domingo, 16 de outubro de 2016

O Analista da Pitangueira e um caso de Obsessão



- Seu Malaquias, estamos aqui para somar, o senhor pode ficar a vontade, não tenha pressa, não tenha medo. Aqui consta que o senhor é casado, engenheiro, empresário, pecuarista, professor, escritor, enfim, o senhor são muitos.

- Sou apenas um Malaquias neste mundo, doutor. Mas diga-me, como se dá esta prática que o senhor com maestria coordena, já com fama, em todo o reino?

- Esta modalidade terapêutica que aplicamos na Pitangueira é revolucionária, única no mundo, criada por um grande analista clínico pan-holístico, diplomado com louvor pelo Colégio dos Analistas da Pitangueira, com trabalho divulgado nos melhores centros de discussão temática do planeta.

- Puxa, que coisa boa, doutor. Eu vim achando que isto aqui seria um jogo de perguntas e respostas, onde o senhor iria me tocaiando ate chegar no matadouro, mas pelo visto tem lá suas técnicas. Bom, por onde eu começo, então?

- Comece pelo motivo que o trouxe aqui. É sempre um bom começo.

- Pois é. Deu-se que Emereciana saiu de casa. E isto me deixou arrasado, magoado, taciturno, pensativo, eu .. eu ... eu acho que ficou um vazio. Fiquei ali muitos dias matutando sobre aquilo, sobre como a coisa se deu ...

- Emereciana é sua esposa?

- Não.

- Quer falar sobre ela?

- Não.

- Fale um pouco destas reflexões, que o tornaram pensativo nos últimos dias.

- Certa vez, há muitos anos, eu tinha uma namorada - muitos, muitos anos, uns quarenta anos atrás. Deu que a danada prenhou e arrumei casa pra ela, dei segurança, conforto, dei tudo que ela precisava, e continuamos ali aquela vidinha besta de sempre.

- Sua esposa?

- Não.

- Quer falar sobre ela?

- Não.

- Continue então!

- Aí passou uns dez anos daquele evento, eu estava de caso com uma moça de boa família, moça prendada, estudada, trabalhadeira, mas aí a danada engravidou. Foi de um desconforto enorme. Mas mesmo assim, dei casa, segurança, recursos mensais, poupança, e a gente acabou se aninhando pelos anos à frente.

- Foi com esta que o senhor casou?

- Caramba, o senhor é obcecado em casamento? Credo.  

- Então, há cerca de uns vinte anos atrás, eu tinha um relacionamento seguro, sadio, religioso até, com uma moça espetacular, divina, de família, um brocado de diamante com ouro. Certa tardinha de outono, nós dois ali na querência sem fim, ela acabou dizendo que tinha no ventre uma cria minha. Aquilo me deixou doido. Mas a danada estava certa, e para complicar, teve gêmeos. Dei tudo, casa, comida, segurança, recursos, conforto, e acabamos nos entendo muito bem.

- Hummm .. quer falar mais sobre isto?

- Acredito que o doutor quer saber se foi com ela que contraí matrimonio.

- Se o senhor assim desejar. 

- Olha, só para terminar o assunto - não! - ela não é minha esposa. E quer saber? Cansei. O senhor tem que se tratar. O seu caso é obsessão.

- Seu Malaquias, semana que vem no mesmo horário?

- Dá para ser mais cedo? É que eu tenho uma conversa para resolver com uma moça que está tendo um relacionamento sério comigo - moça fina. 

É isto aí!



sábado, 15 de outubro de 2016

A janela democrática

A janela lateral do meu canto remoto de realidade virtual e cibernética é muito democrática. Daqui ouço, pelas noites e dias - em alto e bom som as ondas sonoras provenientes do mundo que insiste em existir além da tela do computador. Tem crianças gritando, rindo, caminhões apressados e pessoas passando e falando, a maioria sozinhas coladas nos seus aparelhos esquisitos.

