sábado, 31 de maio de 2014

Transmissões secretas da Nasa?






Eu não sei se existe vida além da que sabemos, mas o sujeito
que tentou provar isto documentalmente não viveu muito para confirmar o que
descobriu.





Martyn Subbs desenvolveu câncer no cérebro e morreu logo
depois de divulgar seu trabalho de captação das imagens dos filmes da NASA-STS
sobre ufos no espaço.





Abaixo estão em ordem os vídeos publicados no Youtube. Você
decide:




























Transmissões Secretas da Nasa 7/7 PTBR



Transmissões secretas da Nasa?


Eu não sei se existe vida além da que sabemos, mas o sujeito que tentou provar isto documentalmente não viveu muito para confirmar o que descobriu.

Martyn Subbs desenvolveu câncer no cérebro e morreu logo depois de divulgar seu trabalho de captação das imagens dos filmes da NASA-STS sobre ufos no espaço.

Abaixo estão em ordem os vídeos publicados no Youtube. Você decide:







Transmissões Secretas da Nasa 7/7 PTBR

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Conto simples da felicidade intangível


Ouvi um badalar de sinos dobrando ao longe, cada vez mais altos, e à medida que aumentavam, sentia-me estranho. Abri os olhos devagar e os badalos diminuíram, mas a enxaqueca estava instalada. Olhei para os lados, com certo desconforto. Estava deitado em um imenso sofá branco, e ao meu lado, nua, uma das mais lindas mulheres que já vi.

Acordamos juntos. Dei conta da minha nudez ao procurar o celular. Ficamos nos entreolhando por uma eternidade de segundos. Aí então conversamos:

- Olha, eu posso explicar...

Espero que sim.

- É... eu também. Você viu as minhas roupas?

Não. Você vê as minhas?

- Também não. Mas que tal tomarmos um banho e depois resolvermos tudo?

Perfeito. Estou toda suada, cabelo pregando e você cheio de marcas estranhas, parece batom com molho... além de estar bem suado também.

O banho foi épico. Coisa de realização de um desejo de adolescente. No quarto haviam roupas sobre uma cômoda lateral, confortáveis. Ela colocou um vestido branco excitante e para mim calça e camisa de linho branco. Caminhamos para a copa, onde uma mesa de jantar estava servida, fartamente elegante e pomposa.

- Posso saber o seu nome? - perguntei degustando uma lagosta.

Bárbara, e o seu?

- Carlos Lindolfo.

Esta casa é sua?

- Não. Não é não. Achei que fosse sua.

Sabe como veio parar aqui?

- Não lembro. E você?

Não tenho a menor ideia...

- Será que morremos?

Não sei. Nunca vi você, nem lembro de algo... espere...

- Sim?

Entrei em uma loja ontem, eu acho que foi ontem à tarde, e uma pessoa me perguntou o que desejava mais na vida, e respondi que queria ser feliz.

- Meu Deus, aconteceu a mesma coisa comigo. Era uma loja diferente, que nunca havia percebido, na Alameda das Flores. Uma pessoa fez a mesma pergunta e dei a mesma resposta que você. Aí não lembro de mais nada até acordar aqui.

- E o que faremos?

Nada! Vamos aproveitar até ver onde isto vai...

- Gostei disto... nada de complicar.

É isto aí!

Vai ter copa

Atenção: Este poema não é meu. Copiei e colei
Autora: Profª Marta Godoi
Vai
Vai ter
Vai ter copa
Vai ter protesto
Vai ter lucro
Vai ter prejuízo
Vai ter tristeza
Vai ter alegria
Vai ter ódio
Vai ter paz
Vai ter vitória
Vai ter derrota
Vai ter vencedor
Vai ter vencido
Vai ter verde e amarelo
Vai ter azul e branco
Vai ter ida
Vai ter volta
Vai ter abuso
Vai ter bondade
Vai ter lágrima
Vai ter gol
Vai ter grito
Só não vai ter o nada
Porque o nada não é nada
Nada como ter um pouco de tudo
Sem nada de nada, nadica de nada, nadinha
Só quem já morreu
Será?
Vai ter dúvida
Não vai ter resposta

Vai ter vida

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Sanduíche natural




Sanduíche natural


Narcisa Urbana






Narcisa, Narcisa, esta mania de espelho ainda vai te fazer famosa!

Narcisa Urbana


Narcisa, Narcisa, esta mania de espelho ainda vai te fazer famosa!

O plano perfeito




O plano perfeito


Tipo assim!


Questão de ponto de vista




Questão de ponto de vista


Carminha no dentista








O que acha que eu tenho, doutor?







- Sapatos bonitos com salto...









Fala sério, doutor, o que eu tenho?









- Vestido de algodão, anéis, brincos, pulseiras, relógio...









Você não pode estar falando sério. Não pode fazer isto comigo!









- Mas é o que estou vendo que você tem.









Como assim? Não está invadindo o meu interior? Não vê minha alma, meus sentimentos ocultos? Não vê minha tristeza? Meu amor por você?







- Não tenho como ver, e não é o que procuro.







Nossa, como você é ridículo. Não vê nada em mim?









- Talvez o cabelo tenha mudado o penteado.









Não sente nada?









- Sinto um perfume com uma fragrância sensual e envolvente e ao mesmo tempo fresca.









Uau, jura? É da Carolina Herrera, eu adoro também, e agora que sei que você gosta, uau.









