sexta-feira, 25 de julho de 2014

Samba Quadrado-Milton Carlos

Samba Quadrado (Milton Carlos/Isolda)


Fonte da imagem: Arquivo Musical (youtube)
Fonte do Texto: Milton Carlos - Wikipédia
Fonte da Letra da Música: Letras mus
Fonte do Vídeo Youtube: darney1971

Milton Taciano Fantucci Filho (São Paulo, 13 de novembro de 1954 — Jundiaí, 21 de outubro de 1976), conhecido artisticamente por Milton Carlos, foi um cantor e compositor brasileiro.[1]

Carreira
Lançou seu primeiro LP em 1970, tendo como principais faixas "Desta vez te perdi", "Tudo parou", "Eu vou caminhar" e "Um presente para ela", compostas por ele e sua irmã, Isolda Bourdot (falecida em 2018), que também foi sua principal parceira musical.

Em 1973, gravou "Samba Quadrado" (seu principal sucesso), "Contrassenso" (com Martinha), "Você precisa saber das coisas", "Memórias do Café Nice" (Artúlio Reis e Monalisa) e "Amigos, Amigos", que foi sua primeira composição gravada por Roberto Carlos. Dois anos depois, um terceiro álbum homônimo foi lançado e, em 1976, Roberto Carlos gravou "Pelo avesso" e "Um jeito estúpido de te amar" (também de autoria de Milton Carlos e Isolda). O quarto disco do cantor, gravado em 1977, foi também seu último na carreira, com destaque para "Enredo", "Ana Cláudia", "Maria de tal" e "Saudade do Bexiga".

Morte
Em 21 de outubro de 1976, morreu tragicamente, em decorrência de um acidente fatal de carro junto com sua noiva Mariney Lima. Tinha apenas 22 anos incompletos. Na época de sua morte, Milton Carlos fazia sucesso com uma regravação de "Dorinha meu amor" (Freitinhas).

Seu corpo foi sepultado no Cemitério da Quarta Parada, em São Paulo.


Samba Quadrado
Milton Carlos/Isolda
Fonte: Letras musica

Eu fiz um samba quadrado pra você sentir
Que quanto maior a distância
Maior é o fim

Eu fiz da rua escura
Pedaço de lua 
pra te iluminar

Eu fiz de versos mais rimas
Palavras e cismas
Pra te chatear

Eu fiz um samba quadrado pra você voltar
Eu fiz da viola a desculpa
Pra me consolar

Eu fiz do ontem o hoje
E do hoje o amanhã
Pra te ver aqui

Mas é bem melhor
Para o mundo eu chorar
Pra você eu mentir

Lourinha, gotinha d'água
Lourinha da minha mágoa

Milton Carlos samba quadrado
Fonte Youtube: darney1971



quinta-feira, 24 de julho de 2014

Uma crônica de Rubem Braga




Retrato de um artista -  Homenagem à Rubem Braga
por Weberson Santiago


As boas coisas da vida - Rubem Braga





Uma revista mais ou menos frívola pediu a várias pessoas
para dizer as “dez coisas que fazem a vida valer a pena”. Sem pensar demasiado,
fez esta pequena lista:





- Esbarrar às vezes com certas comidas da infância, por
exemplo: aipim cozido, ainda quente, com melado de cana que vem numa garrafa
cuja rolha é um sabugo de milho. O sabugo dará um certo gosto ao melado? Dá:
gosto de infância, de tarde na fazenda.





- Tomar um banho excelente num bom hotel, vestir uma roupa
confortável e sair pela primeira vez pelas ruas de uma cidade estranha, achando
que ali vão acontecer coisas surpreendentes e lindas. E acontecerem.





- Quando você vai andando por um lugar e há um bate-bola,
sentir que a bola vem para o seu lado e, de repente, dar um chute perfeito – e
ser aplaudido pelos servente de pedreiro.





- Ler pela primeira vez um poema realmente bom. Ou um pedaço
de prosa, daqueles que dão inveja na gente e vontade de reler.





- Aquele momento em que você sente que de um velho amor
ficou uma grande amizade – ou que uma grande amizade está virando, de repente,
amor.





- Sentir que você deixou de gostar de uma mulher que,
afinal, para você, era apenas aflição de espírito e frustração da carne – a
mulher que não te deu e não te dá, essa amaldiçoada.





- Viajar, partir…





- Voltar.





- Quando se vive na Europa, voltar para Paris, quando se
vive no Brasil, voltar para o Rio





- Pensar que, por pior que estejam as coisas, há sempre uma
solução, a morte – o assim chamado descanso eterno.







Autor: Rubem Braga

Uma crônica de Rubem Braga

Retrato de um artista -  Homenagem à Rubem Braga
por Weberson Santiago
As boas coisas da vida - Rubem Braga

Uma revista mais ou menos frívola pediu a várias pessoas para dizer as “dez coisas que fazem a vida valer a pena”. Sem pensar demasiado, fez esta pequena lista:

- Esbarrar às vezes com certas comidas da infância, por exemplo: aipim cozido, ainda quente, com melado de cana que vem numa garrafa cuja rolha é um sabugo de milho. O sabugo dará um certo gosto ao melado? Dá: gosto de infância, de tarde na fazenda.

- Tomar um banho excelente num bom hotel, vestir uma roupa confortável e sair pela primeira vez pelas ruas de uma cidade estranha, achando que ali vão acontecer coisas surpreendentes e lindas. E acontecerem.

- Quando você vai andando por um lugar e há um bate-bola, sentir que a bola vem para o seu lado e, de repente, dar um chute perfeito – e ser aplaudido pelos servente de pedreiro.

- Ler pela primeira vez um poema realmente bom. Ou um pedaço de prosa, daqueles que dão inveja na gente e vontade de reler.

- Aquele momento em que você sente que de um velho amor ficou uma grande amizade – ou que uma grande amizade está virando, de repente, amor.

- Sentir que você deixou de gostar de uma mulher que, afinal, para você, era apenas aflição de espírito e frustração da carne – a mulher que não te deu e não te dá, essa amaldiçoada.

- Viajar, partir…

- Voltar.

- Quando se vive na Europa, voltar para Paris, quando se vive no Brasil, voltar para o Rio

- Pensar que, por pior que estejam as coisas, há sempre uma solução, a morte – o assim chamado descanso eterno.


Autor: Rubem Braga

terça-feira, 22 de julho de 2014

Wisława Szymborska

Wisława Szymborska

As Três Palavras Mais Estranhas
Quando eu pronuncio a palavra Futuro
a primeira sílaba já pertence ao passado.
Quando eu pronuncio a palavra Silêncio,
Eu o destruo.
Quando eu pronuncio a palavra Nada,
Eu faço algo que nenhum não-ser pode reter.