Há também os sons que chamam a minha atenção. Por exemplo, aqui perto numa obra, cujo enxadão bate às sete horas, sempre olho pela janela e vejo aqueles homens simples, uns doze ou quinze, de mãos dadas, fazendo uma prece por aquele dia. Acho aquele momento sensacional. Há ali uma manifestação de cumplicidade pela batalha daquele dia. 

Nesta obra tem um trabalhador, que ainda não identifiquei, pois fica lá dentro da área de serviço, que  nas horas de quietude do dia transforma-se em cantor lírico. Impressionante. Está ali um sujeito que poderia ter trilhado outro caminho, mas preferiu construir casas.

Há nas noites, apenas uma vez por semana, um discreto badalar do sino de um templo religioso. Neste dia só há este processo sonoro, que acredito preceder a um evento religioso. Em outras duas há o rufar dos tambores e atabaques de um outro centro religioso, além das palmas e cantoria. Têm hora para começar e para terminar. Ouço vozes graves e agudas, e a cantoria é agradável. O ritmo é interessante, não aumenta, não é provocador, enfim, duas vezes na semana, com ou sem chuva, os tambores e os atabaques batem na minha janela.

Nestas duas ocasiões que rufam, assim que cessa (imediatamente após) o som desta organização social, um outro movimento antropológico invade o ar e a janela com hinos religiosos, destes produzidos em escala comercial. Ficam ali em sons metálicos, vozes afinadas em alto (às vezes muito alto) e bom som, num ritmo entre bolero e salsa-rock. Acho interessante, por que são de uma enérgica pungência sonora. Deve haver quem deles necessite para se libertar de algo.

Em outros dois dias, escuto sempre um senhor proferindo sermões. Fala bem, voz educada, tonalidade e dicção bem trabalhadas e usufruindo do tema religioso judaico-cristão. Também cumpre um horário rigoroso, de cerca de uma hora e meia. Não há nele gritos, nem promessa de curas fantásticas nem ameaças aos que não foram contribuintes. Há nele a palavra, não solta, mas coordenada em sua crença. Tem dia que até gosto de ouvir.

Deve haver nos céus um sentido para todas estas manifestações, e da minha janela desejo a todos que encontrem e conquistem seus ideais de uma vida feliz, honesta e laboriosa.

É isto aí!




Papo de Esquina XXVIII

- Ouvi que vão prender um homem por suspeita de alguma coisa, mas parece que por falta de provas será por convicção de que supostamente possa ter de fato cometido algum delito..

- Aberratio ictus ab ovo

- Ad hoc, actore non probante, reus absolvitur

- Non omne quod licet honestum est.

É isto aí!

Tonino Carotone - Me Cago En El Amor [Official Music Video]

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

A mulher fatal

Naquela tarde pachorrenta, abafada e quente, ela entrou na sala de espera do consultório. Não tive como evitar de observá-la, dentre vários motivos, pela beleza, pela elegância e pelo corpo. Encaminhou-se à recepcionista, sussurrou algo que só as mulheres são capazes de ouvir e interpretar. A atendente respondeu no mesmo tom. Olhou-me com desdém em completo desalinho com minha querência.

Sentou na poltrona frontal, derivando na inevitabilidade de observá-la enquanto navegava no mundo virtual de seu enorme smartphone. Voltei ao meu livro - Admirável mundo novo, do Aldous Huxley, e enquanto traçava paralelos entre a ficção e a realidade nacional em tempo vigente, devorava-lhe em pensamentos bons, puros, castos e pueris, e ria da possibilidade dela preferir outros métodos que não os convencionais.

Quase duas horas sentados, os três, em silêncio tenso e tépido, ela levantou-se, foi novamente à mocinha da recepção, mais uma vez conversaram em código beta feminino de curto alcance. Desta vez o assunto requeria réplicas e tréplicas das partes. Sem olhar para mim, partiu ao desconhecido, em movimentos cadenciados, harmoniosos, felina e sensual. O rastro de seu cheiro transtornou minha paz.