- Não disse que adoro, disse que sinto o perfume.









Nossa, como você é insensível.









- Tem dores frequentes?









Não quero falar sobre isto. Mas tem dois dias que sinto estalos no joelho esquerdo. 









- Entendo. Abra a boca...









Ufa, até que enfim um contato de terceiro grau.







- Quer fazer o favor de ficar quieta...







Tudo bem, mas estou com uma coisa estranha na coxa esquerda. Quer ver?









- Não é necessário.









Carminha, Carminha, para de falar sozinha no banheiro e acaba logo este banho, que vai chegar atrasada na consulta...




- Ah, mãe, só estou treinando o diálogo para a consulta com aquele dentista solteiro que está atendendo no Posto de Saúde. Hoje quero achar uma frase que não tenha jeito dele escapar...

















Carminha no dentista


O que acha que eu tenho, doutor?


- Sapatos bonitos com salto...



Fala sério, doutor, o que eu tenho?



- Vestido de algodão, anéis, brincos, pulseiras, relógio...



Você não pode estar falando sério. Não pode fazer isto comigo!



- Mas é o que estou vendo que você tem.



Como assim? Não está invadindo o meu interior? Não vê minha alma, meus sentimentos ocultos? Não vê minha tristeza? Meu amor por você?


- Não tenho como ver, e não é o que procuro.


Nossa, como você é ridículo. Não vê nada em mim?



- Talvez o cabelo tenha mudado o penteado.



Não sente nada?



- Sinto um perfume com uma fragrância sensual e envolvente e ao mesmo tempo fresca.



Uau, jura? É da Carolina Herrera, eu adoro também, e agora que sei que você gosta, uau.



- Não disse que adoro, disse que sinto o perfume.



Nossa, como você é insensível.



- Tem dores frequentes?



Não quero falar sobre isto. Mas tem dois dias que sinto estalos no joelho esquerdo. 



- Entendo. Abra a boca...



Ufa, até que enfim um contato de terceiro grau.


- Quer fazer o favor de ficar quieta...


Tudo bem, mas estou com uma coisa estranha na coxa esquerda. Quer ver?



- Não é necessário.



Carminha, Carminha, para de falar sozinha no banheiro e acaba logo este banho, que vai chegar atrasada na consulta...

- Ah, mãe, só estou treinando o diálogo para a consulta com aquele dentista solteiro que está atendendo no Posto de Saúde. Hoje quero achar uma frase que não tenha jeito dele escapar...





terça-feira, 27 de maio de 2014

A entrevista de emprego


Izabelle von Wetting Mounttbaren! Quem é Izabelle? Izabelle? 

- Aqui, sou eu.

- Então venha, é a sua entrevista. Pode entrar e sentar-se enquanto vou fazendo algumas perguntas, ok?

- Sim, tudo bem.

Casada?

- Solteira.

Filhos?

- Duas meninas.

- Moram com você?

- Não, moram com minha mãe.

- Não entendi a sua formação profissional. Não ficou claro para mim.

Bem, é por que é um pouco diferente! Graduei em Proto-Filosofia Modal na Universidade Federal, e na pós-graduação especializei em Sistema de Percepção Extra-sensorial de Vetores. Aí fui convidada para o mestrado em Critérios de Contracepção Binária do Outro em Si, que permitiu a evolução da minha tese no doutorado em Conjecturas e Conectividades da Matrix. Passei dois anos em Londres em sanduíche e após a conclusão do doutorado, fiz dois pós-doutorados, um em Buenos Aires e outro em Paris.

- A sua idade...

Vinte e nove anos e alguma coisa...

- Só isto, e já fez isto tudo?

Na verdade... fiz, fiz sim...

- Domina completamente quantos idiomas?

Três - inglês, francês e alemão; e consigo me virar em russo.

- E em que você trabalha hoje?

Puta, sou puta.

- Como assim?

Puta, nada demais. Veja bem, dou por esporte e cobro pelo prazer, com PhD duplo e tudo o que envolver e exigir a execução do processo profissional.

- Interessante, isto não consta do seu Curriculum Vitae...

E nem posso, por que sou sonegadora de impostos federais e os que me pagam ganham desonestamente, roubando de empresas, empreiteiras e serviço público.

Ah, sim, claro, desculpe, não havia pensado por este lado. Mas olha, seu perfil se encaixa perfeitamente em uma vaga que temos aqui.

E o salário? Posso saber?

- Qual a sua expectativa? 

Humm, vejamos, três horas por dia, de terça a quinta, das dezessete às vinte horas, com dois intervalos de quinze minutos, mais transporte pessoal em táxi com ar condicionado, e personal-digitador, massagista e maquiadora, humm, vejamos, livre, livre, olha, vou ser bem franca, não dá para trabalhar por menos de vinte mil por semana.

- Excelente, a vaga é sua. 

E quando começo?

- Amanhã mesmo, se puder.

E qual será a minha função? Posso saber?

- Coisa fácil. Será nossa assessora especial para Conflitos e Crises com os Clientes das filiais da Companhia pelo país.

Pode me contar o que viu em mim para ocupar um cargo tão elevado, a nível de diretoria?

- Veja bem, no princípio, com o currículo acadêmico, achei que encaixaria como chefe do tele-marketing, mas a sua experiência extra-curricular, digamos assim, permitiu avaliar que dá conta de amansar qualquer coisa mais dura que entrar em conflito com a administração nesta bosta desta empresa, desonesta, prestadora de serviços de telefonia.

