Vesti qualquer coisa correndo pela escada até a garagem e arfando cheguei ao fundo do edifício. Atravessei a avenida por um ponto cego e já de uma distância segura, sob a proteção da penumbra de uma castanheira, observei aqueles automóveis imensos, pretos, de vidro fechado. Contei três homens entrando no prédio. Continuei em marcha normal até ser abordado por dois senhores pletóricos e de poucas palavras.
Escute bem, porque não iremos repetir — disse o mais forte com voz cavernosa, cutucando fortemente meu ombro com a ponta do dedo — Não estamos com aqueles patetas estacionados ali, nem do lado da mitômana. Você tem 12 horas para fazer chegar este cartão à ela. Voltaremos para checar. E, puta que o pariu, SOS é coisa de menino.
Saí assustado, mas centrado enquanto caminhava até o ponto do ônibus. No ônibus troquei cuidadosamente o chip de uma operadora pelo de outra. Em menos de 2 minutos o brutamontes da abordagem anterior, o da voz cavernosa, ligou e cuspiu a palavra: Amador!
Reconheci a área, desci numa rua deserta até uma oficina mecânica com misto de ferro-velho. Entrei num carro antigo e discreto, joguei o celular no lixo e peguei outro no porta-luvas. Assim que liguei o carro, o celular atirado ao lixo tocou e a conhecida e rouca voz falou: seu merdinha, ficando espertinho, hem! Segui para Pirenópolis (GO) e aguardei algum contato numa casa erma, com uma porta verde sem tranca. Só queria que tudo acabasse logo.
Apareceu uma mulher, 60 anos, pele enrugada e discreta. Pediu o cartão, que entreguei prontamente. Não a procure, disse. Ela, quando puder te encontrará. Até lá, cuide-se! Voltei para casa. Quando deitei para concatenar tudo, bateram na porta. Era a dupla de brutamontes. O falante de voz cavernosa, dedo em riste, olhou bem sério e disse - olhe, merdinha, desta vez passa, mas o sistema nunca esquece.
É isto aí!

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Gratidão!