Photo : Henri Manuel
Ao Pé da Pitangueira
Diário de bordo na travessia da vida
Prezados leitores e leitoras do Reino da Pitangueira
Diário de bordo na travessia da vida.
Photo : Henri Manuel
Ao Pé da Pitangueira
Diário de bordo na travessia da vida
Prezados leitores e leitoras do Reino da Pitangueira
Nada pessoal, diz ela quando perguntam o que tanto escreve na famosa Ata Paralela.
Do 103 — São tão felizes que são chatos.
Do 104 — Pensou tanto que perdeu o bonde da história.
Do 201 — Ela chegou só. Dizem que é tão infeliz que se escora na dor.
Do 202 — Mentem tanto que não acreditam em si.
Do 304 — Sabe muito de pouca coisa e se acha o máximo.
Do 301 — Sabe um pouco de cada coisa e não se acha.
Do 402 — São tão bons que sua face resplandece.
Do 403 — Fulana sempre foi um porre de 51 com bebe-cola.
Do 501 — Fulano sempre foi um falso sem pedigree.
Do 504 — A chata é tão chata que não tem rugas.
Do 201 — Ele chegou atrasado e só agora veio a do 203... Sei... rs.
Do 302 — Gostoso, gostoso, gostoso...
É isto aí!
Dia sim, dia não, ele passava empurrando seu carrinho. Da janela da sala cumprimentava-o para seguir o dia, dava um sorriso largo e cada qual para sua batalha.
Todo dia ela passava, linda e sensual, pela calçada e nossos olhos se cruzavam cada vez mais ternos. Sorríamos discretamente e cada um seguia seu caminho.
Todos os dias, ao chegar no escritório, recebia um bom dia da zeladora do prédio. Acenava a cabeça para ela e seguia sem dar retorno ao agrado.
Toda quarta-feira tinha o encontro da turma no bar do Zé Gomes. Nunca cumprimentei o tal do Zé Gomes.
Todo dia chegava em casa cansado, a esposa estava de mal humor, como sempre. Entrava no banho, depois demorava nos documentos online que precisava do meu aval até as sete horas da manhã.
Todo dia chegava no quarto, ela dormindo e eu desejando a vizinha, o sexo era uma coisa mecânica, sem carinho, sem olhares sem nada, até ela dormir.
Todo dia tudo igual e eu ainda não reparava que estava morto há décadas.
É isto aí!
Aos nove anos tracei um plano mirabolante para fugir de casa e, em apenas três semanas, alcançar minha pátria verdadeira. Não existiam os computadores de uso doméstico, não existiam os smartphones, mas, na Biblioteca Pública Municipal, a três quarteirões de minha casa, havia a fantástica Enciclopédia Barsa. Vocês não conseguem imaginar o poder que emanava daqueles enormes e pesados livros.
Aprendi na aula que as grandes navegações portuguesas utilizavam a rota cuja corrente cruza o oceano em direção ao continente africano, onde se conecta à Corrente de Benguela. Uma vez no continente africano, pedalando minha bicicleta Caloi, eu subiria rumo a Ceuta e, dali, seguiria para a Europa Oriental até chegar à minha pátria onírica. Mas antes era preciso, ainda no Brasil, ir para o sul e aproveitar a corrente marítima que me levaria à África. Desisti, pois do Paraná até o Rio Grande do Sul faz muito frio e eu detesto frio.
Aos onze anos bolei um plano para a fuga rumo à Hungria, por avião de caça Xavante, orgulho da Força Aérea Brasileira. Apenas duas coisas bloquearam a fuga, dada como certa em meus cálculos, sonhos e determinações. A primeira era a idade, que me impedia de entrar para a escola de formação de pilotos; a segunda, que descobri naquela época, era o pânico de altura.
Aos treze anos tive uma ideia surpreendente. Enviei uma carta à Embaixada da Hungria, narrando minha situação peculiar de exílio sem causa aparente. Nunca recebi resposta.
Aos quinze anos conheci Nandinha. Jamais tinha beijado assim, de uma maneira mais íntima e pessoal. Daquele dia em diante, convenci-me de que as húngaras não devem ser muito boas de beijo.
É isto aí!
É isto aí!
Educadamente, ela sorriu para o rapaz e continuou sem se manifestar sobre as probabilidades de chuva na região.
Ele olhou para o horizonte, meio azul, meio cinza; olhou para o alto, limpo, limpo, e finalmente olhou para a moça. Experimentou um leve sorriso, como quem tenta desarmar os alarmes de perigo, varreu o corpo dela com um olhar de conhecimento da área, para finalmente perguntar:
— Você ainda namora com o Oscarzinho da lanchonete?
Ela olhou sem virar o rosto, mantendo uma distância social segura.
— Olha, só estou querendo um sim ou não. Nada complicado.
Sem tirar o olhar enviesado do rapaz, deu um passo à esquerda, virando o rosto para verificar se o ônibus estava se aproximando. Deu sinal e embarcou para seu destino.