É isto aí!


Reunião de condomínio



Às vinte horas, em segunda convocação, com o quorum formado, presentes os senhores condôminos titulares, conforme assinaturas constantes no Livro de Presença, como secretária geral do Condomínio, declaro aberta a sexta reunião ordinária anual do Condomínio Dr. H. Ramos. Considero dado por iniciado os trabalhos da presente Assembléia Geral. Em seguida, composta a mesa, a Sra. Síndica colocará em análise o único item da Ordem do Dia:

— Apreciação e estudo para alteração do nome condominial.

Eu tenho uma pergunta.

Pois não, sr. 301 Bloco C?

É exatamente sobre isto. Por que precisamos usar estas fotos ridículas da porta do apartamento penduradas no pescoço, com o número do apartamento?

O senhor conhece algum dos presentes, senhor 301 Bloco C?

Não conheço.

Vai fazer diferença para o senhor ter os nomes no crachá das pessoas?

Não... não vai...

Isto mesmo, senhor 301 Bloco C, assim mantemos a privacidade dos condôminos. Se o senhor não tem mais nenhuma objeção, podemos dar sequência aos trabalhos?

Só mais uma coisa, senhora. síndica.

O senhor está a fim de perturbar mesmo, hem senhor. 301 Bloco C.

É só uma reclamação, sabe, tem uma coisa que está me perturbando muito.

Que saco, tudo bem, senhor. 301 Bloco C, fale o que está o perturbando.

É que toda quarta-feira assisto jogo na televisão, e na minha casa inverti os cômodos e a suíte virou sala de jogos e TV. E acontece que depois disto passei a perceber, de umas semanas para cá, exatamente na hora que começa o jogo, um barulho no apartamento de cima que é demais. Gritos, gemidos, tapas, pancadas no chão, enfim, é um escândalo. E irrita bastante. Parece que tem uma mulher histérica lá que não me deixa ver o jogo.

Posso falar? Como podem ver pelo crachá, sou do 202 Bloco A, e se ele tem este problema, só pode ser com o 401 Bloco C, que está acima dele. É só procurar aqui quem está com o crachá 401 Bloco C e saber o que fazer. 

Não vejo ninguém do 401 Bloco C aqui, senhora 202 Bloco A.

Bem pensado senhora 202 Bloco A. Como sou do 301 Bloco C isto é lógico. Peço à síndica para verificar esta possibilidade.

Como eu sou mais antigo aqui, e sou do 602 Bloco B, lembro de um homem que tinha a placa do 401 Bloco C, mas tem muito tempo que não aparece, estava sempre calado, nunca falou nas reuniões, e um dia disse que não voltaria mais para participar dos nossos encontros.

Pelos poderes de síndica, declaro encerrada a reunião por termos passado do horário e desviarmos do assunto em pauta, conforme regimento interno aprovado por unanimidade em 12 de setembro de 2008. A pauta ficará em aberto para a próxima reunião.

Concordo, senhora síndica, como morador do 302 Bloco C também declaro que nunca ouvi nada de estranho, nem sequer sendo comentado, sobre barulhos ou incômodos do 401 Bloco C.

Muito obrigada, senhora 302 Bloco C. A senhora, como sempre, muito gentil e educada. Está encerrada a reunião. Boa noite condôminos.

Enquanto isto, dias depois, no 401 Bloco C, 21 horas, a simpática síndica recebia os carinhos do vizinho do 402 Bloco A
- Querida, este trabalho de síndica está estressando muito você?
- Por que a pergunta, amor?
- Você gastou uma fortuna em isolamento acústico do seu quarto...

É isto aí!




segunda-feira, 26 de maio de 2014

O Hino do Caminho Transcendente de Almagesto


Prezados membros do Comitê Central da Libertação do Caminho Transcendente de Almagesto, está aberta a sessão de transcendência proposta pelo nosso Grande Eleitor Cósmico..

Com a palavra o Guardião da Tradição do Antigo Oriente Próximo, Fráter Aron:

Senhor presidente, senhores membros, nosso Fráter secreto mor, Ptolomaeus, se não disse, deveria ter dito que há uma profunda interconexão entre a habilidade de estar auto-consciente e a habilidade de experimentar o mundo de objetos. Ora, direis, ouvir estrelas. A hora é esta. O objeto geocêntrico somos nós outros.

Com a palavra o Guardião da Tradição Greco-Romana, Fráter Petrus:

Senhor presidente, senhores membros, nosso Fráter Secreto Mor, Hesíodo, antecipando séculos ao saber germânico, contradisse a transcendência  por conhecer a fronteira e estar desperto, afirmou que ela é a fronteira real e de tal forma o que jaz além dela -- em outras palavras, nós já transcendemos a isto. Estamos além e aquém.

Com  a palavra o Guardião da Tradição Oral dos Sábios do Extremo Oriente, Fráter Ho Chi Qual:

Senhor presidente, senhores membros, nosso líder máximo Fráter Secreto Mor, Chen Zuo, tem consigo a verdade de que o céu setentrional é dividido geometricamente em cinco recintos e vinte e oito casas ao longo da eclíptica, agrupados em quatro símbolos de sete asterismos cada. As vinte e oito casas lunares são uma das mais importantes e também das mais belas estruturas do nosso céu. Desta forma, a partir do Norte podemos traçar um paralelo macro-existencial infra-piramidal e supra-perceptivo quanto ao centro do universo em nosso Templo Místico.