A atendente desapareceu e ouço um toque de celular insistente. Percebo que está na poltrona da deusa. Aproximo, toco com cuidado como fosse extensão da sua pele. Resolvo atender para informar a alguém que a conhece que estou com seu aparelho. Para minha surpresa era o marido, que imediatamente veio ao consultório, me encheu de porrada. Naquela tarde finalmente entendi que não devo me envolver em casos onde não tenho nada com isto.

É isto aí!

Luz Casal - Piensa en mi

Anita Kelsey - Sway

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Paula Cole - Autumn Leaves

Manha de Carnaval - Diana Panton

Fly Me to The Moon - Diana Panton

Diana Panton - Tu sais je vais t´aimer

Bob Dylan - o Tim Maia do norte

Eu cresci ouvindo Bob Dylan no original e nas versões da língua pátria, dentre elas as cantadas pela Diana Pequeno, lá nos anos 70. Poeta de grande qualidade e enorme sensibilidade com o que ocorria no mundo, literalmente. Todas as suas músicas tinham uma tradução social, um significado.

Falar do Prêmio Nobel, falar da sua origem e da influência do judaismo na sua arte, falar da sua contestação ciclotímica é tudo de bom. Bob Dylan, por tudo pelos versos e controversos, pelos ventos e furacões, foi nosso Tim Maia do norte. Fantástico. Valeu! 

Enfim, ganha a poesia que retrata a humanidade nua diante de alguma coisa, sempre. Eu fiquei emocionado!

Na foto onde deveria estar Dylan, coloco Hurricane, condenado por um crime que não cometeu.É por ele e contra o racismo que Dylan dá ao mundo sua poesia de protesto. Em 17 de junho de 1966, Hurricane foi surpreendido pela polícia quando andava de carro com amigos, sendo preso por um crime do qual anos mais tarde seria inocentado. Na prisão, viu sua carreira de boxeador ir por água abaixo, sendo que era o favorito ao cinturão de pesos médios no ano de 1966, aos 29 anos de idade. Junto com seu amigo John Artis, foi condenado pelo homicídio de três pessoas em um bar da cidade. Duas testemunhas do crime confirmaram os dois como os autores do triplo assassinato sem comprovação.

Artis passou 15 anos na cadeia antes de obter sua liberdade. Rubin Carter ficou preso até 1985, quando foi solto graças à retirada do processo e à anulação da pena, e faleceu aos 76 anos, em 2014, no Canadá..

É isto aí!


quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Insensatez (How Insensitive) - Stan Getz and Astrud Gilberto

Fonte da imagem: reddit Astrud Gilberto and Stan Getz performing, Chicago, Illinois, ca. 1964
           
Insensatez é uma canção composta em 1961 por Tom Jobim, com letra de Vinícius de Moraes. É uma das canções mais famosas da dupla, "Insensatez" guarda similaridades em seus arranjos de piano com o Prelúdio N°4 em Mi Menor, Opus 28, de Chopin.

Foi gravada por vários artistas brasileiros: João Gilberto, Nara Leão, Elis Regina, Sylvia Telles, Maria Creuza, Roberto Carlos e, mais recentemente, por Fernanda Takai.
 
Insensatez (Vinícius de Moraes - Tom Jobim)
 Fonte: Letras

A insensatez que você fez
Coração mais sem cuidado
Fez chorar de dor o seu amor
Um amor tão delicado

Ah, porque você foi fraco assim?
Assim tão desalmado
Ah, meu coração quem nunca amou
Não merece ser amado

Vai meu coração, ouve a razão
Usa só sinceridade
Quem semeia vento, diz a razão
Colhe sempre tempestade

Vai, meu coração pede perdão
Perdão apaixonado
Vai porque quem não pede perdão
Não é nunca perdoado              


