domingo, 19 de novembro de 2017

Jessier Quirino - Quer ver matuto humilhado é tá doente das partes






No tronco do ser humano,

Nos "finar" mais derradeiro

Tem uma rosquinha enfezada

Que quando tá inflamada

Incomoda o corpo inteiro

Se tossir, se faz presente

E se chorar se faz também



O "cabra" não pode nada

Com nada se entretém

Eu lhe digo, meu "cumpade"

Não desejo essa "mardade" pra rosca de seu ninguém



Não sei o nome da cuja

Desta cuja eu tiro o ja

O que resta é quase nada

Bote o nada na parada

Quero ver tu agüentar



Eu lhe digo meu "cumpade"

Que é grande humilhação

Um cabra do meu quilate,

Adoecido das parte,

Fazer uma operação



Não suportando mais dor,

O meu ato derradeiro

Foi procurar um doutor

Do bocado arengueiro



Do bocado arengueiro,

Feijoeiro, fiofó, bufante,

Frescó, lorto, apito,

Brote e bozó.

De furico, fedegoso,

Piscante, pelado, boga,

Fosquete, frinfra, sedém

Zueiro, ficha, vintém,

De ás de copa e de foba.

De oiti, "oi" de porco,

"ané" de couro e cagueiro,

De girassol, goiaba,

Roseta, rosa,

Rabada, boto, zero,

"miaieiro", de nó dos fundo,

Buzeco, de sonoro e pregueado,

Rabichol, furo, argola,

"ané" de ouro e de sola,

Boca de "veia" e zangado



Um doutor de aro treze,

De peidante e zé de boga,

Que não aperte o danado

Nem deixe com muita folga, "né"?

Um doutor "picialista" em bocada tarraqueta,

Doutor de quinca, dentrol,

Zé besquete, carrapeta

Doutor de rosca,

Rosquinha, tareco,

Frasco e obrón

Ceguinho, botico, zero,

Tripa gaiteira, fonfom,

"miaieiro", mucumbuco,

Boraco, proa, polgueiro,

Forever, cloaca, urna,

Gritador, frango e fueiro



Cano de escape, pretinho,

Rodinha, x.p.t.o.,

Zerinho, "subiador",

Tripa oca e fiofó

Um doutor de elitório ou de boca de caçapa

Que não seja inimigo,

Também não seja meu chapa

Tratador de canto escuro,

De boréu e de cheiroso,

De formiróide alvado,

De parreco e de manhoso,

De xambica e sibasol,

Apolônio e fobilário,

Bilé, brioco e "roxim"

Fresado, anilha e cagário

Vaso preto, zé careta,

Olho cego e espoleta,

Fuzil, fioto e foário



Não é doutor de ovário,

É doutor de orió!

De cá pra nós e bostoque,

De futrico e de ilhó,

De coliseu e caneco,

Roscofe, forno e botão

De disco, de farinheiro,

De jolie, fundo e fundão,

De cuovades, fichinha,

Que não vinha com gracinha

E que não tenha o dedão.

Um doutor de zé de quinca,

Canal dois e cagador

Buzina, vesúvio, cego,

Federais, sim senhor

"fagüieiro", zé zoada,

Rosquete e fim de regada

Eu só queria um doutor!



O doutor se preparou-se,

Parecia galileu

Aprumou um telescópio

Quem viu estrela fui eu

Ele disse:

"arriba as pernas"

Eu disse:

"tenha calma, sonho meu"

A partir daquela hora,

Perante nossa senhora,

Não sei o que "assucedeu"



Com as forças da humildade,

Já me sinto mais "mior"

Me desejo um ânus novo,

Cheio de "velso" e forró

E pros "cumpade", com franqueza,

Desejo grande riqueza:

Saúde no fiofó.

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