sexta-feira, 27 de janeiro de 2023

Inseguranças

Snoopy é o beagle de estimação de Charlie Brown na tira em quadrinhos Peanuts, criada por Charles Schulz.

Charlie Brown é uma criança dotada de infinita esperança e determinação, mas que é dominada por suas inseguranças e uma permanente má sorte.

Snoopy é um cão extrovertido com complexo de Walter Mitty, com muitas virtudes. A maior parte delas não são reais, mas sonhos que fazem parte do seu mundo de fantasia, que aparecem quando Snoopy dorme no telhado da sua casinha.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2023

Fugas e limites

Não nego
verbos regulares
ou adjetivos

Não galgo
ou transponho
os limites

raios sejam
fulminantes
aos limites

Sou memórias
tenho histórias
e lágrimas (ridículas)

pieguices
desarmônicas
pedantes

a verdade (relativa)
é que fujo
de mim todo dia


É isto aí!


terça-feira, 24 de janeiro de 2023

O dia que morri por engano


- Senhor José Jota Silva? É o senhor mesmo?

- Sim, sou eu mesmo.

- Só por curiosidade, o Jota é abreviatura?

- Não, foi ignorância do menino que fazia o horário de almoço do escrivão, segundo meu pai seria Cota, da minha mãe, mas o iletrado colocou Jota e disse que não poderia rasurar. Aí ficou isto.

- O senhor chegou bem? Está se sentindo melhor?

- Olha só, eu não estou entendendo nada. Acordei hoje de manhã, tomei um café raleado, pois o pó estava acabando e faltou o açúcar. Aí lembrei  que tinha que comprar o gás para devolver ao vizinho que me emprestou mês passado. Mas aí lembrei que não devolvi o gás por causa de que eu devia dois meses de aluguel e antes de vencer o terceiro, que dá despejo, paguei um atrasado e deixei na pendência a padaria, o açougue e o sacolão, mas isto dá para contornar, por que o difícil mesmo é a farmácia.

- Então o senhor tem pendências? 

- É, saí de casa com a cabeça quente, a patroa falando sem parar, os meninos chorando, daí resolvi dar uma volta, descontrair um pouco na casa da Zefa.

- Zefa? Interessante, quem é Zefa? Não tenho este nome nos registros. 

- A Zefa é minha comadre. O nome dela mesmo é Deolinda, mas tem este apelido da infância  e foi ficando. 

- Humm, Deolinda, prossiga então.

- Zefa é meu amor de juventude, mas deu que casei precipitado com a patroa, e em pouco tempo vi a besteira que fiz, mas aí não tinha como ir nem como voltar, pois ela já tinha se arrumado com um caboclinho porqueira, mas aí as coisas entre nós foram indo foram indo, até que nós nos ajeitamos quando ela pegou birra das malandragens do safado, mas não é nada demais, gostamos de conversar.

- Pode continuar.

- O senhor é da polícia? Isto é depoimento, oitiva, ou coisa parecida?

- Não, é apenas formalidade. O senhor lembra como chegou aqui?

- Então, como já lá ia dizendo, saí de casa com a cabeça quente, e ao atravessar a avenida, ouvi um som estranho, não sei definir e de repente estava num túnel muito iluminado, com um coral cantando uma música linda. Tinha um homem do meu lado, alto, muito educado, que foi me conduzindo até uma praça bem cuidada. Ai vieram umas dez pessoas me abraçar, falando que estavam muito felizes com minha chegada, mas apesar de serem todos simpáticos, não conhecia nenhum deles e nenhuma delas. Tinha umas duas bem bonitinhas, destas de não se enjeitar, mas não sabia quem eram aquelas pessoas.

- Sério, não conhecia nenhuma delas?

- Achei estranho ficarem me chamando de Jota, já que durante toda a minha vida foi Zé Viola. Também ficaram assim meio ressabiados, aí o moço que estava comigo me trouxe até aqui. Falando nisso, aqui é onde?