Fonte no Youtube - clique abaixo

Toquinho & Vinicius - Insensatez

19 Odete, a Musa dos Algoritmos Imperativos de Brasília.

São três horas da manhã e meu indefectível Nokia analógico (tiuhpa ráiphone) faz de seu acesso ao mundo exterior o alarde devido. Do outro lado da célula está Odete, a Musa dos Algoritmos Imperativos de Brasília. Cabia a ela, nos áureos tempos do Hotel Nacional, quando das recepções ao mundo, definir as possíveis saídas das autoridades em campo ao sistemático olhar dos curiosos da casamata. Foi assim que certa alteza imperial, quando de passagem pelo planalto, foi saudada na festa de recepção pelo gestor nacional de plantão (sic) com um macarrônico inglês de onde pode-se ouvir o “God… God… The Queen”.

Dado o silêncio da comitiva visitante, Odete puxou em alto e bom som a segunda estrofe do hino da terra distante-  Oh Lord our God arise, Scatter her enemies, And make them fall: Confound their politics, Frustrate their knavish tricks, On Thee our hopes we fix: God save us all. 

Conta a lenda que em face da vergonha perante a alteza imperial e da cantoria empolgante entoada pela choldra presente, dias depois, o gestor contando com o apoio das favas à ética, editou o ai-ai-five, que bateu e doeu onde pegou. 

- Odete, minha musa, o que posso fazer para obter mais que sua voz?

- Ai, amore, venha me ter em Brasília, mas antes preciso te falar algo que está, digamos assim, entalado nas minhas cordas vocais.

- Sou todo ouvidos, Odete!

- Nossa, que lindinho, bem, sabe a minha prima, a Carminha? Então, ela me contou que dia destes estava em discreta Menage Party da alta sociedade internacional residente às margens do Paranoá, quando ouviu do seu lovely partner de ocasião, Doutor F., que a coisa está ruim e vai piorar. Doutor F. citou de fonte segura, pois lhe foi confidenciado pela sua amante secreta do polichinelo, Lourdinha Pédeboá, que soube pelo marido, o famoso parlamentar J. Queromeu. 

Este parlamentar frequenta assiduamente a mesma casa das meninas do bom tom, para onde sempre vai a nata da nata dos dissimulados, e numa noite destas ouviu de Cristinne - a indomável, a revelação de que ouviu do poderoso Dom Tomasi di Merlusa, quando atendia aos seus caprichos, de que ele ficou arrasado pela anti-ginástica olímpica, depois de tudo o que fez de bom e do melhor, e por isto e também pela música cantada pela Elzinha, vai editar em breve o ai-ai-six, e pretende desta forma derrubar tudo, incluindo a cordilheira dos andes.

- Nossa, Odete, então o maestro da Eine Symphonie des Grauens vai cumprir o Nostradamus?

- Uau, amore, não fui eu quem disse isto, hem... Uau ... nossa, fiquei toda suadinha. Vem para Brasília, amore, aqui jorra leite, mel e loucuras de amor total. Vem... vem ...

- Eu .., Odete, eu ... alô ... alô ... merda, fiquei preso na bolha algorítmica e perdi a oportunidade.

É isto aí! 

terça-feira, 11 de outubro de 2016

A PEC Clônica

Li várias reportagens, a maioria de gente séria, deste ou daquele lado, sobre a famosa pec 241 que passou pela camara (minuscula sem acento como deve ser na atual gestao congressual) nesta segunda-feira. Gosto de ler também os comentários sobre o conteúdo. Excluo os idiotas, por que escrevem com a raiva burra e limitada, deste ou daquele lado (não têm credibilidade, a maioria é fake ou anônimo e nada acrescentam).

Existem pessoas sérias contra sem ressalvas e pessoas contra com ressalvas. Existem pessoas sérias a favor sem ressalvas e a favor com ressalvas.  E existem as que conciliam a politica fiscal da ex-presidenta com o atual gestor, digamos assim. E dentre estas pessoas sérias, a Dívida Pública é o maior vilão e nada foi feito para atingi-la. Consome quase 50% do orçamento geral da união (minuscula) e fica ali, quietinha, quietinha, só puxando a sardinha para a sua brasa e o resto que se esprema na pec clônica.