Com a palavra o Guardião da Tradição dos Grandes Guerreiros Meridionais, Fráter Geraldinho da Tapioca

Senhor presidente, senhores membros, nosso Fráter Secreto Mor, Zeca Fubá, canalizou a tradução para a Língua Pátria da letra do nosso hino Antropocêntrico e Geocêntrico.
Em toda a comunidade dos planos periféricos e altiféricos metropolitanos, agradeço aos Avassaladores, por enviar-nos anos luz e de sabedoria contidos em código guardiônico, neste poema.

Senhores Guardiões, eis a letra do nosso Hino do Caminho Transcendente de Almagesto :

A análise do conceito de espaço 
no Tratado da Natureza Humana 
derrama e enaltece
com uma série de módulos positivos 
sobre nossa natureza
e sobre o conteúdo 
representado por sua ideia: 
de que o espaço é e sempre será
infinitamente divisível, 
e sua ideia é composta de pontos 
coloridos ou táteis não-extensos, 
o que o leva a concluir 
que a ideia de espaço 
é ela mesma espacial e iconoclasta 
Esse conjunto de fatos
arremete ao desenvolvimento
com uma teoria esferográfica
do inverso CIB do espaço. 
Nosso cosmo superior por si só
 elucida-se aos argumentos 
do rumo a favor de suas provas positivas 
e percebe-se seu comprometimento 
através de uma caracterização da natureza 
da proporção do Tratado das Tordesilhas.

Todos de pé, chorando, se abraçando, bravo ... bravíssimo ... inigualável ... deciframos o código secreto do Universo...


É isto aí!

domingo, 25 de maio de 2014

Adeus do cais


Adeus do cais 

A tarde cai,
tarde triste,
invade em mim
a saudade priste.

A tarde cai.
Mar de luz.
O ocaso se vai
para nunca mais

A tarde cai.
Cai, dói e esvai.
O silencio arde
como sói acontecer. 

A tarde cai,
e o tempo, cobarde,
dá adeus do cais,
sem alarde, a doer.

sábado, 24 de maio de 2014

Carminha e a terapia do amor total

https://www.flickr.com/photos/danielsemper/3442372247/
Naquela manhã de sexta-feira acordei completamente suado. O sonho foi intenso, confuso, daqueles com a sensação de realidade. Abri os olhos com dificuldade, o cabelo estava molhado, o travesseiro, o lençol, o pijama. Precisava de um banho. Ao tentar levantar, Carol, lindíssima, segurou-me pelo braço, com carinho e súplica. Foram mais trinta minutos de intensa paixão e juras eternas de amor.

Ao sair para o escritório, liguei o rádio do carro e para minha surpresa tocava a música que amanheci cantarolando. Trânsito livre e tráfego reduzido propiciaram uma rápida chegada ao trabalho. Nove horas, lendo o relatório da Controladoria, entrou a Soraya, uma morena escultural do Contas a Pagar, por quem sempre nutri desejos bizarros. Avancei sobre seu corpo aos beijos e abraços. Combinamos e cumprimos almoçar juntos no Hotel Bangalô, de onde retornamos às quinze horas, em carros separados.

Voltei para casa não sem antes dar uma rápida passagem no Pub Beertija,  que serve as melhores cervejas vermelhas do mundo, importadas da Croácia, e principalmente servidas por Magdalena, uma estonteante e autêntica zagrebina. Trocamos olhares, carícias, beijos, telefones e promessas.

Ao entrar no carro, senti uma coisa estranha, pesada; as pernas não obedeceram, então veio um suor frio e dor intensa no peito. O braço esquerdo estava dormente, faltava o ar. Estou tendo um infarto, pensei - estou morrendo. Quero mexer, quero chamar alguém até que ouvi um som gutural muito esquisito. Morri? Será este o som do espaço sideral?

Voltei à realidade e acordei lentamente. Parecia um local familiar. Havia uma mulher fofa e nua sobre meu corpo. Pensei estar vivendo um episódio de algum sonho estranho, e tentei empurrá-la com o braço direito que estava solto. Ela demorou um pouco a responder ao estímulo. Saiu de cima de mim, não sem antes me apertar e me dar um beijo estalado e molhado na orelha. Rodou para o lado, e olhou-me com uma expressão entre raiva e indecisão..

- Onde estou? Perguntei. Estou morto? Você é minha anja da guarda?

- Armandinho, para com isto, larga a mão de ser bobo. Vou te dar uns tabefes mas antes saiba que você está bebendo demais. E quanto a morrer, não - você não está morto, mas eu ainda penso se vale a pena te matar.

- Você me conhece?

- Claro, sou eu, Carminha, sua esposa. Ontem fomos à festa da laje da Flotinha, lembra?

- Sinceramente ... não.

- Pois é, seu esponja, fomos lá e você deu o maior vexame. Depois de beber todas, saiu cambaleante dizendo que ia embora e pegou a sogra do Luizinho pela cintura, apalpou-a toda, sumiu com ela e te encontrei beijando a velha atrás da caixa d'água. Foi um trabalhão convence-la de que você era casado e estava bêbado.

- Eu?? A sogra do Luizinho??