- Isto aqui é a Central de Achados e Perdidos no Céu, conhecida como CAP-C. Estamos no céu, o senhor até consta na lista, mas ocorreu um engano aí, não é para o senhor estar aqui hoje; ainda demora uns anos. Vai ter que voltar. 

- Voltar? Quero não, não quero, de jeito nenhum, de forma alguma, exijo meus direitos, quero falar com o chefe, com o santo do dia, com o anjo da guarda, chama lá os arcanjos, chama a Sagrada Família, chama São Pedro, São Paulo, São Benedito e fui ficando possesso do bem, claro, e enquanto debatia deu uma raiva de voltar e aquilo atacou os nervos, os nervos atacaram a língua e aí desandei a falar até de coisa que nem sabia. Foi então que ouvi aquele som estranho de novo e acordei sessenta dias depois num leito de hospital. Olhei para o lado e vi a Zefa. Sabe, Zefa parecia um anjo cuidando de mim. 

É isto aí!

quarta-feira, 18 de janeiro de 2023

Perdão e outras faces do amor

Eadweard Muybridge*

Errei 
tudo bem
sei que errei
de mais nada sei

nada do mais sei
desta dor rude
sói alhures
adeus


É isto aí!

Autor da imagem: Eadweard Muybridge. (1830/1904)
Fonte da imagem: rawpixel
Fotografia de animais e humanos em movimento por Eadweard Muybridge (1830–1904). Muybridge foi um fotógrafo controverso conhecido por seu trabalho pioneiro na projeção de filmes. Sua reputação cresceu no final de 1800, quando ele provou através da fotografia que um cavalo galopando mantém todos os quatro cascos no ar por um curto momento em uma passada. 

quarta-feira, 11 de janeiro de 2023

Ausência (Vinicius de Moraes - Rio de Janeiro , 1935)


Poema de Vinícius de Moraes
Fonte: Vinícius de Moraes - Vida e Obra/Site Oficial
Publicação: publicado em 1935, 173 p. 
Editora: Irmãos Pongetti - Rio de Janeiro

Forma e Exegese marca a continuidade da carreira de Vinicius de Moraes como poeta. Ainda com 22 anos, era o segundo livro do jovem que ainda se apegava ao Simbolismo como escola dileta na hora de fazer versos ou escolher temas. As várias dedicatórias do livro para Arthur Rimbaud, Mallarmé, Claudel ou Jacques Riviére, selam a aliança do jovem poeta com sua matriz literária francesa e nos mostra a filiação poética que Vinicius ainda cultivava. 

Apesar do universo simbolista e de sua ligação com o meio intelectual católico do Rio de Janeiro, o livro apresenta alguns primeiros passos em poéticas que lhe seriam usuais futuramente. Poemas como “Ilha do Governador”, sobre sua infância no bairro carioca, ou “A volta da mulher morena” destacam-se dos longos versos herméticos e transcendentais. Eles já apontam para um Vinicius mais tangível e cotidiano, e que, não obstante, daria à sua expressão ainda mais beleza e profundidade.

Forma e Exegese foi um claro passo adiante do jovem poeta em relação ao seu primeiro livro e conseguiu ganhar destaque no meio literário do período. Mesmo sem ainda ter na ocasião a amizade que construiria ao longo da vida, ele recebe publicamente críticas positivas de um então já maduro Manuel Bandeira. Com o livro, Vinícius ganha o prestigioso prêmio Filipe d’Oliveira.

Ausência (Vinícius de Moraes)

Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces
Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada
Que ficou sobre a minha carne como uma nódoa do passado.
Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face em outra face
Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só como os veleiros nos portos silenciosos
Mas eu te possuirei mais que ninguém porque poderei partir
E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada.

