quarta-feira, 28 de setembro de 2016

O pacto de Batista


Batista era um sujeito sistemático, desconfiado de tudo e de todos. Casou-se aos vinte e seis anos com Donzela Pereira, uma moça de divina bondade, operária da fábrica de tecidos. A vida dos dois era uma rotina entendiante. Aos domingos pela manhã - igreja, feira, sogra e mãe, nesta ordem. De volta ao lar, silêncio e paz. Sexo nas terças e quintas entre 20 e 22 horas, nas segundas ensaio no coral, nas quartas reunião no clube, nas sextas jantar no Come-Bem e no sábado ficavam nus o dia inteiro em casa, mas não podiam se tocar.


Naquela quinta-feira, após a conjunção carnal, já estavam deitados, quando a campainha soou. Batista colocou seu robe de cetim preto, longo, com manga 3/4, presente da sua mãe, por sobre o pijama longo, 100% algodão, também preto, que ganhou da irmã, e foi atender ao reclame da porta.


Eram agentes secretos do insuspeito Serviço Nacional de Pacto pela Segurança, Acusação, Julgamento, Condenação e Detenção, o temido PACOTE. Entraram em bando de seis, outros seis ficaram na porta e, discretamente, as três viaturas com todas as luzes e sirenes ligadas ficaram na rua, o que sempre inibia curiosos.


- Senhor Batista?


- Sim.


- Nós somos do Serviço Nacional de Pacto pela Segurança, Acusação, Julgamento, Condenação e Detenção do País. Viemos aqui com este mandato judicial de busca e apreensão por que o senhor foi citado em delação premiada, onde o delator secreto afirmou com provas que o senhor rompeu o pacto civil com sua esposa, fazendo sexo com ela quatro vezes no mesmo dia, na 36ª semana do ano de 2006, enquanto ficaram hospedados em Brasília, no Hotel Pagmenos, no Plano Piloto. 

Pela quebra de contrato civil, em prol da Lei, da Paz, da Pátria e da Ordem, o senhor tem o direito de permanecer calado, tudo que dizer poderá e será usado contra o senhor, e se não disser nada, seu silêncio o condenará, pois a literatura permite.


E quanto à Sra. Donzela, vítima da sua performance vilipendiosa, ah .. Donzela, saiba que foi vista como vítima e assim, por delito menos grave, dominada pela volúpia, será entregue ao Dr, Nestorzinho, um correio elegante de informações serelepes e perfumadas que circulam pelos corredores e avenidas da belacap mística, e quando presenciarem a lua cheia por sobre a esplanada, com certeza ela manterá sua honra e dignidade altivas às margens do Paranoá, confessando coisas importantes que acrescentem penalização ao seu  crime capital.


É isto aí!




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