Na modesta opinião deste blogueiro, já vi este filme com nomes diferentes, feitos pelo mesmo velho e bom PMDB, sem mexer na Dívida Pública, a saber:

Plano Cruzado I
Plano Cruzado II
Plano Bresser
Plano Verão ou Cruzado Novo

O texto abaixo não é meu
Copiei e colei
De quem - Manoel Ruiz - 11/09/03

A História do Plano Cruzado I e II, Plano Bresser, Plano Verão e Cruzado novo

11/09/2003 

Tancredo Neves foi eleito Presidente por eleição indireta, e sua vitória foi recebida com muito entusiasmo e esperança pela maioria dos brasileiros. Ele era um político moderado, porem um adversário declarado do regime autoritário até então. Não assumiu a presidência porque na véspera da sua posse é internado no Hospital de Base, em Brasília, com fortes dores abdominais. 

O vice José Sarney havia rompido com a Arena há pouco tempo e o povo tinha receio que o regime autoritário continuasse disfarçado. No dia 15 de março de 1985 ele assume interinamente no lugar do Tancredo, que sofreu sete cirurgias e veio a falecer em 21 de Abril de 1985, aos 75 anos de idade, com infecção generalizada. No dia seguinte a 22 de Abril Jose Sarney foi investido oficialmente no cargo até 1990, um ano a mais que o previsto na carta-compromisso da Aliança Democrática, responsável pela sua chegada ao poder. Manteve o Serviço Nacional de Informações (SNI), considerando-o adaptável a outro contesto, causando-lhe algum desgaste político. Porem seu governo foi marcado por um clima de liberdades democráticas. 

A política econômica do governo anterior, com descontrole econômico, inflação fora de controle e um grande déficit publico, todos esses problemas deram continuidade no inicio do governo Sarney, chegando a 225,16% no primeiro ano de seu governo, com isso o novo governo sofreu um grande desgaste político. No dia 1º de março de 1986 foi instituído o "Plano Cruzado". Essa reforma monetária cortou três zeros, e o "Cruzeiro" foi substituído pelo "Cruzado", seguido de um congelamento de preços, tudo isso sob o comando do ministro da Fazenda, Dílson Funaro. Essa reforma monetária tinha como objetivo reequilibrar a economia e resgatar o prestigio do governo que já estava um tanto abalado. 

O "Plano Cruzado I" teve como principio o congelamento de preços por um ano, e os salários foram congelados, pelo valor médio dos últimos seis meses, mais um abono de 8%. Também foi criado o "gatilho salarial", toda vez que a inflação atingir ou ultrapassar 20% os salários teriam correção automática com o mesmo índice, mais as diferenças negociadas nos dissídios coletivos das diferentes categorias. A correção monetária foi extinta e criada o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), para correção da poupança e aplicações financeiras superiores há um ano. 

No inicio o povo foi tomado por uma grande euforia, onde todos os consumidores foram convocados a se tornar fiscal do Sarney, denunciando as remarcações, para que o congelamento tivesse êxito. A inflação foi contida, o poder aquisitivo cresceu, Com o aumento dos salários e o congelamento, aumentou-se o consumo, porem a forte demanda abalou o congelamento e levou o Plano Cruzado ao fracasso. Com quatro meses de vida o plano já mostrava a sua fragilidade, as mercadorias desapareceram das prateleiras dos supermercados, os fornecedores cobravam ágio e a inflação volta a subir. O governo mantem o congelamento até as eleições, pois o povo não entendia a gravidade do problema e no final de 1986, o PMDB ainda conseguiu bons resultados nas eleições, por conta do Plano Cruzado. 

