sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

O Mago da Pitangueira e as Sextas-Feiras


 — Nunca abandone seu amor nas sextas-feiras, disse o Mago aos jovens que subiram a colina para aprender com sua sabedoria.

— Por que, Mestre, perguntou J.T.

— Jovem, a sexta-feira é sagrada. Romper um relacionamento neste dia requer gestão de crise e empatia para não contaminar o seu meio de convivência.

— Mas se for inevitável, Mestre?

— É verdade que não existe hora perfeita e terminar sempre será doloroso. A ideia não é encontrar um dia fácil, mas sim evitar o agravamento desnecessário do sofrimento.

— Então há riscos, Mestre?

— Viver é arriscar cada segundo durante 24 horas por dia. Terminar numa sexta-feira pode amplificar o sofrimento de risco e criar um "fim de semana de crise" ativando desnecessariamente o seu mecanismo de feedback negativo.

— Mago, seria a crise da ruptura na sexta-feira uma ausência não metabolizada?

— Sim, a sexta-feira vira símbolo do tempo insuficiente para digestão emocional.

— Mestre, aqui, aqui! — É possível romper-se na sexta-feira e chegar na segunda sem o vazio da ausência?

— Olha, mocinha, quando há um forte vínculo emocional pelo lado mais frágil da relação, ao sofrer o rompimento na sexta-feira, experimentará uma eternidade de dor até que a vida retorne na segunda-feira pela manhã e recomece o ciclo da rotina. 

Já o outro lado, o sujeito da ruptura, cria menos espaço para sedimentar-se nele  a ausência, já que é o elo mais impessoal. Assim, dificultará o retorno e aumentará a agonia da falta que aquela pessoa faz.

— Por hoje já basta. Agora podem ir! Bom final de semana!

É isto aí!


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