Ao pé da Pitangueira
Diário de bordo na travessia da vida.
quarta-feira, 10 de junho de 2026
Cartas Avulsas 32
segunda-feira, 8 de junho de 2026
Nunca mais outra vez
Tudo sobre a minha bicicleta
inverno elegante
promete ser tenso,
intenso e extenso.
A falta das palavras tem incomodado o equilíbrio por sobre a minha bicicleta e o passado que alonga mas nunca acaba. Saudade é um elemento elástico. Quando entrar setembro, pouco antes da primavera, vou plantar menos saudade.
Tem dia que escrever é uma ferramenta de descaso para com a realidade.
Esta é apenas uma postagem desconectada da minha racionalidade vigente. Para você que não sonha, não delira, não sai dos trilhos, saiba que viver é mais fácil do que parece.
Na dúvida, irei me debruçar sobree este assunto. Hummm, pode ser perigoso, mas aí chamo o Bruce Wayne para explicar a duplicidade pacífica do ser e estar da pessoa perdida dentro de si.
quinta-feira, 4 de junho de 2026
Cartas de Amor 124
3º do Sistema Solar,
Via Láctea, Zona Sul
Cartas de Amor 124
Epistulae Amoris CXXIV
Querida, sou poeta sem sê-lo, sou escritor sem sabê-lo
Sobre mãos e orações
quarta-feira, 3 de junho de 2026
As três lágrimas
Meu pai me ensinou a crença de que o homem só tem três lágrimas, uma quando nasce, outra quando é batizado e a terceira é quando perde a mãe.
Ficou a repetir o pensamento, unhas provocando dor nos cantos das falanges distais. Quando do fechamento da urna, sentindo o mundo ruir ao seu redor pela perda da amada, sussurrou segurando as lágrimas: Eu não vou chorar, sua vadia.
O cortejo adentrou ao cemitério, cachorros latindo, mulheres cantando hinos religiosos, homens saindo do ambiente rumo ao bar do Zé do Bar.
Crianças corriam em volta da capelinha, atrás de uma bola que apareceu do nada no meio deles. As meninas reparavam nas roupas das outras meninas e vice-versa.
Quando chegaram ao túmulo, ele gritou para esperar. Queria dar a última olhada. Abriram o caixão, aproximou-se e sentiu que ela o segurou pela lapela do paletó, e sussurrou: Vadia é a puta que o pariu!
Levantou-se lentamente e chorou por dias até ser encontrado morto sobre a sepultura da companheira.
É isto aí!
terça-feira, 2 de junho de 2026
A moça no supermercado
segunda-feira, 1 de junho de 2026
Cartas avulsas 31
Chegará logo o dia de rever você, quando tudo será melhor, mais bonito, mais doce, mais delicado, mais envolvente, mais feliz. É isto então — tudo indo e vindo em todos os vértices da felicidade, feito ondas apaixonadamente lindas.
Serão como sempre foram — românticas e reluzentes, em todas as formas concêntricas e excêntricas de amar você. Tudo incidirá no ponto de encontro entre nós dois, ora em ondas retas, ora em linhas; dezenas, centenas, milhares delas, em curvas que aqui denomino você: a razão da existência do amor.
Daquele dia, daquela hora que virá, o impacto das nossas vidas. Gritarei como um guerreiro defendendo nossa integralidade, batendo com a mão fechada sobre o coração, gritando impropérios contra o... puxa vida, isto é tão estranho, pois nos meus sonhos funcionavam muito bem estas ações e estes eventos primevos.
De repente, ainda bradando, mas abaixando o tom e deixando cair o tacape, não vejo mais você. Não que não esteja aqui, pois está em todos os lugares e dentro de mim, feito a mais perfeita pérola. Percebo estar, verdadeiramente, numa outra dimensão que não tangencia meu querer. Tudo é tão lindo quanto exótico ou inefável, e todas as coisas acontecendo ao mesmo tempo.
Pássaros ou algo do tipo, em plena cantoria, sobrevoam para um ponto infinito. Sinto um frio glacial. E seres indescritíveis, como se estivessem dobrando o universo, seguem no mesmo rumo das aves, como se todos soubessem para onde ir, menos eu. Há medo, e agora lágrimas que aparecem do nada preenchem um imenso vazio em mim. Acho que morri.
Este silêncio, os olhares alhures de pessoas que não são exatamente pessoas. Mas minha consciência ainda me banca; ainda posso ver minhas mãos. Não, espera, não posso ver minhas mãos, mas posso senti-las. Então é aqui a Eternidade. Vou caminhar para ver onde dará esta estrada.
É isto aí!
domingo, 31 de maio de 2026
O espião, a tensão e a missão
sábado, 30 de maio de 2026
Nunca mais outra vez
terça-feira, 26 de maio de 2026
O Doravante
Cartas de Amor 123
quinta-feira, 21 de maio de 2026
Cartas de Amor 122 (CXXII)
terça-feira, 19 de maio de 2026
Cartão Vermelho
segunda-feira, 18 de maio de 2026
A vaca malhada
Alto lá, meu bem
sexta-feira, 15 de maio de 2026
Cartas de Amor 121
Querida, bom outono
Seria indelicado perguntar como você está, pois bem sei por intermediários entre nós e o oceano que comentaram sobre a despedida ao seu pai. Não é fácil o luto, uma vez que o processo é individual e oscilante, servindo para organizar as emoções rumo à adaptação. à nova realidade.
Ocorreu-me citar o Carlos Drummond de Andrade, em trecho do seu poema "Ausência", publicado originalmente em 1945, no livro A Rosa do Povo. Se não leu, ainda há tempo de ler. Leitura imperdível.
Agora, com justas lagrimas, este poema revela que a memória afetiva pode sobreviver ao tempo, à distância e ao desaparecimento material. E as coisas da nossa humanidade trazem à tona dores e rearranjos de manutenção desta ausência.
Não há uma ordem para este reajuste de rota, mas aparecem a raiva, a negação, a barganha — geralmente e não necessariamente é com Deus — a depressão em suas formas mais íntimas e por fim, este sim, é sempre o ultimo a aparecer, que é a aceitação.
Sinto pela sua dor, pela enorme ausência que preencherá a sua existência. Eu estou aí dentro, tudo junto e separado. Assim o amor segue seu destino, sem saber se é dia ou noite, se há tristeza ou alegria.
Um abraço apertado até passar a dor. Eu não sei não amar você.
quinta-feira, 14 de maio de 2026
O Deputado do Povo
terça-feira, 12 de maio de 2026
Rilda no banco dos réus.
domingo, 10 de maio de 2026
A Dor do Silêncio
A Senhora "A" e a Senhora "B" conversaram sobre tudo e eu ali, invisível entre as duas. Num determinado momento, a Senhora "A" perguntou — escute, e a Julinha, já marcou a data do casamento com aquele rapaz adorável e simpático? — A Senhora "B" pôs-se a chorar. — silêncio sepulcral e todo o supermercado voltou a atenção para o processo.
Aquele rapaz adorável e simpático é casado e pai de três meninas. Traiu a esposa, traiu a inocência da Julinha e mentiu até para o Padre.
A Senhora "B", ignorando minha presença, transpassou meu corpo e abraçou a chorar com a Senhora "A" e o mundo ao redor buscou o que fazer dispersando em murmúrios. .
No fundo, no fundo, todo mundo mente. Uns mais, outros menos.
É isto aí!


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