
—O que acha que eu tenho, doutor?
—Sapatos bonitos com salto...
—Fala sério, doutor, o que eu tenho?
—Vestido de algodão, anéis, brincos, pulseiras, relógio...
—Você não pode estar falando sério. Não pode fazer isto comigo!
—Mas é o que estou vendo que você tem.
—Como assim? Não está invadindo o meu interior? Não vê minha alma, meus sentimentos ocultos? Não vê minha tristeza? Meu amor por você?
—Não tenho como ver, e não é o que procuro.
—Nossa, como você é ridículo. Não vê nada em mim?
—Talvez o cabelo tenha mudado o penteado.
—Não sente nada?
—Sinto um perfume com uma fragrância sensual e envolvente e ao mesmo tempo fresca.
—Uau, jura? É da Carolina Herrera, eu adoro também, e agora que sei que você gosta, uau.
—Não disse que adoro, disse que sinto o perfume.
—Nossa, como você é insensível.
—Tem dores frequentes?
—Não quero falar sobre isto. Mas tem dois dias que sinto estalos no joelho esquerdo.
—Entendo. Abra a boca...
—Ufa, até que enfim um contato de terceiro grau.
—Quer fazer o favor de ficar quieta...
—Tudo bem, mas estou com uma coisa estranha na coxa esquerda. Quer ver?
—Não é necessário.
Carminha, Carminha, para de falar sozinha no banheiro e acaba logo este banho, que vai chegar atrasada na consulta...
- Ah, mãe, só estou treinando o diálogo para a consulta com aquele dentista solteiro que está atendendo no Posto de Saúde. Hoje quero achar uma frase que não tenha jeito dele escapar...
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