- É, seu imbecil, a sogra do Luizinho, e depois disto tudo, ela ficou muito doida e foi nua para a sala, meu Deus, Armandinho, e você, tarado de tudo, partiu para cima dela daquele jeito inexplicável. Foi a maior cena de de horror que já vi na minha vida. Ficamos todos ali vendo aquele fato se suceder em cima da mesa.

- Carminha, nossa!!! É você mesma!! Agora lembro vagamente de tudo. Caramba, que dor de cabeça.

- Você tem algo a dizer em sua defesa, Armandinho?

- Sim, Carminha. Acordei com o braço todo dormente. Como você está gorda...

Aí não vi mais nada e vim parar neste hospital...  e daqui da cama, preso a fios e talas, vejo sobre a mesinha um cassetete sob um cartão onde se lê - Terapia do Amor Total!

É isto aí!

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Wanderlea posta foto histórica em sua página:

No registro da década de 1960, que chamou a atenção nesta tarde,  é possível ver Wanderlea, a cantora na época em que era uma das musas da Jovem Guarda. Em um campo de futebol, a loira era admirada por ninguém menos que:
Em pé: Erasmo Carlos, Moacyr Franco, Silvio Santos,  e Wanderley Cardoso.
Agachado:  Jair Rodrigues.
"Seleção da pesada", escreveu a Ternurinha na legenda do clique em que todos os homens aparecem vestidos com o uniforme da Seleção Brasileira. Quem também é vista na imagem ao lado de Wanderléa é a cantora Martinha.

Fonte: https://br.celebridades.yahoo.com/blogs/notas-omg/wanderl%C3%A9a-posta-foto-hist%C3%B3rica-silvio-santos-erasmo-carlos-113426678.html



quarta-feira, 21 de maio de 2014

Carminha - estou gorda?




Olha para mim, Armandinho, olha como estou acabada!





- Que isto, Carminha? Você está linda.





Linda? Chama isto de linda? Olha minha cintura.





- Que que tem sua cintura? Adoro sua cintura.





Que que tem? É? Que que tem? tem pneu, Armandinho, tem pneu!





- Seu carro tem quatro pneus e um estepe e você o acha lindo.





zazzzzzz, zummmmm, crash, pa ti bum....





- Ficou louca? Atirar o monitor do Pc em mim? Doida!





Repete o que falou se for homem.





- Doida! Doida! Doida!





zazzzzzzzz - sua bicha; zummmmmm - seu veado; crash - bambi; plac - safado; plecc - cretino; trasch - bandido... É isto que você é sua bichaveadobambisafadocretinoebandido.





- Que isto, Carminha, para de jogar as coisas em  mim. Você mesma mandou que eu repetisse, e só fiz obedecer.





Mandei repetir de novo se eu estou gorda, seu bandido. Queria ver se era homem para repetir...





É isto aí!




Carminha - estou gorda?

Olha para mim, Armandinho, olha como estou acabada!

- Que isto, Carminha? Você está linda.

Linda? Chama isto de linda? Olha minha cintura.

- Que que tem sua cintura? Adoro sua cintura.

Que que tem? É? Que que tem? tem pneu, Armandinho, tem pneu!

- Seu carro tem quatro pneus e um estepe e você o acha lindo.

zazzzzzz, zummmmm, crash, pa ti bum....

- Ficou louca? Atirar o monitor do Pc em mim? Doida!

Repete o que falou se for homem.

- Doida! Doida! Doida!

zazzzzzzzz - sua bicha; zummmmmm - seu veado; crash - bambi; plac - safado; plecc - cretino; trasch - bandido... É isto que você é sua bichaveadobambisafadocretinoebandido.

- Que isto, Carminha, para de jogar as coisas em  mim. Você mesma mandou que eu repetisse, e só fiz obedecer.

Mandei repetir de novo se eu estou gorda, seu bandido. Queria ver se era homem para repetir...

É isto aí!

terça-feira, 20 de maio de 2014

Carminha e a pergunta difícil.





Carminha, eu preciso te fazer uma pergunta.



- Então faça, amor!



Mas é muito complicado te perguntar isto.



- Então não pergunta.





É muito importante para mim, mas não sei por onde começar.



- Fique calmo, respire fundo e comece do começo.



Saiba que antes de tudo, você é uma moça linda. 



- Sim, mas e a questão?



Puxa vida, eu preciso ter coragem para isto.



- Você está me irritando. Fala logo!



Olha, jura que não vai ficar com raiva?



- É esta a pergunta?



Não, só estou querendo saber que, no caso de fazer uma pergunta difícil, você teria um ataque de fúria. 



- Nossa! Você está me dando nos nervos. Faz logo esta merda desta pergunta.



Aí, viu só? Já está nervosa. Eu sabia.



- Sabia merda nenhuma. Não tem como saber.



Não tem como eu saber o que?



- É esta a sua pergunta definitiva, sr. Armandinho?



Não, isto aconteceu por que você disse que eu não tinha como saber o que você sabe, que não sei.



- Ai, que saco! Você é um chute no saco e se eu tivesse saco, eu já saberia como seria doloroso.



Nossa, vamos nos acalmar. Mas antes quero saber o que não posso saber.



- Armandinho, quer saber? Quer saber mesmo? Só digo se depois você disser o que tanto quer saber.



Está bem, Carminha. O que você sabe que não posso saber?