O PMDB partido do governo aproveitou bem a propaganda do Plano Cruzado e venceu nos principais Estados do Brasil. Porem a sua economia estava desorganizada, com a inflação em alta. O governo após as eleições, a 21 de novembro de 1986 lança o "Plano Cruzado II" no qual libera os preços dos produtos e serviços, o reajuste dos aluguéis deveria ser negociado entre proprietários e inquilinos, também alterou o cálculo da inflação, que passaria a ter como base de cálculo, os gastos com famílias com renda de até cinco salários mínimos e os impostos das bebidas e cigarros foram reajustados. As exportações caíram enquanto as importações aumentavam, esgotando as reservas cambiais. O Plano cruzado II foi outro desastre, porque a inflação disparou, os combustíveis subiram 60,16%, automóveis 80%, bebidas 100%. O Brasil decreta moratória, suspendendo o pagamento da divida externa em 20 de janeiro de 1987. O Ministro da Fazenda Dílson Funaro depois de dois planos sem sucesso é substituído por Luiz Carlos Bresser Pereira. 

O "Plano Bresser" foi apresentado por Bresser Pereira que assumiu o ministério da Fazenda em 29 de abril de 1987, com sérios problemas de inflação e um mês depois de sua posse a inflação atingiu 23,26%. O grande vilão era o déficit público, onde o governo gastava mais do arrecadava, então em junho de 1987 foi apresentado o "Plano Bresser" onde decretava congelamento de preços, dos alugueis e salários por 60 dias. E para diminuir o déficit público toma algumas medidas, como: aumentar tributos eliminou o subsidio do trigo e as obras de grande porte já planejadas foram adiadas, entre elas o trem bala entre São Paulo e Rio, Ferrovia Norte Sul, pólo-petroquímico do Rio de Janeiro e desativa o gatilho salarial. Retomou as negociações com o FMI suspendendo a moratória. Mesmo com todas essas medidas a inflação chegou a 366% em dezembro de 1987. O Bresser deixa o ministério em 6 de janeiro de 1988 e é substituído por Maílson da Nóbrega. 

Maílson da Nóbrega assumiu o Ministério da Fazenda propondo uma política econômica sem medidas drásticas, tentar conviver com a inflação fazendo ajustes localizados, essa política foi denominada de "Feijão com Arroz", a qual deveria evitar a hiperinflação. Porem em 1988 a inflação chega a 933% e o governo lança mais um plano econômico. 

O "Plano Verão" foi apresentado por Maílson da Nóbrega, em 15 de janeiro de 1989, o plano econômico cortou três zeros; criado o "Cruzado Novo"; mais um congelamento de preços; foi extinta a correção monetária; propôs a privatização de algumas estatais e cortes nos gastos públicos, onde os funcionários contratados nos últimos cinco anos seriam exonerados. Os cortes não aconteceram ficou só no papel e mais um plano econômico desastroso. Em dezembro do mesmo ano a inflação atingiu 53,55%. Para se ter idéia da gravidade em que se encontrava a nossa economia, de fevereiro de 1989 a fevereiro de 1990, a inflação atingiu 2.751%. 

É isto aí!




segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Dez coisas que eu gostaria de fazer:

Resultado de imagem para insônia
1 - Ter sono na hora de ir deitar
2 - Acordar sem sono
3 - Dormir pelo menos seis horas por noite
4 - Nunca, jamais, acordar de noite
5 - Deletar todos os pensamentos úteis e inúteis enquanto estiver deitado
6 - Serão permitidas exceções, mas somente em caso de pensamentos interessantes
7 - Não ter sono de tarde
8 - Não perder o sono de noite
9 - Riscar a palavra insônia do dicionário
10 - Insônia? O que é insônia?

domingo, 9 de outubro de 2016

Papo de Esquina XXVII

- Não estou achando graça em mais nada.

- Mas nem do Trump?

- Para a campanha foi auto-sabotagem do sincericídio absoluto, mas para si achou-se como um grande legado.

- Mulheres, dinheiro, poder, mulheres ... é ... e põe legado nisto.

É isto aí!

sábado, 8 de outubro de 2016

Na contramão da fé



Mateus 6,14 
Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também o vosso Pai celeste vos perdoará a vós. Se, porém, não perdoardes aos homens as suas ofensas, também o vosso Pai vos não perdoará as vossas.

