Na casa ao lado direito da minha residia um casal amigo, bem tranquilo, gostavam de dar festas animadas, até que um dia surgiram seis, sim, eu vi e contei, seis homens vestidos com um rigor elegante e assustador, vieram e os levaram.
Achei que nunca mais os veria, e mesmo nos noticiários mais apelativos nada, nenhuma palavra, nenhum comentário, nem no jornal do bairro, nem nas mesas do boteco, nada - nenhuma palavra.
Cerca de quatro anos depois retornaram à mesma casa, sem festa, sem brilho, sem riqueza aparente. Levamos meses para nos reaproximarmos, mas nunca mais foi a mesma coisa. Era um bom dia discreto, um sorriso sem força.
Um dia, do nada, nos convidaram para um vinho. Achei aquilo estranho e declinei do convite. Na manhã seguinte, a esposa do vizinho, muito boita e educada, fez -me garantir que naquela noite estaríamos na festa do vinho.
Chegamos pontualmente no horário marcado. Começamos a beber vinho, mais um copo até acordar num lugar estranho, sozinho, sem vinho sem nada. Saí cambaleante. Andei por caminhos estranhos por cerca de dois dias. Dormi sob uma figueira e ao acordar estava diante d minha casa. A porta trancada, havia música e conversas vindo de dentro.
Insisti na campainha, a porta abriu lentamente e um homem que era eu surgiu com olhar inquisidor do qual fiquei confuso e voltei a andar. Agora sei do caminho.
É isso aí!




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