Maria Wisława Anna Szymborska  [vʲiswava ʂɨmbɔrska] (2 de Julho 1923-1 fevereiro de 2012) foi uma poetisa polonesa , ensaísta , tradutora e Nobel da Literatura. Nascida em Prowent, que desde então se tornou parte de Kórnik , mais tarde residiu em Cracóvia até o final de sua vida. Na Polônia, os livros de Szymborska alcançaram vendas que rivalizam com autores de prosa proeminentes, embora ela tenha dito certa vez em um poema, "Some Like Poetry" ("Niektórzy lubią poezję"), que não mais do que duas em mil pessoas teriam cuidado com a arte. 

Szymborska foi agraciada com o Prêmio Nobel de Literatura de 1996 "pela poesia que, com precisão irônica, permite que o contexto histórico e biológico venha à luz em fragmentos da realidade humana" e se tornou mais conhecida internacionalmente como resultado disso. Seu trabalho foi traduzido para o inglês e muitos idiomas europeus , assim como para o árabe , hebraico , japonês , persa e chinês .

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Odete, a aeromoça top model de Brasília

Meu fantástico Nokia analógico trepidou em catarse alucinante às quatro e quinze da manhã desta segunda-feira. Do outro lado, a sussurrante, sensual, erótica e deliciosamente apetitosa voz de Odete, a aeromoça Top Model de Brasília. Conta a lenda, que mais que aeromoça, a turbinada aeroviária dos ares adorava um manche de brigadeiro, desde os tempos da Pan-Air, mas isto fica para outro dia.

- Olá querido, o céu não está para amadores...
- Nossa, Odete, sua voz levita minha imaginação...
- Bobinho, ouça e depois a gente vê o seu brevê, ok? 
- Sim, claro, querida, manda ver.

Bem, segundo Odete, ao fazer um voo solo aspirante em um oficial do ar, que ficou com a cabeça nas nuvens, em êxtase comentou-lhe que ouviu de Maria do Rosário, uma disputada secretária executiva de aquartelamento, que soube através de Geraldinho, um estafeta amigo, que escutou no salão da Lourdinha, amante de Carlinhos, um reformado major de grandes serviços prestados, que o ar não está com céu de brigadeiro.

Segundo o babado aéreo, aviões malaios vêem e vão ao som de Ravel, em continuo crescente, enquanto aeropistas por entre as intrigantes paisagens do cerrado mineiro fazem saltar os olhos e voar desculpas para justificar o injustificável, pois para tudo tem jeito, menos para o óbvio, disse a moça.

Uau, Odete, quer dizer então que os voos malaios continuarão em crescente e devastadora subida de tom, mas o voador do Leblon vai fazer um decrescente rasante sujeito a chuvas e trovoadas? 

Querido, não disse nada, não sei de nada, e se disser que disse, desminto. Mas aproveitando esta relação, vem prá cá, para comissariar a bordo desta turbinada que é sua.

Caramba... puxa vida... olha... nossa... espera... alô... alô... droga, perdi o vôo.

É isto aí!

  

domingo, 20 de julho de 2014

Não sei de nada...



Eu queria dizer que te amo, sem ser vulgar, sei lá, algo diferente.



Apenas diga.



Mas não dá, não sinto sua necessidade de saber disto.



Como pode saber se não disser?



Já lhe dei tudo, já fizemos muito e não sei ainda. São seus olhos...



Meus olhos? 



Sim, eles não brilham. Não há luz em seu olhar. A iluminação dos amantes, entende?



Em qual galáxia você mora? Como quer brilho nos meus olhos com a crise mundial que está aí. Sabia que o Planeta Terra está atravessando um momento crítico?



Eu te amo, e só quero saber disto.



Você sabia que um avião comercial foi abatido por um míssil na Ucrânia?



Eu te amo, olha para mim.



E em Israel, viu a chacina de civis palestinos?



Eu te amo, olha.



Está a par das graves denúncias compartilhadas contra certo candidato?



Eu te amo...



Leu sobre as manipulações das pesquisas para favorecer interesses ocultos?



Eu te amo, para com isto...



Sabia que São Paulo, a maior cidade do país, está ficando sem água?



Eu te amo até o fim do mundo...



Leu que o Dunga foi convidado a assumir a seleção?



Ah, não! Aí não, aí vou chamar os blackblocs, o escambau, o Dunga não... o Dunga não...



É isto aí!

Não sei de nada...

Eu queria dizer que te amo, sem ser vulgar, sei lá, algo diferente.

Apenas diga.

Mas não dá, não sinto sua necessidade de saber disto.

Como pode saber se não disser?

Já lhe dei tudo, já fizemos muito e não sei ainda. São seus olhos...

Meus olhos? 

Sim, eles não brilham. Não há luz em seu olhar. A iluminação dos amantes, entende?

Em qual galáxia você mora? Como quer brilho nos meus olhos com a crise mundial que está aí. Sabia que o Planeta Terra está atravessando um momento crítico?

Eu te amo, e só quero saber disto.

Você sabia que um avião comercial foi abatido por um míssil na Ucrânia?

Eu te amo, olha para mim.

E em Israel, viu a chacina de civis palestinos?

Eu te amo, olha.

Está a par das graves denúncias compartilhadas contra certo candidato?

Eu te amo...

Leu sobre as manipulações das pesquisas para favorecer interesses ocultos?

Eu te amo, para com isto...

Sabia que São Paulo, a maior cidade do país, está ficando sem água?

Eu te amo até o fim do mundo...

Leu que o Dunga foi convidado a assumir a seleção?

Ah, não! Aí não, aí vou chamar os blackblocs, o escambau, o Dunga não... o Dunga não...

É isto aí!

Rubem Alves

Esta crônica é de Rubem Alves - Atemporal, como ele. Tocante, imortal. Li que quer suas cinzas lançadas ao pê do Ipê que plantou, ouvindo declamação de poemas selecionados de Cecília Meirelles e Drummond.

Para emocionar a gente:

"Eu havia colocado no toca-discos aquele disco com poemas de Vinícius e do Drumond, disco antigo, long-play, o perigo são os riscos que fazem a agulha saltar, felizmente até ali tudo tinha estado liso e bonito, sem pulos e sem chiados, o próprio Vinícius, na sua voz rouca de uísque e fumo, havia recitado os sonetos da separação, da despedida, do amor total, dos olhos da amada.

Chegara finalmente o último poema, meu favorito, "o haver" - o Vinícius percebia que a noite estava chegando, tratava então de fazer um balanço de tudo o que se fez e disso, o que foi que sobrou? Por isso as estrofes começam todas com uma mesma palavra, "resta..." - foi isso que sobrou. Resta essa capacidade de ternura, essa intimidade perfeita com o silêncio...

