quarta-feira, 15 de julho de 2015

A coisa clônica




Raimundinho mentiu para a esposa dizendo que ia trabalhar naquele sábado. Mentiu também para a amante afirmando que necessitava fazer uma viagem urgente de negócios. Mentiu para o gerente da sua seção ao alegar que precisava muito daquele dia para resolver questões familiares muito graves.





Mentiu para o porteiro, para o mala do vizinho, mentiu até para a sua secretária. Mentiu para sua sobrinha mais velha, mentiu para o cunhado (indiferente), mentiu para o motorista do táxi e finalmente, na sua contabilidade de limites da mentira, mentiu até para a sua cunhada gostosa (um misto de cunhada, ex-namorada, amante ocasional, confidente e melhor amiga).





Dez pessoas era um limite razoável, já previamente combinado - olha, eu vou fazer o que estão pedindo, mas preciso contar umas mentirinhas por aí. Negociou daqui, especulou dali, até que teve a autorização de escolher dez pessoas. Na realidade só queria mesmo era contar tudo para a cunhada gostosa, mas já que não podia, estendeu aos outros a mentira. 





Saiu de casa cedo, entrou no ônibus, desceu três estações antes do ponto, chamou um táxi que o deixou não muito longe do seu destino, mas o suficiente para não servir de testemunha, pois tudo que não queria eram testemunhas. Andou cerca de trinta minutos até chegar ao destino. Entrou naquela casa em silêncio e ali ficou aguardando novas orientações.





No domingo cedo dois homens e uma mulher o acordaram, esperaram se vestir, tomar um café e partiram juntos para a Convenção Mundial dos Clones. Raimundinho era uma criação de laboratório desenvolvido para ser o primeiro clone humano. Na convenção iria conhecer Marinalva, a primeira mulher clone do mundo. Estavam fadados a iniciar uma nova era, com corpo e sem alma. 





Apresentados, uniram-se e foram infelizes para sempre!





É isto aí!











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