Declamante: Júlia Sonati
Um estudo da palavra e do gesto.
Atriz: Júlia Sonati
Edição: Mary Kuhn
@i.g.n.e.a
Câmera: Toni Ferreira
Produção: Rush Vídeo

terça-feira, 10 de janeiro de 2023

A leitura das cinzas (Jerzy Ficowski)

Jerzy Ficowski

Jerzy Ficowski (1924/2006) registrou testemunho da resistência dos poloneses à política supremacista do governo nazista.
Foto: Bartosz Pietrzak
Fonte do texto: UFPR

Ainda desconhecido no Brasil, o livro de poesias “A Leitura das Cinzas”, do escritor polonês Jerzy Ficowski, recebeu uma versão inédita em português com tradução do professor Piotr Kilanowski, do Departamento de Polonês, Alemão e Letras Clássicas (Depac). Falecido em 2006, Ficowski é um dos autores que se dedicou ao tema da Shoah (“holocausto” em hebraico), que consiste no testemunho dos sobreviventes do nazismo, com o diferencial de que não era judeu.

"A leitura das cinzas": A leitura das cinzas (Odczytanie popiołów) é tido como um dos mais importantes livros de poesia sobre a Shoah escritos por um não judeu. O livro foi inicialmente editado em Londres, em 1979, já que na Polônia comunista a publicação de suas obras foi proibida, pois o autor fazia parte da oposição ao regime. 

A obra foi escrita ao longo de anos após a Guerra enquanto Ficowski, testemunha do Extermínio, soldado da resistência antinazista e prisioneiro dos campos alemães, tentava encontrar um modo de expressão adequado ao tema. O volume veio a lume após 11 anos de silêncio forçado e logo foi reeditado clandestinamente na Polônia. 

Um dos poemas incluídos no livro, Carta a Marc Chagall, publicado inicialmente em 1957, teve a honra de ser um dos dois textos de ficção (ao lado da Bíblia) que foram ilustrados pelo pintor destinatário daquela carta poética – fato que o poeta sempre considerou o maior prêmio artístico que poderia ter recebido em sua vida.

Poema de Jerzy Ficowski , do livro Odczytanie popiołów (A leitura das cinzas).
Tradução de Piotr Kilanowski (Professor de literatura polonesa na UFPR)
Ilustração de Marc Chagal feita para os poemas de Ficowski

Marc Chagall


Não consegui salvar

nem uma vida

 

não soube deter

nem uma bala

 

então percorro cemitérios

que não existem

busco palavras

que não existem

corro

 

para o socorro não pedido

para o resgate tardio

 

quero chegar a tempo

mesmo que tarde demais




segunda-feira, 9 de janeiro de 2023

Paulinho Moska e Márcio Greyck - Impossível acreditar que per...

                         Zoombido - Impossível acreditar que perdi você



“O compositor e cantor mineiro Marcio Greyck nasceu numa família de músicos, seu pai e tios tocavam e cantavam nos fins de semana. Seu gosto eram as canções mais antigas, e Marcio fez muitas serenatas em Belo Horizonte, que foram sua diversão e ao mesmo tempo a preparação para a sua carreira futura. Aos 12 anos fez sua primeira canção, inspirado nos baiões de Luiz Gonzaga. 

O violão chegou logo depois mas primeiro ele só cantava. Quando ele teve sua oportunidade de gravar, já no RJ, Marcio decidiu que seria compositor. Inspirado pela ousadia dos Beatles se tornou um cantautor pop. Ele teve seu próprio programa de tv, chamado O Mundo é dos Jovens, na extinta TV Tupi. Seu irmão Cobel foi seu principal parceiro, Marcio era mais melodista e seu irmão o letrista. 

Gravado por Roberto Carlos, Fabio Junior e Wilson Simonal, Marcio tem mais de doze álbuns gravados! Nosso dueto é justamente com o seu maior sucesso: “Impossível acreditar que perdi você”. Eu escutava essa canção no rádio e foi uma grande emoção poder cantá-la com ele no Zoombido. Obrigado por esse privilégio, grande Márcio!” (Paulinho Moska)

Direção: Pablo Casacuberta

Gravação e mixagem de audio: Nilo Romero

Os áudios da série foram extraídos das gravações de “Zoombido", programa que foi apresentado por Paulinho Moska no Canal Brasil. 

