Querida, somos argonautas dos nossos quereres,
Calma, meu bem — logo, logo explicarei todas estas viagens desbravadoras e épicas ao interior do seu interior.
Ocorreu um sonho, e lancei-me como um argonauta em busca da conquista do Velocino de Ouro que sabia escondido na sua alma. Sem mapas, movido apenas por uma esperança cega— quase desespero. Soube, desde o primeiro instante, que você seria minha busca — e nunca meu destino. E, ainda assim, segui navegando pelas turbulentas águas da saudade.
Cada travessia em sua ausência me afastava mais do que alcançam meus olhos cansados. Seu corpo tornou-se uma ilha distante, e eu, perdido nos mares revoltos do meu próprio coração, enfrentei ondas inclementes. E sabendo que nada disso é possível, continuo a busca determinado a velejar nas intempéries do mar das ilusões, embora tema o silêncio do imenso vazio que haverá ao aportar no deserto da sua existência.
Mas quem sou eu para reclamar dessa busca que me consome? Quem sou eu para duvidar do caminho, quando este é a minha sina e a travessia, em sua imensidão, é a minha vida? O amor que busco, ainda inalcançável, existe como uma chama — não para ser apagada, mas para ser carregada, dia após dia, como a vela que, embora tremule, nunca perde seu lúmen.
A dor que sinto faz parte do vasto ser que sou — sou a busca, o eterno movimento da maré que nunca cessa. E, assim, mesmo sabendo que a conquista nunca haverá de acontecer, parte sua vive em mim em cada instante.
Querida, enquanto argonauta hoje sou um náufrago a singrar mares de angústia!
É isto aí!
.jpg)
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Gratidão!