Resta essa vontade de chorar diante da beleza, essa cólera cega em face da injustiça e do mal entendido...Resta essa faculdade incoercível de sonhar e essa pequenina luz indecifrável a que às vezes os poetas tomam por esperança...

Começava naquele momento a última quadra, e de tantas vezes lê-la e outras tantas ouvi-la, eu já sabia de cor as suas palavras, e as ia repetindo dentro de mim, antecipando a última, que seria o fim, sabendo que tudo o que é belo precisa terminar.

O pôr-do-sol é belo porque as suas cores são efêmeras, em poucos minutos não mais existirão. A sonata é bela porque sua vida é curta, não dura mais que vinte minutos. Se a sonata fosse uma música sem fim é certo que o seu lugar seria entre os instrumentos de tortura do diabo, no inferno. Até o beijo... Que amante suportaria um beijo que não terminasse nunca?

O poema também tinha de morrer para que fosse perfeito, para que fosse belo e para que eu tivesse saudades dele, depois do seu fim. Tudo o que fica perfeito pede para morrer. Depois da morte do poema viria o silêncio, o vazio. Nasceria então outra coisa no seu lugar: a saudade. A saudade só floresce na ausência.

É na saudade que nascem os deuses - eles existem para que o amado que se perdeu possa retornar - que a vida seja como o disco, que pode ser tocado quantas vezes se desejar. Os deuses - nenhum amor tenho por eles, em si mesmos. Eu os amo só por isso, pelo seu poder de trazer de volta para que o abraço se repita. Divinos não são os deuses. Divino é o reencontro.

A voz de Vinícius já anunciava o fim. Ele passou a falar mais baixo. Resta esse diálogo cotidiano com a morte, esse fascínio pelo momento a vir, quando, emocionada, ela virá me abrir a porta como uma velha amante...

E eu, na minha cabeça, automaticamente me adiantei, recitando em silêncio o último verso: ".. Sem saber que é a minha mais nova namorada."

Foi então que, no último momento, o imprevisto aconteceu: a agulha pulou para trás, talvez tenha achado o poema tão bonito que se recusava a ser uma cúmplice do seu fim, não aceitava a sua morte, e ali ficou a voz morta do Vinícius repetindo palavras sem sentido: "sem saber que é a minha mais nova"..."sem saber que é a minha mais nova"... "sem saber que é a minha mais nova..."

Levantei-me do meu lugar, fui até ao toca-discos, e consumei o assassinato: empurrei suavemente o braço com o meu dedo, e ajudei a beleza a morrer, ajudei-a a ficar perfeita. Ela me agradeceu, disse o que precisava dizer, sem saber que é a minha mais nova namorada... Depois disso foi o silêncio.

Fiquei pensando se aquilo não era uma parábola para a vida, a vida como uma obra de arte, sonata, poema,coreográfico. Já no primeiro momento quando compositor, ou o poeta ou o dançarino preparam a sua obra, o último momento já está em gestação. É bem possível que o último verso do poema tenha sido o primeiro a ser escrito por Vinícius. A vida é tecida como as teias de aranha: começam sempre do fim. Quando a vida começa do fim ela é sempre bela por ser colorida com as cores do crepúsculo.

Não, eu não acredito que a vida biológica deva ser preservada a qualquer preço. "para todas as coisas há o momento certo. Existe o tempo de nascer e o tempo de morrer" (eclesiastes 3, 1s).

A vida não é uma coisa biológica. A vida é uma entidade estética. Morta a possibilidade de sentir alegria diante do belo, morreu também a vida, tal como Deus no-la deu - ainda que a parafernália dos médicos continue a emitir seus bips e a produzir ziguezagues no vídeo. A vida é como aquela peça. É preciso terminar. A morte é o último acorde que diz: está completo. Tudo o que se completa deseja morrer".

Roda Viva - Chico Buarque

Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu
A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega o destino pra lá

Roda mundo, roda-gigante
Rodamoinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração

A gente vai contra a corrente
Até não poder resistir
Na volta do barco é que sente
O quanto deixou de cumprir
Faz tempo que a gente cultiva
A mais linda roseira que há
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega a roseira pra lá

Roda mundo, roda-gigante
Rodamoinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração

A roda da saia, a mulata
Não quer mais rodar, não senhor
Não posso fazer serenata
A roda de samba acabou
A gente toma a iniciativa
Viola na rua, a cantar
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega a viola pra lá

Roda mundo, roda-gigante
Rodamoinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração

O samba, a viola, a roseira
Um dia a fogueira queimou
Foi tudo ilusão passageira
Que a brisa primeira levou

No peito a saudade cativa
Faz força pro tempo parar
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega a saudade pra lá

Roda mundo, roda-gigante
Rodamoinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração

Roda mundo, roda-gigante
Rodamoinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração

Roda mundo, roda-gigante
Rodamoinho, roda pião
O tempo rodou num instante

Nas voltas do meu coração

Roda Viva - Chico Buarque

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Discurso de Marco Antonio em frente ao corpo de César


"O mal que os homens fazem sobrevive depois deles. O bem é quase sempre enterrado com seus ossos."  (Marco Antonio, "Julius Caesar" de Shakespeare)


Este discurso é uma das mais belas peças oratórias fúnebres. É talvez o momento mais emocionante da tragédia Julius Ceasar de Shakespeare, e um dos mais exigentes testes de eloquência para as legiões de intérpretes de Marco Antônio ao longo da história. (Gilberto Cruvinel)

"Amigos, romanos, compatriotas ouçam-me. Eu vim para enterrar César e não para exaltá-lo. O mal que os homens fazem sobrevive depois deles, o bem é quase sempre enterrado com seus ossos. Assim seja com César.

O nobre Brutus lhes disse que César era ambicioso. Se isso é verdade, foi uma falta grave e gravemente César respondeu por ela. Com a permissão de Brutus e dos demais, porque Brutus é um homem honrado, assim eles todos, todos homens honrados, venho eu aqui falar nos funerais de César. Ele era meu amigo, leal e justo comigo. Mas Brutus disse que era ambicioso. E Brutus é um homem honrado.

Ele trouxe muitos prisioneiros para Roma cujos resgates encheram os cofres públicos. Era nisto que César parecia ambicioso? Quando os pobres choravam, César chorava. A ambição devia ser de uma substância mais dura. Mas Brutus disse que era ambicioso. E Brutus é um homem honrado.

Todos vocês viram que nas Lupercais, três vezes eu lhe ofereci a coroa real e três vezes ele recusou? Era isto era ambição? Mas Brutus disse que ele era ambicioso e sem dúvida alguma Brutus é um homem honrado.

Eu falo não para desaprovar o que Brutus falou. Mas estou aqui para falar o que sei. Todos vocês o adoravam e não sem motivo. Que motivo os impede então de chorar por ele agora?”

