
O ruído da abelha provoca aqui a picada do dardo que desperta Gala. Toda biologia criativa surge da romã reinventada. No fundo, o elefante de Bernini leva um obelisco com os atributos papais. (Dalí)
Esta obra possui um pomposo nome, do tamanho do ego do pintor espanhol Salvador Dalí: Sonho causado pelo voo de uma abelha em torno de uma romã um segundo antes de acordar. Foi inspirada num sonho de Gala.
Gala, nua e com os cabelos molhados, é a figura central da composição. Encontra-se levitando sobre uma estrutura rochosa plana, que também levita acima de um mar azul e tranquilo. À sua esquerda, levitam uma romã e duas gotas de água, conforme comprova a sombra das mesmas. É o zumbido da abelha, que provoca o delirante sonho, com imagens que parecem querer agredi-la.
À direita de Gala está uma enorme romã madura, símbolo do erotismo e da paixão, da qual nasce um enorme peixe que, por sua vez, lança para fora dois grandes tigres enfurecidos, símbolo de paixão e violência vital da natureza. À esquerda de tais figuras, um elefante com enormes pernas, desloca-se carregando um obelisco nas costas, que se trata de uma alusão fálica. Para o pintor, esse animal representa a força, a longevidade e a sabedoria. Quase tocando o braço de Gala encontra-se uma baioneta, também simbolizando a abelha que está prestes a picá-la e despertá-la.
Em primeiro plano está uma pequena romã levitando. Sua sombra forma um coração, simbolizando o amor do pintor por sua mulher. Uma abelha voa em torno da romã. Duas sementes da grande romã, à direita de Gala, estão caindo em direção ao mar. Como a romã é o símbolo da Virgem Maria e está relacionada com a fertilidade, Dalí disse se tratar de “biologia criativa”.
Curiosidade
Declaração de Adolf Hitler, 1937, sobre os surrealistas:
“Pintam assim, porque veem as coisas assim, então esses desgraçados deveriam morrer em um departamento do Ministério do Interior, ou ser recolhidos ali para esterilizá-los, a fim de evitar que se propague sua desgraçada herança.”
Ficha técnica
Ano: 1944
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 51 x 41 cm
Localização: Museu Thyssen-Bornemisza, Madri, Espanha
Minas Gerais, 10 de agosto de 2017
ResponderExcluirCaro Paulo - o semeador das belezas literárias, musicais, estéticas e políticas
Que linda obra e que texto magnífico! Vi a postagem outro dia, mas não pude comentá-la, voltei e revisitei-a.
(Gostei de novo, de tudo!) A leitura da obra, com as referências e tudo mais a deixaram,certamente, ainda mais luminosa. Adoro Dalí e Gala também.
A curiosidade com a qual nos presenteou, no final, foi sublime. Não surpreende em nada o conceito, do alemão em questão, sobre os surrealistas. Compreendemos muito sobre projetos de governo e poder a partir do que pensam sobre arte e cultura. Grata pelo texto, obra e curiosidade.
Abraços,
Amanda
Minas Gerais, 11 de agosto (até aqui tudo ruim) de 2017
ResponderExcluirQue bom que gostou. Fico feliz. E sim, qualquer ditadura ideológica destroi e não constroi nada no lugar - fica aquele vazio.
Abraços
Paulo
Adorei, estarei usando essa pintura amanhã para meus alunos de psicanálise para falar sobre o mundo mental e a fantasia.
ResponderExcluirRegina, fico muito feliz em saber desta informação. Desejo (opa) que seus alunos e alunas mergulhem nesta tela.
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