terça-feira, 8 de março de 2016

Não vem ao caso, meu amor!




Todos já conhecem a fábula do lobo e da ovelha?





- Eu não, professora!!!





Só você? Mais alguém não conhece?





- Eu também não! Eu também!! Eu!! Eu nunca ouvi falar!!





Muito bem, vou contar a fábula para vocês:





Era uma vez, num reino muito distante, um ente intrépido, impassível, destemido, ousado e audaz, conhecido como o sr. Lobo.





- Ohhh! (todos)





O sr. Lobo dominava tudo. As pessoas o idolatravam, era assunto obrigatório em todas as conversas, e só o que ele divulgava podia ser conversado, pois era a verdade única e irrestrita vinda do sr. Lobo. Além dele não havia outra verdade. Era cínico, debochado, irritante e rico, muito muito rico. O mais rico do reino e quanto mais ignorantes as pessoas pela sua verdade, mais rico ele ficava.





- Uau!! Nossa!! (todos)





No reino havia um único regato cristalino que desaguava próximo a um majestoso palácio triplex cunhado em ambiente marinho. Um dia apareceu por lá, no regato e não no palácio majestoso, uma linda ovelha e pôs-se a beber da água limpa que deveria servir a todos, mas estavam tão encantados com o sr. Lobo, que bebiam água contaminada por muitas coisas, menos, é claro, os príncipes do castelo, digo, do palácio majestoso cunhado em ambiente marinho, como já falei.





O sr. Lobo ficou com muita raiva daquela ovelha - quem ela pensa que é? Se perguntava. Mandou pessoas aparentemente simples para demover a ovelha daquele vício. E ela, a ovelha fez que não entendeu o recado. Então mandou que fosse divulgado em todo reino uma mensagem falando que a ovelha era comunista, que comeria todas as crianças, que estupraria todas as velhas, que mataria todas as aulas de filosofia e que enfim, era transgênica.





A multidão em convulsão dividiu-se, pois uns apoiavam a ovelha em silêncio e as outras postavam-se entre as que tinham medo do sr. Lobo e as que mamavam nas mutretas lupinas, sob imenso guarda-chuva da morada da tradição da família cristã e da propriedade dos ricos pelos ricos. Com isto, o sr. Lobo sentiu que estava sendo traído e colocou nas ruas seu exército de canibais, exorcistas, escretores (sim - escretores - um misto entre excretores e escritores). As ordem era destruir tudo para que a paz reinasse no majestoso palácio.





Foi então que Maricotinha, estrela dalva das noites luzidias da Escola de Samba Unidos da Pitangueira bradou com sua rouca e poderosa voz:





- Alto lá! Para tudo que este Lobo aí está em déficit orçamentário doméstico cá comigo!





- Como assim, Maricotinha?





- Uiva muito, pula muito, aparece muito, só vai e só vê e só ouve e só enxerga para o lado direito mas é só isto...





E cada um seguiu seu rumo e o Lobo ficou com aquela cara de ovelha desgarrada no meio do vazio da sua penitente salinha de torturas pedagógicas e Maricotinha deu aquele largo sorriso entre fadas e duendes que acreditavam no sr. Lobo.





É isto aí!









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