Nota de rodapé - Para entender o discurso:

Fonte: GGN
Autor : Gilberto Cruvinel

O discurso foi pronunciado por Marco Antônio, nas escadarias do Senado Romano, em frente ao corpo de Cezar, assassinado a facadas pela conspiração de Brutus e Cassius

Para se entender o lance político do discurso é preciso explicar um pouco o contexto em que foi feito. O assassinato de César havia sido bem aceito pela população, já que a explicação dada por seus autores foi a de que César estava prestes a dar um golpe e se auto-nomear Rei, o que em Roma era absolutamente inaceitável.

Júlio César foi traído por Brutus e Cassius

Marco Antônio era muito próximo de César, correu o risco de morrer junto com ele, e, para evitar que reagisse ao ataque, foi distraído por um dos senadores da conspirata para uma conversa fora do local do crime.

Consumado o assassinato de César, Marco Antônio, procurado pelos conspiradores, acertou com eles que falaria no Senado em prol da pacificação dos ânimos. Preservou assim a sua prerrogativa de fazer o discurso fúnebre de César.

Neste discurso, frente a uma massa de cidadãos que até há pouco apoiavam e admiravam a César, mas que agora o condenavam, Marco Antônio começa dando razão aos conspiradores, para ganhar tempo e ser ouvido pela massa.

Seguindo uma estrutura em que: na primeira frase condena Cezar, reitera que Brutus é um homem honrado, para na próxima frase dizer "mas...", e dar um exemplo real da grandeza, bondade, lealdade e do amor que Cezar tinha pelo povo de Roma, pouco a pouco Marco Antônio consegue mudar o estado de espírito da massa voltando-a contra os assassinos de Cezar.

O orador, com invulgar habilidade, inicia submetendo-se ao sentimento dominante (anti-César), mas encontra uma forma sutil de dialéticamente afirmar ao mesmo tempo a crítica e a observação positiva. Como esta última é mais poderosa que a primeira, aos poucos vai recuperando a imagem positiva de César, relembrando suas boas ações, seu patriotismo, suas virtudes, de forma a deixar para o povo a conclusão da enormidade do crime praticado não mais contra César, mas sim contra Roma e o povo romano.

O César odiado volta a ser o César amado, e ressurge para a vida política com os que lhe permaneceram fiéis, e no ódio aos seus inimigos. É tentador lembrar a dramática mudança da reação popular à morte de Getúlio, depois dos discursos de políticos como Tancredo e Brizola. O Getúlio impopular de um dia atrás, ressurgia para a política nas palavras dos seus representantes, e na emoção popular.

É isto aí!

terça-feira, 15 de julho de 2014

Melhor não saber





Alô? Queria falar com a Dalvinha.





Dalvinha? 





Sim, Dalvinha. Você é o pai dela?





Pai da Dalvinha? Não, deve haver um engano, meu nome é Arnaldo e Dalva é minha esposa.





Esposa? Arnaldo? Olha, desculpa, liguei errado, desculpa, hem!





Não, não, espera. Você ligou para qual número?





Bem, liguei para o que ligo sempre, 39.99.15.80.69





Então! Este é o número daqui de casa. Hoje fiquei com as crianças, por que a Dalva foi ao médico.






Crianças? Vocês têm filhos?





Sim, dois meninos. Olha, será que você poderia encontrar comigo. Pode ficar tranquilo, não tenho armas, não sou violento, pode levar quem você quiser, pode ser até na sua casa.





Humm, não sei. Estranho isto daí, mas aqui em casa não dá, por causa da minha esposa, a Carminha, sabe, ela pode achar isto tudo muito esquisito.





Entendo. Pode ser na Praça de Alimentação do Shopping, seis horas da tarde? Está cheio, muita gente, muitos seguranças, e se desistir, vá embora, pois não precisa se identificar. Tomamos um chopp ou dois e conversamos. Estarei com uma camisa azul claro e paletó azul marinho. Sou alto, tenho um e oitenta e cinco, pouco calvo. Estarei em frente ao Chopp na Brasa, aquele do melhor Chopp da cidade. Te aguardo lá hoje, às 18 horas, ok?





Certo, estarei lá.





No Shopping:





Olá, Arnaldo?!





Olá, sente-se. Moça, dois chopps. Posso saber seu nome?





Armando, mas pode me chamar de Armandinho.





Prefiro Armando. Olha, veja estas fotos e confira se a sua Dalvinha é a minha Dalva.





Sim, é ela mesma.





Diga, Armando - moça, mais dois chopps - como pode uma mulher fria como a Dalva ter um amante?





Fria? Arnaldo, Dalvinha é um vulcão em erupção.





Mas ela é chata, sem conteúdo, sobre o que conversam?





Sem conteúdo? Discutimos de Física Quântica à Deleuze; falamos de política, religião e esportes.





Dalva? - moça, mais dois chopps... Será que ela tem dupla personalidade?





Com certeza não, Arnaldo, ela é uma mulher maravilhosa. Tudo bem que eu não sabia que era casada, com filhos e com um marido tão gente fina.





Sabe, Armandinho - moça, mais dois chopps, meu avô foi corno, meu pai foi corno e eu sempre sonhei em manter a tradição, sabe? Aquilo mexia muito comigo, e como a Dalvinha era uma natureza morta na cama, na sala e na cozinha, eu já tinha até me conformado em não ser corno, entende? Mas aí, você, uma pessoa comum, casado, nem feio nem bonito, vai e realiza este meu desejo com uma perfeição acadêmica. Armandinho, você não sabe como estou feliz. Estou orgulhoso da Dalvinha!





Desde aquele dia, Carminha passou a achar o marido estranho. Armandinho nunca mais procurou por Dalvinha, perdeu o elã, o encanto, a saga da paixão proibida. Ficou arrasado. Começou a ser um marido monogâmico, fiel, mas sem graça, sem sal, meio que esquisito. Passou a ter uma estranha vontade de ser corno...





É isto aí!








Melhor não saber

Alô? Queria falar com a Dalvinha.

Dalvinha? 

Sim, Dalvinha. Você é o pai dela?

Pai da Dalvinha? Não, deve haver um engano, meu nome é Arnaldo e Dalva é minha esposa.

Esposa? Arnaldo? Olha, desculpa, liguei errado, desculpa, hem!

Não, não, espera. Você ligou para qual número?

Bem, liguei para o que ligo sempre, 39.99.15.80.69

Então! Este é o número daqui de casa. Hoje fiquei com as crianças, por que a Dalva foi ao médico.

Crianças? Vocês têm filhos?

Sim, dois meninos. Olha, será que você poderia encontrar comigo. Pode ficar tranquilo, não tenho armas, não sou violento, pode levar quem você quiser, pode ser até na sua casa.