No dia seguinte, terça-feira, encontraram-se lado a lado, sem se olharem, sem se analisarem, sem nada.
O ônibus parou. Ele entrou, e ela ficou aguardando o que a levaria ao seu destino. Guardou consigo o horário e o rumo que o rapaz tomou.
Pela primeira vez, achou-o bonito, bem-apessoado e educado, mas ele poderia, ao menos, olhar para ela — e não o fez.
Nos cinco dias seguintes, a cena se repetiu.
A curiosidade aguçou-se na mocinha. Já se sentia segura com a companhia do rapaz. Resolveu tomar coragem.
Olhou diretamente para ele no ponto de ônibus e perguntou, de uma forma suave:
— Quem é o Oscarzinho?
É isto aí!
Alguém dentre vocês quer sugerir o tema?
Aqui, Mestre! Fale sobre a chegada do homem à 5a Dimensão.
Excelente escolha. Há muito venho querendo falar deste tema fascinante. A 5a Dimensão é a primeira fora do nosso conhecimento astronômico e físico, já que conhecemos desde eras remotas a altura, a largura e a profundidade, e no início do século XX incorporamos o Tempo. Bem, vamos lá
Querida, eu amo você!
Faria diferença sua presença... não, melhor não seguir por este caminho. Pense, pense ... caramba, palavrões estão censurados pelo alto escalão da minha seleta inconsciência, já que o pré-determinismo é arma das seitas. Aceita que doi menos, me disse o Guru da Pitangueira, o Mago.
Faria, opa, faria é do futuro do pretérito de fazer ou ter feito, enfim, é desculpa barata, por isto, talvez, vai saber, ou nunca saberei, mas antecipo que futuro do pretérito é coisa de derrotado.
Querida, foi por isto? Me trocou por um canalha vulgar por que eu teria (opa) supostamente feito alguma promessa condicional para sermos felizes? Isto será amor para daqui a 80 anos, entre eu, você e Mary Taylor, uma IA num corpinho divino e senso de amor irlandês.
Pelo amor do meu presente, pela compaixão pelo nosso futuro, pela resplandecente juventude que nos privou na solidão dos hábitos binários, não volte para mim. Fique comigo. Sei, estou prolixo e é assim que você identifica o meu pânico. Queria, merda, esqueça o futuro do pretérito, acalma-se, isto é alexa, minha escrava privé acalmando.
Eu não sei escrever em outra língua, então nada deverá descongelar desta sua postura glacial, onde você está certa e eu estou certo e a gramatica lusitana é quem se habilita a ser o cárcere das minhas promessas.
Ó mar salgado, quanto do teu sal são lágrimas de Portugal! Esta frase está aqui por que foi o Fernando Pessoa que escreveu e por causa disto eu queria estar lá na Escola de Sagres, sei que você não acredita, mas tenho idade e juízo náutico para isto. Tudo para destituir aquele canalha com minha Cruz de Malta.
Esta ainda é uma carta de amor. Eu amo você, do meu jeito para seu jeito sou o principal sujeito a romantizar nosso presente para todo o sempre. Não sei, merda merda merda, não sei ser normal quando penso em você. No fundo no fundo a gente sabe que seria feliz.
É isto aí!
Era uma vez uma vida
que nasceu pobre
e cresceu estudando
e formou com louvor
era amado
e pronto.
Era uma vez outra vida
que nasceu pobre
arrastou-se nas escolas
era insuportável
e ficou milionário.
e pronto.
Deu que MoçaFlor ia e vinha aqui e acolá num estranho baile de valsas soadas por batidas soteropolitanas frenéticas em curvas em evolução a aninhar com curvas envolventes. E dançávamos dançávamos bailávamos lavávamos com nosso suor um corpo ao outro. Mal acostumado, você me deixou mal acostumado feito Ara Ketu arrastando multidão pela Bahia de todos os santos.
Deixou mais uma vez minha vontade minguar diante da sua beleza estatística, artística, postada por poetas apaixonados por MoçaFlor em outros cantos, outras dimensões, mas nos sonhos meus. Partiu nunca para sempre, até a próxima madrugada fria, até a próxima mão tocando seu corpo. MoçaFlor, você já faz parte deste todo que sou dentro de mim sendo seu.
P.S. Eu sei que te amo porque você me disse isto tantas vezes que nem sei mais como é não amar você. Por hoje é só, descerei deste sonho com cuidado para não quebrar as palavras que cobrem nossa nudez, e da próxima vez trarei mais saudade com vontade de te abraçar e de te dizer que amor de verdade só senti ...
É isto aí!
1. Se Deus fecha uma porta, Ele abre outra.
2. O importante é ser feliz.
3. Quem não vem pelo amor, vem pela dor.
4. Siga o seu coração.
5. Deus não dá um fardo maior do que você pode carregar