Parceria da MP ENTRETENIMENTO com o Canal Brasil e distribuição digital da ONErpm.

Impossível acreditar que perdi você é uma balada romântica de Márcio Greyck (seu criador em disco) em parceria com seu irmão Cobel. Foi um dos maiores sucessos do cantor-compositor mineiro, lançado pela CBS em dezembro de 1970, no compacto simples nº. 33689-B, matriz CBO-9641

Não, eu não consigo
Acreditar
No que aconteceu
É um sonho meu
Nada se acabou

Não, é impossível
Eu não consigo
Viver sem você
Volte e venha ver
Tudo em mim mudou

Eu já não consigo
Mais viver dentro de mim
E, e viver assim
É quase morrer
Venha me dizer sorrindo
Que você brincou
E que ainda é meu
Só meu, o seu amor

Hoje mais um dia
De tristeza
Para mim passou
Nem no meu olhar
Nada se alegrou
Sinto-me perdido
No vazio
Que você deixou
Nada quero ser
Já nem sei quem sou

Eu já não consigo
Mais viver dentro de mim
E viver assim
É quase morrer
Venha me dizer sorrindo
Que você brincou
E que ainda é meu
Só meu, o seu amor


segunda-feira, 2 de janeiro de 2023

Um sujeito estranho

Egon Schiele*

Acordei com certo grau de dificuldade, de maneira que sentia uma enorme estranheza em mim. Aquilo ainda seria uma experiência inolvidável, já que a noite foi na sua totalidade estranha, os sonhos um mais estranho que o outro, e agora estava ali cansado e estranhamente diferente, como se as vicissitudes dos sonhos ancorassem minha nau vital. 

Olhei para ela, cândida, linda e elegantemente nua sob uma camisola de manga longa com detalhes em tule no punho, recortes preenchidos por renda ao longo da manga, e o decote possuindo renda com aplicação de laços que faziam seus seios ficarem ainda mais sensuais.

Enquanto a admirava, abriu seus olhos amendoados, esboçou um forçado sorriso, afastou o corpo até o limite da cama e murmurou que eu estava com um olhar muito muito muito estranho. Aquilo badalou feito um sino de bronze de 20 toneladas no espaço entre meus dois ouvidos internos e a alma. Senti uma fúria descontrolada, vi meu corpo transformando-se num enorme ofídio e ao abrir a boca a devorei num bote único, por inteiro, então voltei a dormir para a contemplação da ingesta.

Enquanto dormia, a vi andando dentro de mim, tateando meu interior em busca de uma saída. Aquilo sim foi muito estranho. Meus órgãos eram aposentos imensos, de estilo oriental indiano e ela adorava a tudo que via, inclusive o enorme Buda esculpido em pedra sabão, voltado para o coração. Calmamente perguntou-me o que aquela imagem de 35 metros de altura, possuindo uma cor verde com tons de rosa e dourado, numa mistura suave e contemplativa, fazia ali, entre os dois pulmões, com a face voltada para a contemplação do chacra cardíaco.

Respondi que aquele Buda corresponde ao elemento ar, daí estar entre os pulmões, e sua função principal é metabolizar a energia do amor. O poder pessoal de amar e ser amado é despertado pelo e no chacra do coração, além de ser o mediador entre o corpo e o espírito, sendo, pois, a porta da alma ou da morada da alma, como queira.

Ela olhou para o Buda, voltou seus olhos amendoados para mim, e ficou repetindo o movimento pelo menos uma sete vezes. Sabe, disse em tom inquisitivo,  eu sempre achei você meio estranho, mas hoje, olha, eu tenho certeza - você é muito estranho.

Aquilo novamente acendeu uma trama dentro do meu interior inconsciente, senti ascender em mim um calor violento em erupção e comecei a contorcer, urrando de dor e prazer, num misto de loucura e orgasmo enquanto a expulsava para fora do meu sistema digestório. Imediatamente voltei a dormir. Ao acordar estava só. 

