praias arenosas, cada véu de neblina nas florestas
escuras, cada clareira e todos os insetos a zumbir são sagrados nas tradições e
na consciência do meu povo.





Sabemos que o homem
branco não compreende o nosso modo de viver. Para ele um pedaço de terra é
igual a outro. Porque ele é um estranho que vem de noite e rouba da terra tudo
quanto necessita. A terra não é sua irmã, mas sim sua inimiga, e depois de explorá-la,
ele vai embora. Deixa para trás o túmulo do seu pai, sem remorsos de
consciência. Rouba a terra dos seus filhos. Nada respeita.





Esquece as sepulturas
dos antepassados e os direitos dos filhos. Sua ganância empobrecerá a terra e
vai deixar atrás de si os desertos. A vista de tuas cidades é um tormento para
os olhos do homem vermelho. Mas talvez isto seja assim por ser o homem vermelho
um selvagem que nada compreende. Não se pode encontrar paz nas cidades do homem
branco. Nem um lugar onde se possa ouvir o desabrochar da folhagem na primavera
ou o som das asas dos insetos.





Talvez por ser um
selvagem que nada entende, o barulho das cidades é para mim uma afronta contra
os ouvidos. E que espécie de vida é aquela em que o homem não pode ouvir a voz
do corvo noturno ou a conversa dos sapos no lago à noite? Um indígena prefere o
suave sussurro do vento sobre o espelho d'água e o próprio cheiro do vento,
purificado pela chuva do meio-dia e com aroma de pinho. O ar é precioso para o
homem vermelho, porque todos os seres vivos respiram o mesmo ar - animais,
árvores, homens.





Não parece que o homem
branco se importe com o ar que respira. Como um moribundo, ele é insensível ao
mau cheiro. Se eu me decidir a aceitar, imporei uma condição. O homem branco
deve tratar os animais como se fossem irmãos. Sou um selvagem e não compreendo
que possa ser certo de outra forma. Vi milhares de búfalos a apodrecer nas
pradarias abandonados pelo homem branco, que os abatia a tiros disparados do comboio.
Sou um selvagem e não compreendo como um cavalo de ferro possa ser mais valioso
do que um búfalo que nós, indígenas, matamos apenas para sustentar a nossa
própria vida.





O que é o homem sem os
animais? Se todos os animais acabassem, os homens morreriam de solidão espiritual,
porque tudo quanto acontece aos animais pode afetar os homens. Tudo está
relacionado entre si. Tudo quanto fere a terra fere também os filhos da terra. Os
nossos filhos viram seus pais humilhados na derrota. Os nossos guerreiros
sucumbem sob o peso da vergonha. E depois da derrota passam o tempo em ócio, e
envenenam o corpo com alimentos doces e bebidas ardentes.





Não tem grande
importância onde passaremos os nossos últimos dias - eles não são muitos, mas algumas
horas, até mesmo uns Invernos, e nenhum dos filhos das grandes tribos que
viveram nesta terra ou que tem vagueado em pequenos bandos nos bosques, sobrará
para chorar sobre os túmulos. Um povo que um dia foi tão poderoso e cheio de
confiança como o nosso.





De uma coisa sabemos, que
o homem branco talvez venha um dia a descobrir: o nosso Deus é o mesmo Deus.
Julgas, talvez, que O podes possuir da mesma maneira como desejas possuir a
nossa terra. Mas não podes. Ele é Deus da humanidade inteira. E quer o bem
igualmente ao homem vermelho como ao branco. A terra é amada por Ele. E causar
dano à terra é demonstrar desprezo pelo seu Criador.





O homem branco também
vai desaparecer, talvez mais depressa do que as outras raças. Continua a poluir
a tua própria cama e hás de morrer uma noite, sufocado nos teus próprios dejetos!
Depois de abatido o último búfalo e domados todos os cavalos silvestres, quando
as matas misteriosas federem à gente - onde ficarão então as florestas? Terão
acabado. E as águias? Terão ido embora. Restará dizer adeus à andorinhas da
torre, à caça do fim da vida e o começo da luta para sobreviver...





Talvez compreenderíamos
se conhecêssemos com que sonha o homem branco, se soubéssemos quais esperanças
transmite a seus filhos nas longas noites de Inverno, quais visões do futuro
oferece às suas mentes para que possam formar os desejos para o dia de amanhã.
Mas nós somos selvagens. Os sonhos do homem branco são ocultos para nós. E por
serem ocultos, temos de escolher o nosso próprio caminho.





Se consentirmos, é para
garantir as reservas que nos prometeste. Lá talvez possamos viver os nossos
últimos dias conforme desejamos. Depois que o último homem vermelho tiver
partido e a sua lembrança não passar da sombra de uma nuvem a pairar acima das
pradarias, a alma do meu povo continuará a viver nestas florestas e praias,
porque nós as amamos como um recém-nascido ama o bater do coração de sua mãe.
Se te vendermos a nossa terra, ama-a como nós a amávamos. Protege-a como nós a
protegíamos.





Nunca esqueças como era
a terra quando dela tomaste posse. E com toda a tua força, o teu poder, e todo
o teu coração conserva-a para teus filhos, e ama-a como Deus nos ama a todos.
Uma coisa sabemos: o nosso Deus é o mesmo Deus. Esta terra é querida por ele.
Nem mesmo o homem branco pode evitar o nosso destino comum. ""Quando
a última árvore for cortada, quando o último rio for poluído, quando o último
peixe for pescado, aí sim eles verão que dinheiro não se come."









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