- Bem, como parece que você já sabe, você é corno, Armandinho, e eu tenho outro. E agora? Está satisfeito? COR-NO, soletrando - c.o.r.n.o! Não era isto que você queria tanto perguntar?



Não, ia perguntar se você tinha cem reais para me emprestar... 



É isto aí!



Carminha e a pergunta difícil.

Carminha, eu preciso te fazer uma pergunta.

- Então faça, amor!

Mas é muito complicado te perguntar isto.

- Então não pergunta.

É muito importante para mim, mas não sei por onde começar.

- Fique calmo, respire fundo e comece do começo.

Saiba que antes de tudo, você é uma moça linda. 

- Sim, mas e a questão?

Puxa vida, eu preciso ter coragem para isto.

- Você está me irritando. Fala logo!

Olha, jura que não vai ficar com raiva?

- É esta a pergunta?

Não, só estou querendo saber que, no caso de fazer uma pergunta difícil, você teria um ataque de fúria. 

- Nossa! Você está me dando nos nervos. Faz logo esta merda desta pergunta.

Aí, viu só? Já está nervosa. Eu sabia.

- Sabia merda nenhuma. Não tem como saber.

Não tem como eu saber o que?

- É esta a sua pergunta definitiva, sr. Armandinho?

Não, isto aconteceu por que você disse que eu não tinha como saber o que você sabe, que não sei.

- Ai, que saco! Você é um chute no saco e se eu tivesse saco, eu já saberia como seria doloroso.

Nossa, vamos nos acalmar. Mas antes quero saber o que não posso saber.

- Armandinho, quer saber? Quer saber mesmo? Só digo se depois você disser o que tanto quer saber.

Está bem, Carminha. O que você sabe que não posso saber?

- Bem, como parece que você já sabe, você é corno, Armandinho, e eu tenho outro. E agora? Está satisfeito? COR-NO, soletrando - c.o.r.n.o! Não era isto que você queria tanto perguntar?

Não, ia perguntar se você tinha cem reais para me emprestar... 

É isto aí!

segunda-feira, 19 de maio de 2014

O ex-amor de Carminha

Andava pela calçada, cabisbaixo. Em frente ao ponto de ônibus a viu sentada logo atrás do motorista, na linha 262-1. Olharam-se, a surpresa foi mútua. Procurou por ela nos últimos dias, mas sempre um evento intercedia e desencontravam. Enquanto refazia do susto, o coletivo partiu. 

Saiu em desabalada carreira, acenando para que fosse visto pelo retrovisor e o motorista parasse. Apesar de todo o seu esforço, o quarteirão demasiadamente extenso e o tráfego urbano intenso, coibiram sua intenção. 

Lembrou que a linha fazia uma volta pela Travessa do Raul e entrava na Avenida das Flores. Atravessou a rua sem olhar para os lados, cego que estava, tropeçou em um cachorro, e na queda levou consigo uma idosa gorda e bochechuda que o segurava pela guia.

Levantou sem tempo para esperar ou dar uma explicação, com fortes dores no ombro esquerdo. Desceu a Ladeira da Frida, e embalado pela gravidade, acelerou o passo, e aumentou a velocidade o suficiente para tropeçar numa caixa de engraxate, espalhando o engraxate, o cliente e tudo que pode voar.

Com as mãos esfoladas, sujo e dolorido, continuou a corrida, atingindo a Avenida das Flores, mas com os imprevistos, perdeu o tempo do ônibus, que já passara do ponto e seguira rumo à Praça da Matriz, mas ainda teve tempo de perceber que ela o vira.

Optou por correr pela rua, rente aos carros estacionados e não viu quando a porta de passageiro de um SUV abriu. O choque foi inevitável. Com o impulso da corrida e o peso aumentado pelo deslocamento, a porta acolchoada abriu no limite e voltou pela compressão da mola. Bateu de costas sobre um ciclista apavorado, e voltou ao desesperado intento.

Chegou ao ponto junto com o ônibus. Subiu alucinado e enquanto procurava o dinheiro da passagem, Carminha saia pela porta dos fundos. Voltou à calçada com uma agilidade felina. Quase voou ao seu encontro, e com a mão direita segurou fortemente no seu braço esquerdo. 

- Mas o que é isto Armandinho? Bebeu? Está surtado? Olhe para você, todo sujo, rasgado e sangrando.

- Carminha, preciso te falar uma coisa...

- Então me solta e fala.

- Eu sei que você está me traindo com o Carlão, do seu escritório.

- Como você pode dizer uma coisa destas, Armandinho?

- Tem evidências visíveis, e tem mais uma coisa.

- O que mais você vai usar para me ofender?

- Você está grávida.

- Ficou maluco? E de onde você tirou isto?

- De mim. Eu troquei as suas pílulas.

- Você é louco?

- Sim.

- E por que não me disse isto antes?

- Porque eu queria vingar do Carlão e terminar com você e não sabia como...

- Armandinho, o Carlão é gay.

- Gay? Como assim gay? Então você e ele, quer dizer, então, o Carlão, você, quer dizer, então, puta que pariu, estou fodido.

É isto aí! 
      

domingo, 18 de maio de 2014

No Divã da Pitangueira - A transferência


Olha, estou com tanta vergonha, não sei como falar sobre isto. É tão... tão... constrangedor. Puxa vida, não sei mesmo como explicar esta coisa em mim.

- Se não está sentindo bem em falar sobre isto hoje, podemos voltar ao tema pendente da fase da adolescência quando...