Levantei vagarosamente; já passava das quinze horas. Passei pelo imenso espelho do quarto, olhei-me e disse - rapaz, como você é realmente um sujeito estranho, daí ouvi um zunido agudo, fui sugado para outra dimensão através do espelho e abduzido por uma nave sideral de onde voltei amanhã para relatar isto para vocês.

*Autor da imagem: Egon Schiele (wikipédia)
(pintor austríaco 1890/1918)
**Sobre o quadro: Ficheiro Wikipédia 
[[Imagem:Egon Schiele 078.jpg|thumb|180px|Legenda]]

É isto aí!

Sobre as coisas que virão.


É isso aí
ou não
não sei bem
não sei qual

bem ou mal
nisso aí
é o que tenho
para passar o ano

passado foi
presente está
e o futuro
será o que virá.


É isto aí!

Imagem: Foto anônima "Garoto com banjo e seu cachorro" de Domínio Público, possivelmente de 1920, nos Estados Unidos.

domingo, 1 de janeiro de 2023

03 - Odete volta do exílio

 


O Diário Oficial do Reino da Pitangueira publica em primeira mão que Odete, a musa do Reino, voltou do exílio. Fontes próximas afirmaram que a diva já se encontra atuante nos bastidores de Brasília, de onde foi coercitivamente convidada a se ausentar por ação de forças ocultas da Sociedade das Esposas Fieis do Distrito Federal. Segundo fontes seguras, na volta, Odete contará histórias capazes de corar corais escarlates. Quem viver lerá!

Corre a boca pequena que tudo recomeçou quando Sarinha, prima irmã de Dorinha Silva, amiga de Preta Sorriso, secretária do gabinete do Senador Fulano, ao atravessar a fronteira em voo de classes distintas, foi detida com passaporte supostamente fabricado em local incerto e não sabido, pela arte de Jorginho K, o mago das operações de apoio a ajuda humanitárias. Assim que soube da detenção, Jorginho acionou o alarme para que chegasse até Odete, exilada em férias prêmio na pouco discreta estação de  Aspen Snowmass. 

Dorinha Silva, de posse de uma senha recebida de Guapo Colorado, ligou para Odete, que imediatamente contatou com a nata do establishment do mundo sub-urbano e liberou a moça. Deu que, ainda segundo Dorinha, bateram saudades em Odete, que ampliaram através de inúmeros apelos. 

Não resolveu voltar à sua terra natal, e sim fazer uma reestreia  e voltar à sua vidinha simples e modesta por entre os labirintos do poder. Brasília vai ser novamente a BelaCap do poder do povo para o ... você sabe quem.

É isto aí!


Promessas de Ano Novo

Considerando que não se deve aplicar rigor excessivo na comprovação da atividade das promessas, tendo em vista as peculiaridades que envolvem o trabalha das memórias, dos amores e das dores, eu prometo que buscarei cumprir na medida do possível e cumprirei até o limite da irresponsabilidade o que declaro neste documento. 

Como prova da boa vontade, fica eleito o Foro desta Consciência que pactua o trato, como competente para qualquer ação espiritual ou sensorial, oriunda do presente documento, ainda que diverso seja, ou venha a sê-lo da vontade e do desejo.

1 - Prometo que vou ler todos os e-mails que recebo, mesmo aqueles de marketing que nunca abri

2 - Prometo que vou emagrecer até parar de emagrecer

3 - Prometo que vou permanecer fora das redes sociais por mais um ano.

4 - Prometo que cumprirei integralmente o que puder cumprir.

