— Flavinho, senhor.
— Bem, Flavinho, você sai da cortina 3, vem em diagonal até o centro do palco, a luz azul o acompanhará até o ponto marcado com fita adesiva azul. Aí você diz:
Foi rápido pertencer
ao seu olhar amendoado
nada complicado
quando o céu faz o texto.
— Posso saber porque a luz é azul?
— Você não leu o roteiro? É noite de lua cheia. Você chegará ao ponto demarcado e falará seu texto de uma forma calma, sem alterar a entonação. Ok?
— Silêncio! Iluminação pronta? Sonoplastia pronta? 1... 2... 3... agora:
Silêncio total... 30 longos segundos
Alô! Flavinho, meu filho, é sua deixa. Flavinho? Alguém aí no palco ...
— O rapaz sumiu, diretor.
— Ok, 5 minutos de intervalo. Acendam as luzes. Vou conversar com ele.
Ao chegar no local onde deveria estar Flavinho, havia um bilhete escrito: eu sinto muito, mas nem quando era vivo falava assim com uma moça que eu amo, amava, e amarei eternamente é isto.
— Puxa vida, só pode star de sacanagem. Acendam todas as luzes, procure o rapaz. Fred, quem trouxe este moço? Alguém conhece? Como ele veio parar aqui?
— Por amor, Diretor. Eu trabalho neste teatro há 30 anos, e sempre que aconteciam coisas estranhas, diziam que era coisa do Flavinho, que morreu contracenando com o amor da sua vida, acometido de um mal súbito.

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