sábado, 6 de janeiro de 2018

À flor da pele (Chico Buarque)



O que será, que será?


Que andam suspirando pelas alcovas


Que andam sussurrando em versos e trovas


Que andam combinando no breu das tocas


Que anda nas cabeças, anda nas bocas


Que andam acendendo velas nos becos


Que estão falando alto pelos botecos


E gritam nos mercados que com certeza


Está na natureza





Será, que será?


O que não tem certeza nem nunca terá


O que não tem conserto nem nunca terá


O que não tem tamanho





O que será, que será?


Que vive nas ideias desses amantes


Que cantam os poetas mais delirantes


Que juram os profetas embriagados


Que está na romaria dos mutilados


Que está na fantasia dos infelizes


Que está no dia a dia das meretrizes


No plano dos bandidos, dos desvalidos


Em todos os sentidos





Será, que será?


O que não tem decência nem nunca terá


O que não tem censura nem nunca terá


O que não faz sentido





O que será, que será?


Que todos os avisos não vão evitar


Por que todos os risos vão desafiar


Por que todos os sinos irão repicar


Por que todos os hinos irão consagrar


E todos os meninos vão desembestar


E todos os destinos irão se encontrar


E mesmo o Padre Eterno que nunca foi lá


Olhando aquele inferno vai abençoar


O que não tem governo nem nunca terá


O que não tem vergonha nem nunca terá


O que não tem juízo





O que será, que será?


Que todos os avisos não vão evitar


Por que todos os risos vão desafiar


Por que todos os sinos irão repicar


Por que todos os hinos irão consagrar


E todos os meninos vão desembestar


E todos os destinos irão se encontrar


E mesmo o Padre Eterno que nunca foi lá


Olhando aquele inferno vai abençoar


O que não tem governo nem nunca terá


O que não tem vergonha nem nunca terá


O que não tem juízo





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