É isto aí, ou não, não sei bem ao certo.

sábado, 31 de dezembro de 2022

Feliz Ano Novo


Façamos um acordo
sobre o Feliz Ano Novo
que seja um pacto cordial
que seja simples e sincero
e espelhe nossos melhores desejos 

Ao dizer Feliz Ano Novo
que saia do fundo d'alma
e inspire fé 
expire esperança
e transpire o amor

Sejamos felizes, 
assuma que deseja ser
irremediavelmente feliz 
a tal ponto de comover-me
contagiar-me com sua felicidade

Eu desejo a você
o meu melhor  Feliz Ano Novo
que retribui seu sorriso
sua alegria e contentamento
para todo o sempre

É isto aí!




sexta-feira, 30 de dezembro de 2022

Deus (Khalil Gibran)


Alto lá
Este texto não é meu
Confesso que copiei e colei
Fonte²: Texto original em inglês: Projeto Gutenberg

Deus (publicado em 1918)

Nos tempos antigos, quando o primeiro palpitar de fala chegou aos meus lábios, eu subi a montanha sagrada e falei para Deus, dizendo: “Mestre, eu sou teu escravo”. Tua vontade oculta é minha lei e eu te obedecerei para todo o sempre”.

Mas Deus não respondeu e, como uma poderosa tempestade, passou.

E após mil anos subi a montanha sagrada e novamente falei para Deus, dizendo: “Criador, eu sou tua criação. De barro me moldaste e a ti devo tudo o que é meu”.

E Deus não respondeu, mas como mil asas velozes ele passou.

E após mil anos eu subi a montanha sagrada e falei novamente para Deus, dizendo: “Pai, eu sou teu filho. Com piedade e amor me deste à luz, e através do amor e da adoração herdarei teu reino”.

E Deus não respondeu e, como a névoa que encobre as colinas distantes, ele passou.

E depois de mil anos eu subi a montanha sagrada e novamente falei para Deus, dizendo: “Meu Deus, minha meta e meu cumprimento; eu sou teu ontem e tu és meu amanhã. Eu sou tua raiz na terra e tu és minha flor no céu, e juntos crescemos diante da face do sol”.

Então Deus se inclinou sobre mim, e nos meus ouvidos sussurrou palavras de doçura, e assim como o mar que envolve um riacho que corre para ele, ele me envolveu.

E quando eu desci para os vales e as planícies, Deus também estava lá.


quinta-feira, 29 de dezembro de 2022

Versões de mim (Luís Fernando Veríssimo)

 

Alto lá
Este texto não é meu
Confesso que copiei e colei

Vivemos cercados pelas nossas alternativas, pelo que podíamos ter sido.

Ah, se apenas tivéssemos acertado aquele número (unzinho e eu ganhava a sena acumulada), topado aquele emprego, completado aquele curso, chegado antes, chegado depois, dito sim, dito não, ido para Londrina, casado com a Doralice feito aquele teste... Agora mesmo, neste bar imaginário em que estou bebendo para esquecer o que não fiz - aliás, o nome do bar é Imaginário -, sentou um cara do meu lado direito e se apresentou:

- Eu sou você, se tivesse feito aquele teste no Botafogo.

E ele tem mesmo a minha idade e a minha cara. E o mesmo desconsolo.

- Por quê? Sua vida não foi melhor do que a minha?

- Durante um certo tempo, foi. Cheguei a titular. Cheguei à seleção.

Fiz um grande contrato. Levava uma grande vida. Até que um dia...

- Eu sei, eu sei... - disse alguém sentado ao lado dele.

Olhamos para o intrometido... Tinha a nossa idade e a nossa cara não parecia mais feliz do que nós. Ele continuou:

- Você hesitou entre sair e não sair do gol. Não saiu, levou o único gol do jogo, caiu em desgraça, largou o futebol e foi ser um medíocre propagandista.

- Como é que você sabe?

- Eu sou você, se tivesse saído do gol. Não só peguei a bola como me mandei para o ataque com tanta perfeição que fizemos o gol da vitória. Fui considerado o herói do jogo. No jogo seguinte, hesitei entre me atirar nos pés de um atacante e não me atirar. Como era um herói, me atirei...

Levei um chute na cabeça. Não pude ser mais nada. Nem propagandista. Ganho uma miséria do INSS e só faço isto: bebo e me queixo da vida. Se não tivesse ido nos pés do atacante...

