domingo, 6 de setembro de 2015

Tédio, mágoas e adeus.


A moça procurou o Analista da Pitangueira para tratar de uma coisa que não sabia o que era.

Seja bem vinda, senhorita. Fique à vontade, e fale o que a trouxe aqui.

Sabe, senti algo muito estranho nestes últimos dias. É uma coisa como um sentimento de desgosto, de aborrecimento sem causas aparentes. Além disso desde ontem tenho o desconforto de um pressentimento enfadado resultante de alguma espera em vão. 

Interessante. Mas está assim hoje?

Mais ou menos. Ocorre que foi nesta manhã que comecei a vivenciar uma experiência adversa de querer algo diferente, mas não conseguira distinguir bem o que, daí passei a desejar uma atividade mais gratificante. E então, minha mente entrou em ebulição devido às  percepções sentidas, apresentando dificuldade em lidar com estes novos estímulos e buscando o bucolismo.

Por gentiliza, defina para mim o que seria uma atividade mais gratificante?

Olha, está aí uma coisa que não sei bem explicar. O dinheiro é importante, mas preciso amar e ser amada por esta atividade, é isto, uma atividade gratificante é uma mão dupla de amor. Isto tudo é muito complicado para mim agora que encontrei esta definição.

Bem, achamos um caminho e iremos nos aprofundar neste horizonte.

Pelos deuses das fadas, estarei com alguma doença e, talvez por isso, imagino sintomas complicados? Esses sinais indicadores, como o sentimento de vazio, falta de vontade de realizar atividades rotineiras e o desinteresse pela realidade vivida são características de um mal maior? Diga a verdade, quero saber a verdade.

Sou analista, não faço diagnósticos. Promovo o espírito crítico dentro de você para trazer estas respostas para o exterior. É importante atentar para a intensidade desses sinais citados, já que podem indicar apenas uma manifestação de tédio ou, em condições extremas, podem ser indicativos de depressão, que irá requerer cuidados com profissionais específicos. 

Como assim  tédio? Tem vacina? Tem cura? É contagioso? Como eu peguei isto? 

Calma, não tem nada disto. Estamos nos referindo a uma forma de se relacionar com a realidade e seus estímulos. Nesse sentido, falar em tédio significa falar em um direcionamento das atenções voltadas para si, para o seu fracasso ou dificuldade em realizar atividades gratificantes. 

Nossa, muito confuso. Mas como isto aconteceu?

Geralmente o tédio se instala quando, por algum motivo, a vida ao seu redor deixa de ser interessante ou estimulante. Mas não se trata de se sentir culpada por sentir-se dessa forma. Existem inúmeros fatores sociais e culturais que contribuem para essa condição.

Sociais e culturais? Mas e as mágoas, o adeus ao ex chato? 

Olha, se você prestar atenção, vai perceber que as atividades prazerosas de sua vida ou seus momentos de lazer, em muito, são cópias da sua rotina de trabalho. Sair com os amigos para jantar, por exemplo, pode ser uma atividade facilmente comparada a uma reunião de negócios, já que, muitas vezes, acabamos falando de trabalho. 

Meus deusinhos das sextas-feiras sagradas, é isto mesmo. Saímos em bando e só falamos de  ... trabalho (lágrimas ...)

Então, o que está ocorrendo é que grande parte das suas ações reproduzem um dia cotidiano, rotineiro, e sua atenção se prende a essa repetição, dando a impressão de que a vida é um contínuo, como se a situação atual fosse algo que sempre existiu e que sempre vai existir. 

Agora ficou tudo muito claro. Entendi o tédio como parte desse processo, dessa enfadonha rotina que se estabeleceu.

Exatamente isto. Agora você pode compreender melhor sua condição emocional.

Sabe, doutor, desejo que este tédio vá para os quintos, mas sem mágoas. Tédio ... adeus.

Aguardo você na semana que vem no mesmo horário.

É isto aí!

Fonte da Imagem: DreamsTime Free




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