Milhões e milhões de cristãos, todos os dias rezam oram e proclamam o Pai Nosso, e de repente, não mais que de repente pedem a Deus que perdoem seus pecados assim como eles perdoam aos que o tenham ofendido, como está em Lucas 11.

Milhões e milhões ... muitos milhões ... mentem diariamente por que acham que ter ódio, desprezo, nojo, preconceito e outros atos de agressão ao próximo não necessita de perdão, já que este próximo não pertence à sua casta social, à sua crença ou à sua etnia. 

Uma parte da população do Brasil tem apresentado ódio à outra parte. Ódio, muito ódio, a ponto de agredi-las com palavras, atos e omissões (omissão de saúde, de educação, de alimentação, de ética, de justiça social, de justiça jurídica, de justiça política, de respeito ao próximo, omissão de fé, omissão de esperança, omissão de amor, omissão de caridade e dezenas de outras omissões).

Por mais que rezem, orem e proclamem, não estão perdoados. E isto não sou eu quem fala. Está na Palavra Sagrada. O interessante é que seus líderes religiosos atiçam sua ira, jogam gasolina no fogo das suas veleidades. Um dia, e este dia sempre chega a todos, hão de enfrentar um julgamento justo, pois a fatura vence, e só paga quem tem crédito acumulado. Sem perdão - nada feito!

Precisava falar sobre isto. Estava engasgado com o que está acontecendo. São estas pessoas parte integrante de um fenômeno religioso sem barreiras, presente em todas as igrejas e templos que se apresentam como cristãs, e que foi detectado por um missionário evangélico norte-americano, Michael Horton, como cristianismo sem Cristo. Vale a pena procurar saber mais sobre este assunto. Você pode estar indo na contramão e ainda não se deu conta disto. 

