domingo, 10 de maio de 2026

A Dor do Silêncio


Dia destes estava numa fila interminável do supermercado. Com o direito adquirido pelo tempo, estava na fila dos desvalidos, engravidadas, aposentados e longevos. Deu que uma senhora da linha das longevas, à minha frente, pegou conversa com a amiga, também do mesmo grupo, que estava imediatamente atrás deste que vos fala.

A Senhora "A" e a Senhora "B" conversaram sobre tudo e eu ali, invisível entre as duas. Num determinado momento, a Senhora "A" perguntou — escute, e a Julinha, já marcou a data do casamento com aquele rapaz adorável e simpático? — A Senhora "B" pôs-se a  chorar. — silêncio sepulcral e todo o supermercado voltou a atenção para o processo. 

Aquele rapaz adorável e simpático é casado e pai de três meninas. Traiu  a esposa,  traiu a inocência da Julinha e mentiu até para o Padre.

A Senhora "B", ignorando minha presença, transpassou meu corpo e abraçou a chorar com a Senhora "A" e o mundo ao redor buscou o que fazer dispersando em murmúrios. .

No fundo, no fundo, todo mundo mente. Uns mais, outros menos.


É isto aí!

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