terça-feira, 17 de outubro de 2017

A rede neural do poder ou quem mandou fechar a zona?




Naquela noite o Rei não foi feliz na relação plena com a fidalga Karmelytta Djackeline, sua concubina predileta. Na hora daquele enlace perfeito, o momento no qual o supremo encaixa, mata no peito, julga, processa e regozija para delírio plenário foi interrompido pelo chamado urgente do camareiro para atender ao Consul do Reino da Águia, cujo bom senso o impedia de deixar esperar. A reunião durou cerca de três horas. Ao voltar a amada dormia.





Mal amanheceu o dia, ainda de péssimo humor e ainda sob efeito da pílula azul, mandou chamar o Grão-Duque.





- Pois não, Vossa Majestade Imperial!


- Meu filho, aumente os impostos, amplie as prisões, corte os gastos com saúde e educação.


- Sua ordem será atendida, Vossa Majestade Imperial.





O Grão-Duque saiu furioso - que merda, papai me colocou num tremendo rabo de foguete. Vou ficar mal na fita com as meninas das vilas. Puta que o pariu! Já sei!! Comandante, manda trazer aquela bosta daquele Marquês aqui.


- Quando, Vossa Alteza?


- Agora, Comandante, agora!





- Pois não Vossa Alteza Imperial?


- Marquês, sei que Vossa Graça sempre foi fiel ao Rei e ao Reino.


- Perfeitamente, Vossa Alteza Imperial, e o faço com lealdade e prazer.


- Meu pai, digo, Vossa Majestade Imperial, o Rei, determinou que Vossa Graça Imperial, o Senhor Marquês,  aumente os impostos, amplie as prisões, corte os gastos com saúde e educação e aumente os juros de financiamento às empresas privadas.


- Farei imediatamente, Vossa Alteza Imperial.





O Marquês saiu furioso - que merda, quem este filhinho de papai pensa que é? Me colocou num tremendo rabo de foguete. Vou ficar mal na fita com os bofes e regalos do platô. Puta que o pariu! Já sei!! Coronel, manda trazer aquela inútil daquele Conde aqui, e quero que seja agora!





- Pois não, Vossa Graça Imperial?


- Nobre Conde, saiba que tenho muito apreço por Vossa Excelência que em muito tem contribuído para o engrandecimento do Reino.


- Agrada-me saber proferido diretamente por Vossa Graça Imperial. A que devo a honra?


- Vossa Alteza Imperial, o Grão-Duque determinou que Vossa Excelência, o Senhor Conde,  aumente os impostos, amplie as prisões, corte os gastos com saúde e educação e aumente os juros de financiamento às empresas privadas e reforce a censura aos meios de comunicação.


- Assim o farei, Vossa Graça e nobre Marquês.





O Conde saiu furioso. Puta que o pariu, quem este veadinho pensa que é? Mas que merda. Me colocou na lama agora. Como vou ficar com as donzelas e viúvas do Reino, a quem presto apreço e atenção íntima?  Hummm, já sei, vou passar este abacaxi para aquele inútil do Visconde. 





- Capitão da Guarda, traga aqui imediatamente Sua Graça, o Visconde.





- Pois não Vossa Excelência?


- Nobre Visconde, Sua Graça Imperial é o equilíbrio da Corte diante do povo e do clero.


- Muito gentil de Vossa Parte, Vossa Excelência.


- Então, mais uma vez contamos com vossa determinação juramentada para cumprir com a ordem da Vossa Graça Imperial, o Marquês. Por determinação imperial, Sua Graça, nobre Visconde, deverá aumentar os impostos, ampliar as prisões, cortar os gastos com saúde e educação, aumentar os juros de financiamento às empresas privadas, reforçar a censura aos meios de comunicação e triplicar o imposto previdenciário do empregado.


- Assim será feito, Vossa Excelência; assim será feito.





O Visconde saiu dali revoltadíssimo. Mas que desgraça. Quem este animador de velório para catar viúvas pensa que é? Que sacanagem. Que coisa horrível. Como vou continuar bancando os meus cassinos ilegais? É muita pressão. Pressão rima com Barão - é isto - Tenente, convoque imediatamente Sua Senhoria, o Barão.





- Pois não, Vossa Graça Imperial, nobre Visconde?


- Senhor Barão, serei franco e direto com Sua Senhoria, pois trata-se de um delicado assunto de Estado que depende única e exclusivamente de uma atitude sua.


- Estou pronto, Visconde, Vossa Graça Imperial sabe que sempre estou pronto.


- Ótimo, Sua Senhoria está a partir deste momento sob a obrigação de promover a Lei e a Ordem do Reino, já infestado de parasitas pseudo-intelectualoides e conspiradores descrentes da fé no Rei. Desta forma, para mostrar quem de fato manda e governa, deverá aumentar os impostos, ampliar as prisões, cortar os gastos com saúde e educação, aumentar os juros de financiamento às empresas privadas, reforçar a censura aos meios de comunicação, triplicar o imposto previdenciário do empregado e ampliar de 40 para 60 horas trabalhadas por semana.


- Mais alguma coisa, Vossa Graça Imperial?


- Não, mas faça isto imediatamente, entendeu? Imediatamente.





O Barão saiu dali com um discreto sorriso nos lábios, passou no Palácio das Hortências onde se hospedava a fidalga Karmelytta Djackeline. e aguardou a visita secreta de Sua Alteza Imperial.



- Vossa Majestade Imperial! estou ao seu dispor.

- Então, Barão, vamos ao que interessa.

- Aumentaram a dose da ordem, Vossa Majestade.

- Hummm, entendo. Manda fechar a Zona e prender as moças.

- Todas, Vossa Majestade?

- Todas.

- Por quanto tempo, Vossa Majestade?

- Até irem reclamar ao Bispo, Barão, depois solta.

- Assim será, Vossa Majestade.




No aconchego da cama da amada, o rei sussurrou-lhe

- Sabe Lytta, só mais um pouco e tudo isto será seu ...





É isto aí!




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