quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Metanoia do amor




- Então?  Vai me amar ou não? - perguntou a mocinha descabida de vergonha ao rapazote.





- Amar? Eu? Você? Nutrir um sentimento mútuo? Mãos dadas? Passear no parque? Visitar a sua casa? 





- Credo, Guassiano, de onde você tira estas ideias?





- Ideias? O amor é mais do que ideias, Flávia Roberta. O amor é um poema que transpira vida.





- Guassiano Anderson, você é doido e eu como graduada na faculdade de ciências das psiquês pitangueiras e adjacentes e pós-graduada em BelleDancer na famosa Academia Filosófica La Vie en Rose de Madame Naná, já sei o que eu vou fazer com você.





- Como assim comigo, Flavinha? Você vai fazer uma terapia experimental em mim? E os efeitos colaterais? E se eu perder a minha identidade apenas para te agradar e passar a ter uma persona que te pertença, que se enquadre no seu ser e não no meu eu?



- Tem nada disto, Dedé. Larga mão de ser neurótico. Nós crescemos juntos, já fizemos um monte de coisas juntos, já viajamos juntos, já nos divertimos juntos, mas nunca nos amamos, Dedé.




- Eu achei que a gente se amava, Flavinha, cada um a sua maneira. Eu te amo, Flavinha, dentro daquilo que eu acredito que é o amor.




- Chega, Dedé, tem nada disto. Vou ter que te injetar uma metanoia radical na veia, Dedé.





- Flavinha, você ficou louca?





- Dedé, para com isto, metanoia radical é fazer mudar de ideia, ter um esclarecimento tipo revolucionário. É quase uma auto-cura para que este seu eu não-compreensivo entenda que quero  dizer e fazer.





- Flavinha, isto é sério mesmo?





- Serissimo, Dedé. Eu vou dar uma repaginada nos seus conceitos.





- E como será isto, Flavinha?





- Tira  a roupa. Dedé.





- Mas ... mas ...





- Nada de mas. Tira a roupa para que eu comece a terapia.





É isto aí!

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