Sim, entendo, mas preciso falar sobre isto. Está me sufocando.

- Então fale, sentirá melhor assim.

Eu não sei explicar. Há um calor infernal que queima dentro de mim, parece que estou endemoniada, sei lá, possuída por uma entidade espiritual das trevas... (lágrimas contidas) 

- Estou ouvindo.

Olha, não pense mal de mim. Não sou assim, quer dizer, não sei por que isto acontece comigo, mas sempre que penso em determinada pessoa, meu corpo arde em sensações indescritíveis... (leve sorriso malicioso).

- Não penso mal de você, acredite. Fale mais sobre isto.

Obrigada pela confiança. Você me deixa mais a vontade... sempre. Mas ocorre que não consigo explicar tudo. Há uma espécie de ritual em meu corpo. Sinto tremores, arrepios e quando isto ocorre tenho a sensação de volovelismo e depois necessito deitar, sabe. Mas não necessariamente deitar. O desejo real é postar-me de barriga para baixo e efetuar movimentos circulares de braços e pernas para os lados.

- Entendo. Você tem a sensação de planar e cair suavemente em direção à água e então começa a querer nadar em "crawl"

Nossa, você entendeu tudo. É isto mesmo. E depois vem o desejo de deitar de costas sobre o piso.

- Sério?

Sim, tenho um forte desejo de relaxar, e deito de costas até que a tensão passe.

- E que mais?

É como um sofrimento que não encontro palavras.

- Continue...

(choro) Talvez (soluços) um pouco de calor me alivie... por que sofro assim?

- Calor? Como assim? Não havia falado sobre isto.

Calor humano (lágrimas), que aqueça minha alma...

- E com que frequência você vivencia estas sensações?

- Permanentemente. Por exemplo, neste momento desejo suas mãos massageando a minha pele, tocando meu corpo. Com certeza me dariam muito alívio...

- (silêncio)

- Sim, me perdoa, mas sinto necessidade de que alguém forte me estreite em seus braços e me dê o alívio de que necessito...

- (silêncio)

E você é o único homem que pode me aliviar esta angústia.

- Vamos trabalhar melhor isto. O fato é que, na verdade, você está vivendo um sentimento transitório que faz parte de seu processo de cura.

E agora, assim, nua no divã, você percebe em mim uma ameaça à sua integridade física, moral e ética?

- Por favor, entenda, o que está ocorrendo é que há um bloqueio em sua memória, e você não recorda coisa alguma do que seu subconsciente escondeu e reprimiu, mas expressa-o pela atuação, ou seja, reproduz aquela situação não como uma lembrança, mas como uma ação repetitiva e inconsciente. 

Você não me acha gostosa? Nem bonita?

- (gaguejando e suando) Olha, você está promovendo transferências, com reduções das reações e fantasias que, durante o avanço da análise, despertaram e tornaram-se conscientes, mas com a característica de substituir alguém por mim. Isto passa, acredite. Você está a um passo da cura.

E agora, em pé atrás da sua poltrona, nua, passando a língua no seu pescoço? E agora sentada nua no seu colo, posso ficar assim?

- (desesperado) Dizendo de outra maneira, toda uma série de experiências psíquicas prévias é revivida, não como algo do passado, mas como um vínculo atual com a pessoa do analista. Algumas são simples reimpressões, reedições inalteradas. Outras se fazem com mais arte e passam por uma moderação do seu conteúdo, uma sublimação.

Assim, mordendo sua orelha, eu te digo, em sussurrante e ardente desejo - não quero ser mais psicanalisada, nem curada, nem tratada, quero ser amada...

-  (tremendo e babando) Por outro lado, o motor da análise é o afeto. Pode haver uma situação artificial em que o amor pode ser vivido de modo a levar o paciente à autonomia, e não à dependência ou submissão. Freud já alertava que os pacientes se curam por amor ao analista. 

Meu Deus do céu, isto quer dizer...

- Sim, é possível que nem tudo comece ou termine em Édipo

Não fala mais nada, cala a boca e me beija!

É isto aí!

sábado, 17 de maio de 2014

No Divã da Pitangueira - A silente.



Era final da tarde de uma sexta-feira. Estava sozinho na clínica, preparando-me para romper a barreira do sábado, desejando estar na melhor companhia feminina, desde que fosse bonita e inteligente, a melhor companhia musical e etílica, quando adentra à sala uma mulher voluptuosa, cabelos negros, expressivos olhos azuis e sorriso com boca de luar, como nos ensinou Drummond (aqui).

Calça jeans, camisa de algodão com rendas, um suéter com casaco sobretudo que combinava com o sapato, meias coloridas, brincos grandes em aro, joias combinando com o brinco, uma charmosa boina e um batom discreto.

Foi tudo o que observei durante quarenta e cinco minutos, cujo silêncio foi tenso. Olhava-a, buscava uma resposta, media seu corpo, admirava sua beleza, expressões e o perfume que exalava.

Ao término, levantei e caminhei para a porta. Ela calmamente retirou da bolsa os duzentos reais do pagamento da sessão e colocou por sobre a mesa. Na semana seguinte e nas oito outras repetiu a cena. 

Fui em busca de uma orientação com meu analista supervisor, mestre no Colégio de Formação de Analistas da Pitangueira. Recebeu-me com a frieza de sempre, a indiferença dos doutos. Falei sobre a moça, seu silêncio, a forma como isto estava me destruindo, irritando, promovendo a ira ainda disfarçável. 