- Ele chutaria para fora. Quem falou foi o outro sósia nosso, ao lado dele, que em seguida se apresentou:

- Eu sou você se não tivesse ido naquela bola. Não faria diferença.

Não seria gol. Minha carreira continuou. Fiquei cada vez mais famoso, e com fama de sortudo também. Fui vendido para o futebol europeu, por uma fábula.

O primeiro goleiro brasileiro a ir jogar na Europa. Embarquei com festa no Rio...

- E o que aconteceu? - perguntamos os três em uníssono.

- Lembra aquele avião da Varig que caiu na chegada em Paris?

- Você..

- Morri com 28 anos.

- Bem que tínhamos notado sua palidez.

- Pensando bem, foi melhor não fazer aquele teste no Botafogo...

- E ter levado o chute na cabeça...

- Foi melhor - continuei - ter ido fazer o concurso para o serviço público naquele dia. Ah, se eu tivesse passado...

- Você deve estar brincando! - disse alguém sentado a minha esquerda.

Tinha a minha cara, mas parecia mais velho e desanimado.

- Quem é você?

- Eu sou você, se tivesse entrado para o serviço público.

Vi que todas as banquetas do bar à esquerda dele estavam ocupadas por versões de mim no serviço público, uma mais desiludida do que a outra.. As conseqüências de anos de decisões erradas, alianças fracassadas, pequenas traições, promoções negadas e frustração. Olhei em volta. Eu lotava o bar. Todas as mesas estavam ocupadas por minhas alternativas e nenhuma parecia estar contente. Comentei com o barman que, no fim, quem estava com o melhor aspecto, ali, era eu mesmo. O barman fez que sim com a cabeça, tristemente.

Só então notei que ele também tinha a minha cara, só com mais rugas..

- Quem é você? - perguntei.

- Eu sou você, se tivesse casado com a Doralice.

- E...?

Ele não respondeu. Só fez um sinal, com o dedão virado para baixo...

Creio que a vida não é feita das decisões que você não toma, ou das atitudes que você não teve, mas sim, daquilo que foi feito. Se bom ou não, penso, é melhor viver do futuro que do passado.


"Porque tudo vale a pena, se a alma não é pequena".

 

Chaves de Sincronicidade - Existe coincidência? Lúcia Helena Galvão

Profª de Filosofia, palestrante, poetisa, escritora, roteirista


00:00 - A vida é simbólica
12:17 - C G Jung e a sincronicidade
30:24 - Chaves de Sincronicidade 
50:22 - Versões de mim
54:45 - Experiência dos outros nos ajudam
59:02 - A vida é pedagógica...o que acontece quando não aceitamos mais aprender?
01:02:30 - A paciente de Young que sonhou com escaravelho
01:04:10 - Sincronicidade que aconteceu com Lúcia
01:07:15 - Passando por dificuldade? Pergunte para a vida
01:11:25 - A vida torce para o nosso crescimento

Nova Acrópole é uma organização filosófica presente em mais de 50 países desde 1957, e tem por objetivo desenvolver em cada ser humano aquilo que tem de melhor, por meio da Filosofia, da Cultura e do Voluntariado.

Sabe quando alguém, do nada, fala algo que você precisava ouvir exatamente naquele momento, para entender melhor alguma coisa que estava pegando na sua vida?

C G Jung chama esses eventos de SINCRONICIDADE - não são simples coincidências!!
A professora e voluntária de Nova Acrópole Lúcia Helena Galvão nos oferece algumas chaves para identificar e interpretar esses momentos em que podemos entender com maior clareza o que a vida está querendo nos dizer. 

Chaves para entrar no fluxo da vida!

Esta palestra foi proferida em Natal-RN, por ocasião da celebração do dia da Filosofia, em novembro de 2022.

Dúvidas? Converse conosco no whatsapp: https://bityli.com/s2vhF

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Vocês sabiam que a Nova Acrópole é feita 100% por voluntários? Assim dependemos muito dos nossos alunos e amigos para a divulgação!