Humm, não sei. Estranho isto daí, mas aqui em casa não dá, por causa da minha esposa, a Carminha, sabe, ela pode achar isto tudo muito esquisito.

Entendo. Pode ser na Praça de Alimentação do Shopping, seis horas da tarde? Está cheio, muita gente, muitos seguranças, e se desistir, vá embora, pois não precisa se identificar. Tomamos um chopp ou dois e conversamos. Estarei com uma camisa azul claro e paletó azul marinho. Sou alto, tenho um e oitenta e cinco, pouco calvo. Estarei em frente ao Chopp na Brasa, aquele do melhor Chopp da cidade. Te aguardo lá hoje, às 18 horas, ok?

Certo, estarei lá.

No Shopping:

Olá, Arnaldo?!

Olá, sente-se. Moça, dois chopps. Posso saber seu nome?

Armando, mas pode me chamar de Armandinho.

Prefiro Armando. Olha, veja estas fotos e confira se a sua Dalvinha é a minha Dalva.

Sim, é ela mesma.

Diga, Armando - moça, mais dois chopps - como pode uma mulher fria como a Dalva ter um amante?

Fria? Arnaldo, Dalvinha é um vulcão em erupção.

Mas ela é chata, sem conteúdo, sobre o que conversam?

Sem conteúdo? Discutimos de Física Quântica à Deleuze; falamos de política, religião e esportes.

Dalva? - moça, mais dois chopps... Será que ela tem dupla personalidade?

Com certeza não, Arnaldo, ela é uma mulher maravilhosa. Tudo bem que eu não sabia que era casada, com filhos e com um marido tão gente fina.

Sabe, Armandinho - moça, mais dois chopps, meu avô foi corno, meu pai foi corno e eu sempre sonhei em manter a tradição, sabe? Aquilo mexia muito comigo, e como a Dalvinha era uma natureza morta na cama, na sala e na cozinha, eu já tinha até me conformado em não ser corno, entende? Mas aí, você, uma pessoa comum, casado, nem feio nem bonito, vai e realiza este meu desejo com uma perfeição acadêmica. Armandinho, você não sabe como estou feliz. Estou orgulhoso da Dalvinha!

Desde aquele dia, Carminha passou a achar o marido estranho. Armandinho nunca mais procurou por Dalvinha, perdeu o elã, o encanto, a saga da paixão proibida. Ficou arrasado. Começou a ser um marido monogâmico, fiel, mas sem graça, sem sal, meio que esquisito. Passou a ter uma estranha vontade de ser corno...

É isto aí!

domingo, 13 de julho de 2014

Causos de Açucena - O velório do Dr. Raul


Conta a lenda que Açucena, o antigo Travessão de Guanhães, era uma grande aldeia dos índios Botocudos, que em 1824, foram supostamente desaparecidos com a instalação de um quartel com 80 praças, construídos por João Maciel da Costa, por ordem de D. Pedro I.

Nascia o arraial com o nome de Travessão, com o principal objetivo de monitorar e fiscalizar o contrabando de pedras preciosas e ouro, que ainda sangravam desde Diamantina, Serro, Conceição e Itabira, saindo pela Estrada da Extração, passando pelo Itambé até Guanhães, onde uma estrada clandestina seguia em sentido ao Jequitinhonha à Belmonte, na Bahia e a outra descia por Açucena até o Rio Doce, descendo para Linhares.

Bem, até o final do século XIX, era o Vigário de Joanésia que celebrava a  missa no povoado, já famoso por ser reduto de marginais foragidos do Serro, Conceição e Itabira, que se dedicavam às atividades agrícolas cultivando o feijão, mandioca e milho. Um dos homens mais ricos dali era um tal de Dr. Raul, cujo título era por causas desconhecidas, mas supostamente era um dos protetores da rota de Linhares.

Mas Dr. Raul morreu subitamente. O velório estava muito entediante. Ele era destas pessoas que passam a vida metodicamente ritmadas com uma rotina de monotonia infinda. Morreu em Braúnas e como devem ser as mortes dos ricos, o translado em caixão de madeira de lei foi feito com um cortejo fúnebre pelos 25 Km de estrada, sob chuva fina, com orações, carpideiras, etc, durante cerca de doze horas de caminhada.

O corpo chegou à pequena Açucena lá pelas cinco horas da tarde. A neblina e a garoa daquele congelante dia prometia uma noite glacial. Aos poucos os familiares e amigos locais foram chegando

O velório foi marcado por discursos longos, prolixos e passionais. Falou o Padre, o delegado, o prefeito, dois vereadores, um suplente de deputado que se apresentou como representante do governador, falou a presidente da Congregação das Irmãs do Sagrado Coração, orou e chorou em discurso confuso o presidente da Conferência dos Vicentinos.

Falaram bêbados, trêbados e comatosos do álcool. As carpideiras foram um capítulo à parte, com duas supostas viúvas do Dr. Raul. Até que amanheceu. Caminharam todos para a Igreja, na Praça Central, para a Missa de Corpo presente. O padre caprichou na homilia e entre cânticos e encomendas, a celebração durou quase três horas.

O cortejo seguiu em silêncio para o cemitério, passando lentamente pelas estreitas ruas, parando em frente a uma ou outra casa, onde rezavam um Salve Rainha, uns cinco Pai Nosso e muitos Glória. Meio dia chegou à cova, morada definitiva. Do pó viestes, ao pó retornarás.

Ao iniciar o sepultamento, uma voz feminina gritou em estridente som agudo: "Para tudo, eu quero vê-lo pela última vez, eu tenho este direito". Todos se voltaram para a mulher, um monumento divino de rara beleza. Sobressaia de todos os demais. Era a amante oficial, residente em Peçanha e tolerada pela sociedade local.

O caixão viera lacrado, em uma época onde vidro era artigo de luxo. O delegado autorizou a abertura, com o coveiro  providenciando um martelo para retirar os pregos. Ao abri-lo, para espanto geral, estava preenchido com o tronco de uma palmeira.

A maioria falou logo em milagre, mas em bocas miúdas conta a lenda que o respeitável doutor Raul fugiu com Izaurinha, uma mulatinha fogosa de dezoito anos, que moveu-lhe mundos, fundos e um sobrado nas Laranjeiras, no Rio de Janeiro, por muitos e longos anos.

É isto aí!

sábado, 12 de julho de 2014

A Cerveja




Alto lá - este texto não é meu.
Confesso que copiei e colei.
Autora: Crissy
Fonte: http://a-minha-voz.blogspot.com.br/


Já era tempo que fosse publicado um estudo sério e que se fossem desmistificando algumas crenças infundadas.

1. A CERVEJA MATA?
Pode. Há uns anos, um rapaz, ao passar pela rua, foi atingido por uma caixa de cerveja que caiu de um caminhão levando-o a morte instantânea. Além disso, casos de enfarte do miocárdio em idosos teriam sido associados a publicidade a cervejas com modelos boazudas.

