Ao pé da Pitangueira
Diário de bordo na travessia da vida.
terça-feira, 26 de maio de 2026
Cartas de Amor 123
quinta-feira, 21 de maio de 2026
Cartas de Amor 122 (CXXII)
terça-feira, 19 de maio de 2026
Cartão Vermelho
segunda-feira, 18 de maio de 2026
A vaca malhada
Alto lá, meu bem
sexta-feira, 15 de maio de 2026
Cartas de Amor 121
Querida, bom outono
Seria indelicado perguntar como você está, pois bem sei por intermediários entre nós e o oceano que comentaram sobre a despedida ao seu pai. Não é fácil o luto, uma vez que o processo é individual e oscilante, servindo para organizar as emoções rumo à adaptação. à nova realidade.
Ocorreu-me citar o Carlos Drummond de Andrade, em trecho do seu poema "Ausência", publicado originalmente em 1945, no livro A Rosa do Povo. Se não leu, ainda há tempo de ler. Leitura imperdível.
Agora, com justas lagrimas, este poema revela que a memória afetiva pode sobreviver ao tempo, à distância e ao desaparecimento material. E as coisas da nossa humanidade trazem à tona dores e rearranjos de manutenção desta ausência.
Não há uma ordem para este reajuste de rota, mas aparecem a raiva, a negação, a barganha — geralmente e não necessariamente é com Deus — a depressão em suas formas mais íntimas e por fim, este sim, é sempre o ultimo a aparecer, que é a aceitação.
Sinto pela sua dor, pela enorme ausência que preencherá a sua existência. Eu estou aí dentro, tudo junto e separado. Assim o amor segue seu destino, sem saber se é dia ou noite, se há tristeza ou alegria.
Um abraço apertado até passar a dor. Eu não sei não amar você.
quinta-feira, 14 de maio de 2026
O Deputado do Povo
terça-feira, 12 de maio de 2026
Rilda no banco dos réus.
domingo, 10 de maio de 2026
A Dor do Silêncio
A Senhora "A" e a Senhora "B" conversaram sobre tudo e eu ali, invisível entre as duas. Num determinado momento, a Senhora "A" perguntou — escute, e a Julinha, já marcou a data do casamento com aquele rapaz adorável e simpático? — A Senhora "B" pôs-se a chorar. — silêncio sepulcral e todo o supermercado voltou a atenção para o processo.
Aquele rapaz adorável e simpático é casado e pai de três meninas. Traiu a esposa, traiu a inocência da Julinha e mentiu até para o Padre.
A Senhora "B", ignorando minha presença, transpassou meu corpo e abraçou a chorar com a Senhora "A" e o mundo ao redor buscou o que fazer dispersando em murmúrios. .
No fundo, no fundo, todo mundo mente. Uns mais, outros menos.
É isto aí!
Cartas Avulsas XXX
quinta-feira, 7 de maio de 2026
Luta de Classes no Reino da Pitangueira
Nós, o povo do Reino da Pitangueira, declaramos greve, promovendo a suspensão coletiva, pacífica, total, de prestação pessoal de serviços ao nobre eleitor.
Reivindicações:
Faremos uma assembleia para definirmos o cronograma e a pauta da assembleia geral que será o movimento legal para levantarmos as reivindicações.
Durante a greve serão constituídos por voto os membros da comissão de negociação, mediante acordo com o staff patronal da Nobreza Imperial do Reino ou diretamente com quem for delegado por Vossa Alteza Imperial.
A classe operária unida garante à Vossa Majestade que manterá em atividade equipes mínimas de empregados comissionados, servidores, prestadores de serviço e celetistas com o propósito de assegurar os serviços priorizados, cuja paralisação resulta em prejuízo irreparável, pela deterioração irreversível de bens, máquinas e equipamentos, bem como a manutenção daqueles essenciais à retomada das atividades da empresa quando da cessação do movimento.
É isto aí!
domingo, 3 de maio de 2026
O Espinho na Carne
Há dores que não pedimos para levar. E há delas que, com o tempo, deixam de ser visitantes para se tornarem moradoras. Este texto fala de uma dessas dores – ou seria de uma pessoa? Ou seria da própria memória? O narrador busca na lembrança algo que toque a alma e, de súbito, a memória muda de canal. Vem a infância, vem o ontem, vem um professor de maiêutica, vem uma gargalhada que não lhe pertencia. E, no fim, uma estranha felicidade. Um dia. Um choro.
“O espinho na carne” não é um texto sobre superação. É sobre convivência. Sobre descobrir que aquilo que fere pode, um dia, caber dentro de uma felicidade que não se explica.
Buscou na memória algo dela, que tocasse sua alma. Quase que imediatamente lembrou seu olhar, seu andar, seu perfume e seu sorriso. De súbito a memória mudou de canal e o levou à infância. Solitário e tímido, teve um longo corredor de dores, mágoas, tristezas e decepções.
Num salto chegou ao dia de ontem, quando num momento de inútil sensatez, percebeu-se exclusivamente triste. Desde a manhã do dia anterior vinha sentindo-se acabrunhado, com a face abatida, olhos tristes, corpo prostrado, com aquela angústia dos seres humilhados ou dos calejados oprimidos.
Recordou de súbito o professor de maiêutica que com muita maestria utilizava o método socrático para conduzi-lo a "dar à luz" as próprias ideias e conhecimentos. Riu discretamente e logo deu uma gargalhada que não lhe pertencia em tempos comuns.
Após a hilária passagem, ela retornou ao seu lugar de excelência. Deixou que invadisse seu dia, e aquilo permitiu a compreensão que ela era parte da sua persona. Desistiu de lutar, e seguiu triste, mas conformado, seja lá o que isto significa.
Um dia, por obra do acaso e da manifestação dos segredos da existência, experimentou uma estranha felicidade.
Naquele dia chorou.
É isto aí!
quinta-feira, 30 de abril de 2026
Duas vacas
rola na lama
terça-feira, 28 de abril de 2026
Cartas de Amor n.º 120
Planeta Terra & Lua,
3º do Sistema Solar,
Via Láctea, Zona Sul
Cartas de Amor 120
É isto aí!
domingo, 26 de abril de 2026
Como Uma Onda (Zen-Surfismo)
Lulu Santos / Nelson Motta
Nada do que foi será
De novo do jeito que já foi um dia
Tudo passa, tudo sempre passará
A vida vem em ondas, como um mar
Num indo e vindo infinito
Tudo o que se vê não é
Igual ao que a gente viu há um segundo
Tudo muda o tempo todo no mundo
Não adianta fugir
Nem mentir pra si mesmo agora
Há tanta vida lá fora
Aqui dentro, sempre
Como uma onda no mar
Como uma onda no mar
Como uma onda no mar
Como uma onda no
Nada do que foi será
De novo do jeito que já foi um dia
Tudo passa, tudo sempre passará
A vida vem em ondas, como um mar
Num indo e vindo infinito
Tudo o que se vê não é
Igual ao que a gente viu há um segundo
Tudo muda o tempo todo no mundo
Não adianta fugir
Nem mentir pra si mesmo agora
Há tanta vida lá fora
Aqui dentro, sempre
Como uma onda no mar
Como uma onda no mar
Como uma onda no mar
Como uma onda no mar
Como uma onda no mar
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