sexta-feira, 15 de maio de 2026

Cartas de Amor 121


Reino da Pitangueira,
Planeta Terra & Lua,
3º do Sistema Solar,
Via Láctea, Zona Sul

Cartas de Amor 121
Epistulae Amoris CXXI

Querida, bom outono

Seria indelicado perguntar como você está, pois bem sei por intermediários entre nós e o oceano que comentaram sobre a despedida ao seu pai. Não é fácil o luto, uma vez que o processo é individual e oscilante, servindo para organizar as emoções rumo à adaptação. à nova realidade.

Ocorreu-me citar o Carlos Drummond de Andrade, em trecho do seu poema "Ausência", publicado originalmente em 1945, no livro A Rosa do Povo. Se não leu, ainda há tempo de ler. Leitura imperdível.

Agora, com justas lagrimas, este poema revela que a memória afetiva pode sobreviver ao tempo, à distância e ao desaparecimento material. E as coisas da nossa humanidade trazem à tona dores e rearranjos de manutenção desta ausência.

Não há uma ordem para este reajuste de rota, mas aparecem a raiva, a negação, a barganha — geralmente e não necessariamente é com Deus — a depressão em suas formas mais íntimas e por fim, este sim, é sempre o ultimo a aparecer, que é a aceitação.

Sinto pela sua dor, pela enorme ausência que preencherá a sua existência. Eu estou aí dentro, tudo junto e separado. Assim o amor segue seu destino, sem saber se é dia ou noite, se há tristeza ou alegria. 

Um abraço apertado até passar a dor. Eu não sei não amar você.

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