2. O USO CONTINUADO DO ÁLCOOL PODE LEVAR AO USO DE DROGAS MAIS PESADAS?
Não. O álcool é a mais pesada das drogas: uma garrafa de cerveja pesa cerca de 900 gramas .

3. A CERVEJA CAUSA DEPENDÊNCIA PSICOLÓGICA?
Não. 89,7% dos psicólogos e psicanalistas entrevistados preferem whisky.

4. MULHERES GRÁVIDAS PODEM BEBER SEM RISCO?
Sim. Está provado que nas operações STOP a polícia nunca pede o teste do bafómetro às grávidas. E se elas tiverem que fazer o teste de andar em linha reta, podem sempre atribuir o desequilíbrio ao peso da barriga.

5. A CERVEJA PODE DIMINUIR OS REFLEXOS DOS MOTORISTAS?
Não. Foi feita uma experiência com mais de 500 condutores: foi dada uma caixa de cerveja para cada um beber e, em seguida, foram colocados um por um diante do espelho. Em nenhum dos casos os reflexos foram alterados.

6. A BEBIDA ENVELHECE?
Sim. A bebida envelhece muito depressa. Para se ter uma ideia, se se deixar uma garrafa ou lata de cerveja aberta, ela perderá o seu sabor em aproximadamente quinze minutos.

7. A CERVEJA CONDICIONA NEGATIVAMENTE O RENDIMENTO ESCOLAR?
Não, pelo contrário. Algumas universidades estão a aumentar os lucros com a venda de cerveja nas cantinas e bares.

8. O QUE FAZ COM QUE A BEBIDA CHEGUE AOS ADOLESCENTES?
Inúmeras pesquisas têm vindo a ser feitas por laboratórios de renome e todas indicam, em primeirissimo lugar, o garçom.

9. A CERVEJA ENGORDA?
Não. Você é que engorda.

10. A CERVEJA CAUSA PERDA DE MEMÓRIA?

Que eu me lembre, não.

Julinha e seus sonhos de amor





Seth - Sonhos Metalicos 




Naquela noite, enquanto dormia:



Você fez de novo.



O que eu fiz de novo?



Aquela cara de felicidade enquanto dormia.



Sério? E qual mal há nisto?



Outra. O mal é que você estava com outra.



Mas não controlo meus sonhos.



Porém eu controlo você.



Todavia ninguém é de alguém



Contudo seu desejo não pode ser outro desejo.



Você é louca.



Louca? Sou cuidadosa com o que é meu.



Meus momentos oníricos são meus.



Saiba que o sonho é o espaço para realizar desejos inconscientes
reprimidos.



Eu não sei o que sonhei, e o que sonhei é apenas meu.




Você pode sonhar com o que quiser, mas uma presença feminina em seus sonhos demonstra a você a necessidade de uma mudança de atitude.





Sério? Gostei disto.





Amanhecendo:





Querida, sonhei com você.





Que bom, amor, e como foi?





Era um sonho dentro de um sonho. Você estava no primeiro nível, e passou a analisar meu sonho de segundo nível, aí você sugeriu que eu mudasse minhas atitudes.





Em relação a...





A um adeus meu bem - estou indo, partindo, saindo, fugindo, e muito obrigado pela dica.





Acordando:





Que coisa maluca. Sonhei que o Serginho estava sonhando um sonho dentro de outro sonho e era meu sonho, e ao acordar dentro do sonho ele dizia adeus. Quer saber? Melhor remediar do que esperar. Vou ligar agora para aquele safado.





Alô, Serginho?





Hã? Você quer falar com o Serginho?





Espera, quem é você?





Sou a esposa dele, são cinco e meia da manhã, estamos em casa. E você?





Esposa? Serginho é casado? Meu Deus, quero morrer agora sufocada num travesseiro de pena de ganso.





Calma, eu vou acordá-lo para te atender, e assim resolvemos isto de uma maneira civilizada.





(esperando nervosa)





Olha, não acordei, por que ele está com um estranho semblante de felicidade. Alô...alô...





Eu sabia, ele me ama... ele me ama...





Oito horas da manhã - alarme soa e...



Serginho... acorda... Serginho...



Hã? Hã? O que está havendo Julinha?



Serginho, eu sonhei que você sonhava e revelava seu sonho a uma mulher que no sonho falava que você tem outra mulher.



E daí?



Como assim - e daí? Você estava com aquela estranha face de felicidade antes de te acordar. Você tem outra, Serginho, você é um safado.



Você está louca, Julinha.



Louca? Eu sou é cuidadosa com o que é meu.





É isto aí!








Julinha e seus sonhos de amor

Seth - Sonhos Metalicos 

Naquela noite, enquanto dormia:

Você fez de novo.

O que eu fiz de novo?

Aquela cara de felicidade enquanto dormia.

Sério? E qual mal há nisto?

Outra. O mal é que você estava com outra.

Mas não controlo meus sonhos.

Porém eu controlo você.

Todavia ninguém é de alguém

Contudo seu desejo não pode ser outro desejo.

Você é louca.

Louca? Sou cuidadosa com o que é meu.

Meus momentos oníricos são meus.

Saiba que o sonho é o espaço para realizar desejos inconscientes reprimidos.

Eu não sei o que sonhei, e o que sonhei é apenas meu.

Você pode sonhar com o que quiser, mas uma presença feminina em seus sonhos demonstra a você a necessidade de uma mudança de atitude.

Sério? Gostei disto.

Amanhecendo:

Querida, sonhei com você.

Que bom, amor, e como foi?

Era um sonho dentro de um sonho. Você estava no primeiro nível, e passou a analisar meu sonho de segundo nível, aí você sugeriu que eu mudasse minhas atitudes.

Em relação a...

A um adeus meu bem - estou indo, partindo, saindo, fugindo, e muito obrigado pela dica.

Acordando:

Que coisa maluca. Sonhei que o Serginho estava sonhando um sonho dentro de outro sonho e era meu sonho, e ao acordar dentro do sonho ele dizia adeus. Quer saber? Melhor remediar do que esperar. Vou ligar agora para aquele safado.

Alô, Serginho?

Hã? Você quer falar com o Serginho?

Espera, quem é você?

Sou a esposa dele, são cinco e meia da manhã, estamos em casa. E você?

Esposa? Serginho é casado? Meu Deus, quero morrer agora sufocada num travesseiro de pena de ganso.

Calma, eu vou acordá-lo para te atender, e assim resolvemos isto de uma maneira civilizada.

(esperando nervosa)

Olha, não acordei, por que ele está com um estranho semblante de felicidade. Alô...alô...

Eu sabia, ele me ama... ele me ama...