É isto aí


Mateus 18
1 Naquela hora chegaram-se a Jesus os discípulos e perguntaram: Quem é o maior no reino dos céus?
2 Jesus, chamando uma criança, colocou-a no meio deles,
3 e disse: Em verdade vos digo que se não vos converterdes e não vos fizerdes como crianças, de modo algum entrareis no reino dos céus.
4 Portanto, quem se tornar humilde como esta criança, esse é o maior no reino dos céus.
5 E qualquer que receber em meu nome uma criança tal como esta, a mim me recebe.
6 Mas qualquer que fizer tropeçar um destes pequeninos que crêem em mim, melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma pedra de moinho, e se submergisse na profundeza do mar.
7 Ai do mundo, por causa dos tropeços! pois é inevitável que venham; mas ai do homem por quem o tropeço vier!
8 Se, pois, a tua mão ou o teu pé te fizer tropeçar, corta-o, lança-o de ti; melhor te é entrar na vida aleijado, ou coxo, do que, tendo duas mãos ou dois pés, ser lançado no fogo eterno.
9 E, se teu olho te fizer tropeçar, arranca-o, e lança-o de ti; melhor te é entrar na vida com um só olho, do que tendo dois olhos, ser lançado no inferno de fogo.
10 Vede, não desprezeis a nenhum destes pequeninos; pois eu vos digo que os seus anjos nos céus sempre vêm a face de meu Pai, que está nos céus.
11 {Porque o Filho do homem veio salvar o que se havia perdido.}
12 Que vos parece? Se alguém tiver cem ovelhas, e uma delas se extraviar, não deixará as noventa e nove nos montes para ir buscar a que se extraviou?
13 E, se acontecer achá-la, em verdade vos digo que maior prazer tem por esta do que pelas noventa e nove que não se extraviaram.
14 Assim também não é da vontade de vosso Pai que está nos céus, que venha a perecer um só destes pequeninos.
15 Ora, se teu irmão pecar, vai, e repreende-o entre ti e ele só; se te ouvir, terás ganho teu irmão;
16 mas se não te ouvir, leva ainda contigo um ou dois, para que pela boca de duas ou três testemunhas toda palavra seja confirmada.
17 Se recusar ouvi-los, dize-o à igreja; e, se também recusar ouvir a igreja, considera-o como gentio e publicano.
18 Em verdade vos digo: Tudo quanto ligardes na terra será ligado no céu; e tudo quanto desligardes na terra será desligado no céu.
19 Ainda vos digo mais: Se dois de vós na terra concordarem acerca de qualquer coisa que pedirem, isso lhes será feito por meu Pai, que está nos céus.
20 Pois onde se acham dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles.
21 Então Pedro, aproximando-se dele, lhe perguntou: Senhor, até quantas vezes pecará meu irmão contra mim, e eu hei de perdoar? Até sete?
22 Respondeu-lhe Jesus: Não te digo que até sete; mas até setenta vezes sete.
23 Por isso o reino dos céus é comparado a um rei que quis tomar contas a seus servos;
24 e, tendo começado a tomá-las, foi-lhe apresentado um que lhe devia dez mil talentos;
25 mas não tendo ele com que pagar, ordenou seu senhor que fossem vendidos, ele, sua mulher, seus filhos, e tudo o que tinha, e que se pagasse a dívida.
26 Então aquele servo, prostrando-se, o reverenciava, dizendo: Senhor, tem paciência comigo, que tudo te pagarei.
27 O senhor daquele servo, pois, movido de compaixão, soltou-o, e perdoou-lhe a dívida.
28 Saindo, porém, aquele servo, encontrou um dos seus conservos, que lhe devia cem denários; e, segurando-o, o sufocava, dizendo: Paga o que me deves.
29 Então o seu companheiro, caindo-lhe aos pés, rogava-lhe, dizendo: Tem paciência comigo, que te pagarei.
30 Ele, porém, não quis; antes foi encerrá-lo na prisão, até que pagasse a dívida.
31 Vendo, pois, os seus conservos o que acontecera, contristaram-se grandemente, e foram revelar tudo isso ao seu senhor.
32 Então o seu senhor, chamando-o á sua presença, disse-lhe: Servo malvado, perdoei-te toda aquela dívida, porque me suplicaste;
33 não devias tu também ter compaixão do teu companheiro, assim como eu tive compaixão de ti?
34 E, indignado, o seu senhor o entregou aos verdugos, até que pagasse tudo o que lhe devia.
35 Assim vos fará meu Pai celestial, se de coração não perdoardes, cada um a seu irmão.


























quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Mateus e Timóteo falando das coisas coisando agora

Aqui fala o Mateus:
6.Ouvireis falar de guerras e de rumores de guerra. Atenção: que isso não vos perturbe, porque é preciso que isso aconteça. Mas ainda não será o fim.

7.Levantar-se-á nação contra nação, reino contra reino, e haverá fome, peste e grandes desgraças em diversos lugares.

8.Tudo isto será apenas o início das dores.

Registro aqui para um futuro que virá que nesta data todos os jornais do mundo falam de guerra e de rumores de guerra. Aí você fala - mas isto sempre ocorreu.

Eu respondo - sim, mas não da forma concreta como está sendo colocado.

Aqui fala o Timóteo:
1.Nota bem o seguinte: nos últimos dias haverá um período difícil.

2.Os homens se tornarão egoístas, avarentos, fanfarrões, soberbos, rebeldes aos pais, ingratos, malvados,

3.desalmados, desleais, caluniadores, devassos, cruéis, inimigos dos bons,

4.traidores, insolentes, cegos de orgulho, amigos dos prazeres e não de Deus,

5.ostentarão a aparência de piedade, mas desdenharão a realidade. Dessa gente, afasta-te!

6.Deles fazem parte os que se insinuam jeitosamente pelas casas e enfeitiçam mulherzinhas carregadas de pecados, atormentadas por toda espécie de paixões,

7.sempre a aprender sem nunca chegar ao conhecimento da verdade.