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Será uma ajuda enorme 😊

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quarta-feira, 28 de dezembro de 2022

Esperança (Mário Quintana)


Alto lá
Este poema não é meu
Confesso que copiei e colei
Poema: Esperança
Imagem: L'Amour et Psyché (William-Adolphe Bouguereau, 1890)


Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano
Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas as sirenas
Todas as buzinas
Todos os reco-recos tocarem
Atira-se


— ó delicioso voo!
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,
Outra vez criança…
E em torno dela indagará o povo:
— Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?
E ela lhes dirá
(É preciso dizer-lhes tudo de novo!)
Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:
— O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA…


Nota Biográfica

Mário Quintana nasceu no Rio Grande do Sul, na cidade de Alegrete, em 30 de julho de 1906. Ele foi um poeta, tradutor e jornalista que começou a escrever durante a adolescência e publicou seus primeiros trabalhos na revista da escola. É considerado um dos maiores poetas do século XX, mestre da palavra, do humor e da síntese poética.

Argumentos



De repente é dia, 
finda a chuva, 
saem as pessoas 
nas ruas apressadas

Em fuga das coisas 
que resistem amargas 
guardadas apertadas
na mente sem paz.

Dores que conflitam 
e expõem feridas
feito ondas de choque
numa dicotomia fugaz 

Aí recorro à Dialética de Vinícius:

"É claro que a vida é boa
E a alegria, a única indizível emoção
É claro que te acho linda
Em ti bendigo o amor das coisas simples
É claro que te amo
E tenho tudo para ser feliz

Mas acontece que eu sou triste..."

*Dialética é um poema escrito por Vinícius de Moraes em Montevidéu-Uruguai,  publicado no livro “Para Viver Um Grande Amor” em 1962.

É isto aí!





terça-feira, 27 de dezembro de 2022

Copa da Lua


Fonte da Imagem: ESA Agência espacial Europeia
Autor: Thomas Pesquet, engenheiro da ESA, Expedição 65 da NASA  
Ano: 2021 Estação Espacial Internacional (ISS


Estou 
da Lua
assistindo 
a Copa

Todo povo 
na rua
menos ela 
que topa

de ficar 
tão pura
na nave 
no quarto

e eu aqui 
de boa
de luneta 
pro espaço

no seu corpo
sorvendo passes
gols imperdíveis
abraços ternos  

braços ensandecidos
a sorte esmera
esqueci a lente
agora já era

É isto aí

segunda-feira, 26 de dezembro de 2022

Autumn leaves - Galliano, Lagrene, Lockwood (Switzerland 2014)


Fonte da Imagem: country living

" Autumn Leaves " é uma canção popular e padrão de jazz composta por Joseph Kosma em 1945 com letra original de Jacques Prévert em francês (título original em francês: " Les Feuilles mortes "), e posteriormente por Johnny Mercer em inglês. Uma versão instrumental do pianista Roger Williams foi um best-seller número um nas paradas da Billboard nos Estados Unidos em 1955 .




Fonte Youtube:  Autumn leaves - Galliano, Lagrene, Lockwood (Switzerland 2014)
Composed by Joseph Kosma.
Performed by Richard Galliano, Biréli Lagrène & Didier Lockwood.10 de mar. de 2019
Live in Switzerland, 2014
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Sonhar não é para principiantes.


Sonhar é uma arte
ímpar e individual
física, psíquica,
espiritual e gramatical

Sonhar não é para principiantes. 
Pode ser transitivo direto, 
transitivo indireto 
ou até intransitivo

Sonhar é um processo 
transitivo direto 
quando precisa de um complemento 
para fazer sentido.

Sonhar pode ser intransitivo,  
quando por si só apresenta 
o sentido completo de uma ação;
sendo desnecessário o complemento.

Sonhar pode ser do tipo transitivo 
indireto e pronominal, 
ligando-se ao objeto indireto
por meio de uma preposição. 

Nunca pense nisto
apenas permita-se sonhar
há um universo
dentro da sua história.

É isto aí!