Oito horas da manhã - alarme soa e...

Serginho... acorda... Serginho...

Hã? Hã? O que está havendo Julinha?

Serginho, eu sonhei que você sonhava e revelava seu sonho a uma mulher que no sonho falava que você tem outra mulher.

E daí?

Como assim - e daí? Você estava com aquela estranha face de felicidade antes de te acordar. Você tem outra, Serginho, você é um safado.

Você está louca, Julinha.

Louca? Eu sou é cuidadosa com o que é meu.


É isto aí!


sexta-feira, 11 de julho de 2014

Carminha e Armandinho - Voo cancelado




Abri os olhos e vi uma mulher lindíssima, com perfume de suave fragrância, sentada ao meu lado, no fim do corredor de um imenso jato, destes trans-oceânicos, com três assentos nas janelas e quatro no meio do corredor.



A aeromoça falava com a voz sussurrante, semelhante à destas locutoras sensuais, com aquela entonação angelical, calmante e elucidativa:





"Sejam bem-vindos a bordo. Observem o número de seu assento no
cartão de embarque. Por medidas de segurança, acomodem as bagagens de mão nos
compartimentos acima de seus assentos e as que não couberem, abaixo da poltrona
a sua frente".







Voltei a atenção à mulher do lado, e meio que embriagado, me achando esquisito, sei lá, questionei onde eu estava e o que fazia ali. Como parei naquele avião? Olhou-me com olhar de ternura, sorriu candidamente e me deu um delicioso beijo na boca.



Enquanto isto a aeromoça prosseguia com sua fala: 





"Informamos que por determinação do Departamento de Aviação
Celestial - DAC é proibida a utilização a bordo de qualquer aparelho eletrônico
emissor de energia eletromagnética, principalmente telefones celulares que
deverão permanecerem desligados".





Fiquei sem fôlego, empurrei delicadamente a mulher, e trêmulo acenei para a aeromoça - Moça, moça... quero falar com alguém que me explique isto... moça, pelo amor de Deus... 




A aeromoça continuou a falar enquanto um anão ia tirando a sua roupa:



"A partir deste momento, está liberado o uso de laptops,
jogos eletrônicos, câmeras de vídeo e outros aparelhos não emissores de energia
eletromagnética. Os telefones celulares deverão permanecer desligados durante
todo o voo. No aparelho de televisão à sua frente passará o filme "Minha vida, meus defeitos, qualidades e virtudes", que explicará a todos, de maneira didática como vieram parar neste voo".






Para tudo, gritei pulando da cadeira. Vocês estão todos loucos. Isto aqui é um hospício. Tenho uma bomba na maleta e eu vou apertar este botão e ela vai explodir se não me explicarem o que se passa.





Gritaria geral, todos em pânico, até que uma voz lá no fundo despertou minha atenção - Armandinho... ôôi Armandinho... para com isto... vem cá pra trás que te explico tudo.





Olhei procurando a dona daquela voz, que trazia lembranças estranhas... cruzei os olhos aos dela. Era Gláucia, meu primeiro, único e verdadeiro amor. Namoramos na faculdade, mas eu pobre, ela muito rica, eu feio, ela linda, fugi do seu corpo mas habitou no meu coração e sequestrou minha alma nestes últimos quarenta anos.





Fui andando lentamente, era ela. Gláucia estava ali!! Meu Deus, estava linda!! Meu coração acelerava, Gláucia... Gláucia... puxa vida, eu velho, acabado, e ela linda, com aquele mesmo sorriso... Gláucia... ao aproximar, deu-me um abraço como nunca fora mais abraçado... Gláucia, eu... (comecei a chorar)... eu... te (chorava sem parar) ... Gláucia ... eu te ... eu te ...





De repente ela deu um passo para trás e começou a socar meu peito violentamente, mais violento ainda, ainda mais forte e eu percebi que ouvia uma outra voz - volta Armandinho, volta... foi quando dei conta que estava dentro de uma ambulância, eu acho, e um homem imenso estava batendo no meu peito. Olhei para o lado e Carminha, aflita, segurava a minha mão.





Fixei-me nela, lágrima rolando, corpo dolorido, sorriu pra mim meio sem querer, olhei mais firme ainda. Agora está tudo bem, disse. Você foi socorrido a tempo.





Que merda, Carminha, tinha que avacalhar com todo este alarde meu voo, logo hoje?





É isto aí!




Carminha e Armandinho - Voo cancelado

Abri os olhos e vi uma mulher lindíssima, com perfume de suave fragrância, sentada ao meu lado, no fim do corredor de um imenso jato, destes trans-oceânicos, com três assentos nas janelas e quatro no meio do corredor.

A aeromoça falava com a voz sussurrante, semelhante à destas locutoras sensuais, com aquela entonação angelical, calmante e elucidativa:

"Sejam bem-vindos a bordo. Observem o número de seu assento no cartão de embarque. Por medidas de segurança, acomodem as bagagens de mão nos compartimentos acima de seus assentos e as que não couberem, abaixo da poltrona a sua frente".

Voltei a atenção à mulher do lado, e meio que embriagado, me achando esquisito, sei lá, questionei onde eu estava e o que fazia ali. Como parei naquele avião? Olhou-me com olhar de ternura, sorriu candidamente e me deu um delicioso beijo na boca.

Enquanto isto a aeromoça prosseguia com sua fala: 

"Informamos que por determinação do Departamento de Aviação Celestial - DAC é proibida a utilização a bordo de qualquer aparelho eletrônico emissor de energia eletromagnética, principalmente telefones celulares que deverão permanecerem desligados".

Fiquei sem fôlego, empurrei delicadamente a mulher, e trêmulo acenei para a aeromoça - Moça, moça... quero falar com alguém que me explique isto... moça, pelo amor de Deus... 

A aeromoça continuou a falar enquanto um anão ia tirando a sua roupa:

"A partir deste momento, está liberado o uso de laptops, jogos eletrônicos, câmeras de vídeo e outros aparelhos não emissores de energia eletromagnética. Os telefones celulares deverão permanecer desligados durante todo o voo. No aparelho de televisão à sua frente passará o filme "Minha vida, meus defeitos, qualidades e virtudes", que explicará a todos, de maneira didática como vieram parar neste voo".

Para tudo, gritei pulando da cadeira. Vocês estão todos loucos. Isto aqui é um hospício. Tenho uma bomba na maleta e eu vou apertar este botão e ela vai explodir se não me explicarem o que se passa.

Gritaria geral, todos em pânico, até que uma voz lá no fundo despertou minha atenção - Armandinho... ôôi Armandinho... para com isto... vem cá pra trás que te explico tudo.