No decorrer dos eternos quinze minutos das suas sessões, ao custo de seiscentos reais por visita, acendeu um Cohiba Robusto, coçou o queixo, olhou-me no vazio e pronunciou - Olha rapaz, o silêncio é o real do discurso e anuncia o discurso do inconsciente. Saia do lugar comum e recupere a percepção do todo. 

Deixei o dinheiro por sobre uma enorme bancada lateral, onde estavam muitos pagamentos de outros muitos clientes, alguns em embrulho de presente, outros em papel higiênico limpo, outros dentro de embalagens de absorvente, outros em embalagens de preservativos, outros em sacos de vômito de vôo, outros em lenços descartáveis, muitas moedas, notas rasgadas, dinheiro com bilhetes grampeados, etc.  Saí pior do que entrei. O que não estava vendo?

Por onde começar? Ela ficava praticamente imóvel, sem muita expressão facial ou gestos manuais. Não tinha movimento involuntário das pernas, nem mexia no cabelo..., espera, tem alguma coisa aí. Vou buscar nas anotações o que não vi:

1ª semana - Silêncio total. Vestia calça jeans, camisa de algodão com rendas, um suéter com casaco sobretudo que combinava com o sapato, meias coloridas, brincos grandes em aro, joias combinando com o brinco, uma charmosa boina e um batom discreto.

2ª semana - Silêncio total. Vestia calça jeans, camisa de algodão com rendas, um suéter com casaco sobretudo que combinava com o sapato, meias coloridas, brincos grandes em aro, joias combinando com o brinco e um batom discreto.

3ª semana - Silêncio total. Vestia calça jeans, camisa de algodão com rendas, um suéter com casaco sobretudo que combinava com o sapato, meias coloridas, brincos grandes em aro e um batom discreto.

4ª semana - Silêncio total. Vestia calça jeans, camisa de algodão com rendas, um suéter com casaco sobretudo que combinava com o sapato, brincos grandes em aro e um batom discreto.
5ª semana - Silêncio total. Vestia calça jeans, camisa de algodão com rendas, um casaco sobretudo que combinava com o sapato, brincos grandes em aro e um batom discreto.

6ª semana - Silêncio total. Vestia calça jeans, camisa de algodão com rendas, um casaco sobretudo que combinava com o sapato, brincos pequenos em aro e um batom discreto.

7ª semana -  Silêncio total. Vestia calça jeans, camisa de algodão com rendas, um casaco sobretudo que combinava com o sapato e um batom discreto.

8ª semana - Silêncio total. Vestia calça jeans, camisa de algodão com rendas, um casaco sobretudo, sandália e um batom vermelho.

9ª semana - Silêncio total. Vestia calça jeans, um casaco sobretudo, sandália e um batom carmim.

10ª semana - Silêncio total. Vestia bermuda desfiada jeans, casaco sobretudo, sandália e um batom magenta.

Naquela sexta-feira a recebi com um largo sorriso. Sentou-se trajando um sobretudo. Pedi para tirá-lo. Por debaixo um corpete branco de renda e meias brancas com cinta-liga...

A partir daquele dia nunca mais as sexta-feiras foram as mesmas.

E ela, decididamente falou: - Até que enfim!

É isto aí!

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Um roteiro básico sobre dramalhões latinos

Alto lá - Este texto não é meu 

Copiei e colei

Autora: Profª Marta Siqueira de Godoi Sampaio












Numa barulhenta esquina da Cidade do México, dois velhos
amigos se esbarram e surpresa, Carmen Mercedes quase a gritar, pergunta,
ansiosa:







- Rodolfo Ramon, como vai? E a sua virtuosa mãe? Recuperando
daquele mal que a deixou acamada?




Carmen Mercedes aproxima-se mais abraçando fortemente o
amigo.







Rodolfo Ramon retribui o abraço e afasta-se e, lentamente,
olhando Carmen Mercedes nos olhos, e, apertando as mãos, responde:







- Não queira saber, Carmen Mercedes! Antônia Madalena, minha
amada mãe, passa os dias entrevada no leito de morte a gemer dia e noite, noite
e dia!







Carmen Mercedes, pesarosa, coloca as mãos sobre as mãos e
depois no rosto de Rodolfo Ramon e tenta confortar o amigo:




- Oh, meu Deus! Quanto sofrimento para um ser humano tão
cheio de predicativos!







Rodolfo Ramon quase a soluçar:




- Pois, sim estimada amiga! Meus dias de tormenta são
intermináveis! Finjo viver para não machucar ainda mais a minha sofrida mãe! No
íntimo estou morto!







E os dois se abraçam e choram em ombro amigo.







- Oh,
Rodolfo Ramon!







- Oh,
Carmen Mercedes!







Gentilmente, ele tira um alvo lenço do bolso do paletó de
risca de giz e seca as caudalosas lágrimas de Carmen Mercedes enegrecidas de
rímel. E ela retribuindo a gentileza, ajeita com pontiagudas unhas rubras uma
fina mecha de cabelos que teimou em sair do topete negro esculpido em gel de
Rodolfo Ramon. Se abraçam novamente e depois se separam sem mais se olharem nos
olhos. Assim, cada um vai carregando nos ombros fatigados, pelas ruas
mexicanas, os flagelos da vida.