Olhei procurando a dona daquela voz, que trazia lembranças estranhas... cruzei os olhos aos dela. Era Gláucia, meu primeiro, único e verdadeiro amor. Namoramos na faculdade, mas eu pobre, ela muito rica, eu feio, ela linda, fugi do seu corpo mas habitou no meu coração e sequestrou minha alma nestes últimos quarenta anos.

Fui andando lentamente, era ela. Gláucia estava ali!! Meu Deus, estava linda!! Meu coração acelerava, Gláucia... Gláucia... puxa vida, eu velho, acabado, e ela linda, com aquele mesmo sorriso... Gláucia... ao aproximar, deu-me um abraço como nunca fora mais abraçado... Gláucia, eu... (comecei a chorar)... eu... te (chorava sem parar) ... Gláucia ... eu te ... eu te ...

De repente ela deu um passo para trás e começou a socar meu peito violentamente, mais violento ainda, ainda mais forte e eu percebi que ouvia uma outra voz - volta Armandinho, volta... foi quando dei conta que estava dentro de uma ambulância, eu acho, e um homem imenso estava batendo no meu peito. Olhei para o lado e Carminha, aflita, segurava a minha mão.

Fixei-me nela, lágrima rolando, corpo dolorido, sorriu pra mim meio sem querer, olhei mais firme ainda. Agora está tudo bem, disse. Você foi socorrido a tempo.

Que merda, Carminha, tinha que avacalhar com todo este alarde meu voo, logo hoje?

É isto aí!

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Armando e Carminha - O inferno são os outros





A discussão - Parte I



Fala sério, Armandinho. Você me acha gostosa?



Sim.



Só isto? 



Como assim - Só isto?



Sei lá, achei que você falaria tantas coisas...



Olha só,Clara, você fez uma pergunta direta e dei uma resposta objetiva. Qual o problema?



Nenhum, nenhum, aliás, não quero mais saber o que você acha.



Você está apelando sem motivo.



Sem motivo, é? Será mesmo? Olha aqui estas coxas, olha bem, pois nunca mais as terá.



Para com isto.



Vou parar mesmo. Vê estes seios lindos que só euzinha tenho? Esqueça.



Você está louca, pare antes que arrependa.



Euzinha arrepender? Nun-nun-ca-ca querido. Ene-u-ene-cê-a, sacou?



Ok! Vou nessa.



Isto, vá mesmo, por que tem fila me achando gostosa e deliciosa, ouviu? Tem fila!!!!



O inferno são os outros - Parte II



Carminha, você nem acredita quem encontrei hoje.



Pode falar, Armandinho, não faço a menor idéia.



Com a Clara, lembra dela? Nossa, está tão esquisita.



Como assim esquisita?



Achei ela meio esnobe, meio se achando, entende?



Não entendi muito não, mas por coincidência estive com o marido dela hoje...



Esteve? Como assim?



Momentaneamente, Armandinho, coisa de passar um pelo outro.



Sei, entendo. E daí?



Nossa, foi tão grosso comigo, tipo seco, sabe, sem muito papo, se achando...



Eles se merecem, não é Carminha?



Sim, Armandinho, agora vem cá e me chama de gostosa...



Gostosa.



Assim não Armandinho, mais caliente, vai...



É isto aí!

Armando e Carminha - O inferno são os outros


A discussão - Parte I

Fala sério, Armandinho. Você me acha gostosa?

Sim.

Só isto? 

Como assim - Só isto?

Sei lá, achei que você falaria tantas coisas...

Olha só,Clara, você fez uma pergunta direta e dei uma resposta objetiva. Qual o problema?

Nenhum, nenhum, aliás, não quero mais saber o que você acha.

Você está apelando sem motivo.

Sem motivo, é? Será mesmo? Olha aqui estas coxas, olha bem, pois nunca mais as terá.

Para com isto.

Vou parar mesmo. Vê estes seios lindos que só euzinha tenho? Esqueça.

Você está louca, pare antes que arrependa.

Euzinha arrepender? Nun-nun-ca-ca querido. Ene-u-ene-cê-a, sacou?

Ok! Vou nessa.

Isto, vá mesmo, por que tem fila me achando gostosa e deliciosa, ouviu? Tem fila!!!!

O inferno são os outros - Parte II

Carminha, você nem acredita quem encontrei hoje.

Pode falar, Armandinho, não faço a menor idéia.

Com a Clara, lembra dela? Nossa, está tão esquisita.

Como assim esquisita?

Achei ela meio esnobe, meio se achando, entende?

Não entendi muito não, mas por coincidência estive com o marido dela hoje...

Esteve? Como assim?

Momentaneamente, Armandinho, coisa de passar um pelo outro.

Sei, entendo. E daí?

Nossa, foi tão grosso comigo, tipo seco, sabe, sem muito papo, se achando...

Eles se merecem, não é Carminha?

Sim, Armandinho, agora vem cá e me chama de gostosa...

Gostosa.

Assim não Armandinho, mais caliente, vai...

É isto aí!

Odete, a peladeira do Paranoá

Meu simpático e modesto Nokia, sem nenhum charme high-tech, disparou às três horas da manhã fria deste inverno tropical, e do outro lado da célula (por favor, não há linhas e fios), Odete, a peladeira do Paranoá.

Conta a lenda que Odete foi, em seu tempo juvenil de Brasília, uma intensa atleta dada a todas as modalidades que envolviam esportes coletivos, e sua única dúvida foi sempre sobre saber o que fazer com as bolas, mas isto é outra história.

Segundo Odete, ouviu de Creuzinha, cabelereira das boas, que soube através de Carminha, manicure da elite da Asa Norte, que escutou de Claudionor, uma bichinha clássica do Eixão, que jurou ter sido confessor de Dr. Geraldinho, nobre advogado da alta corte do planalto central, que por sua vez soube por Afonsinho, estafeta de segunda classe de um sub-oficial garantido pelo anonimato, que está tudo pronto para a Espanha faturar este campeonato mundial.

Mas como assim, Odete? A Espanha já atravessou o Atlântico, sob intensas vaias e lágrimas ibéricas.

Humm, meu amor, continua ingênuo... adoro sua ingenuidade, querido...

Mas Odete, a final será entre galegos e portenhos.

Meu bem, se não fosse uma prima da mãe do pai do Messi, em Lérida, na Catalunha, ter acolhido a família em fuga da crise portenha, o garoto não passaria de um esforçado menino de baixa estatura. Cresceu sob os cuidados de uma estrutura inexistente na pátria meridional. Isto faz dele um espanhol tão legítimo como as touradas de Madrid, logo, o título poderá ser contestado.

Uau, Odete, como você sabe isto tudo?

Ah, amor, vem prá Brasília fazer cruzamentos para mim...

Nossa, Odete, você sabe como agitar um jogo...Odete? Alô? Odete? Droga, atrasei o lance mais uma vez...

É isto aí!