quarta-feira, 14 de abril de 2021
Aviso do Blogger/Google - Nota Oficial
terça-feira, 13 de abril de 2021
Perguntas e respostas em tempo de relações assépticas
sábado, 10 de abril de 2021
Tortura (Florbela Espanca)
Alto lá
Foto: Florbela Espanca - Supremo Enleio
Tirar dentro do peito a Emoção,
A lúcida Verdade, o Sentimento!
- E ser, depois de vir do coração,
Um punhado de cinza esparso ao vento!...
Sonhar um verso de alto pensamento,
E puro como um ritmo de oração!
- E ser, depois de vir do coração,
O pó, o nada, o sonho dum momento!...
São assim ocos, rudes, os meus versos:
Rimas perdidas, vendavais dispersos,
Com que eu iludo os outros, com que minto!
Quem me dera encontrar o verso puro,
O verso altivo e forte, estranho e duro,
Que dissesse, a chorar, isto que sinto!!
Aldravia 2
peremptoriamente
terminantemente
categoricamente
toda
mente
mente
É isto aí!
Foto: https://cdn.folhape.com.br/img/pc/450/450/dn_arquivo/2019/03/mentira.jpg
quinta-feira, 8 de abril de 2021
Via Láctea (Olavo Bilac)
A Via Láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.
Direis agora: Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?
E eu vos direi: Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas.
terça-feira, 6 de abril de 2021
Desintoxicação emocional. (Alessandra Santtos)
E agora? perguntou-se
segunda-feira, 5 de abril de 2021
Por que estamos aqui?
Mark Twain afirmou
que os dois dias
mais importantes
da sua vida
são o dia em que nasceu
e o dia em que descobrir o porquê.
E sigo me perguntando
Por que estamos aqui?
Por que existe vida?
Por que o universo existe?
Por que eu existo?
Qual é o meu lugar nisso tudo?
Por que eu amo você?
Por que não fiz isto?
Por que ainda não faço?
Por que fiz aquilo?
Por que faço assim?
Por que nada deu certo?
Por qual razão soltamos as mãos?
Por qual motivo perdi seu telefone?
Perdi seu aniversário, nosso natal?
Não fui ao futuro por medo
não voltei ao passado por arrependimento
porque tenho certeza que não sei
a respostas e os porquês!
Estão todas guardadas com você.
É isto aí!
Imagem - Tempo Perdido
Citação - Mark Twain (os dois dias mais importantes da sua vida são o dia em que nasceu e o dia em que descobrir o porquê.)
domingo, 4 de abril de 2021
O Analista da Pitangueira e as perguntas de alto impacto
Boa tarde!
Talvez!
Entre, por favor!
Claro, não pago para ser atendida em pé feito cliente de veterinário.
Já foi atendida por um veterinário?
Doutor, olha o limite entre nós.
Sente-se à cadeira, ou deite no Divã, onde preferir.
No Divã é melhor, sabe, não conseguirei olhar para seus olhos enquanto falo de mim.
Por favor, fique à vontade.
Doutor, olha o limite entre nós, não quero ficar à vontade, quero apenas a sessão.
O que a trás aqui, senhora?
Senhorita, mas pode me chamar de você, mas de um jeito que não ultrapasse o limite.
Certo, o que a trás aqui?
Melhor assim! Então, eu cansei de ser normal, sabe, certinha, rigorosa comigo mesma, imparcial até nas cores. Eu quero ser uma mulher diferente, um símbolo da modernidade líquida, uma figura excêntrica na acepção da palavra.
Defina o que é ser normal, por favor.
sábado, 3 de abril de 2021
Quando fores velha (When You Are Old - William Butler Yeats)
Lê-o devagar, e sonha com o doce olhar
Que outrora tiveram teus olhos, e com as suas sombras profundas;
Muitos amaram os momentos de teu alegre encanto,
Muitos amaram essa beleza com falso ou sincero amor,
Mas apenas um homem amou tua alma peregrina,
E amou as mágoas do teu rosto que mudava;
Inclinada sobre o ferro incandescente,
Murmura, com alguma tristeza, como o Amor te abandonou
E em largos passos galgou as montanhas
Escondendo o rosto numa imensidão de estrelas.
When You Are Old
When you are old and grey and full of sleep,
And nodding by the fire, take down this book,
And slowly read, and dream of the soft look
Your eyes had once, and of their shadows deep;
How many loved your moments of glad grace,
And loved your beauty with love false or true,
But one man loved the pilgrim soul in you,
And loved the sorrows of your changing face;
Murmur, a little sadly, how Love fled
And paced upon the mountains overhead
And hid his face amid a crowd of stars.
Diário das memórias de cada um
sexta-feira, 2 de abril de 2021
O Mago da Pitangueira 2021 - 1
Nesta semana pascal subi o Monte da Sabedoria em busca de conhecimentos que possam facilitar minha compreensão diante desta realidade líquida do novo mundo ou da nova ordem deste planeta. Fui de encontro ao Grande Mago da Pitangueira, o sábio da natureza humana.
Mestre, eis-me aqui para aprender com sua imensa sabedoria.
- Eis que muito aprendo com você também, meu filho. Diga-me, a subida foi fácil ou difícil?
Difícil, Mestre, muito difícil.
- Então pergunte algo que valha a pena saber.
Mestre, quero saber sobre esta pandemia, onde está e para onde vai a nossa humanidade. O que é tudo isto?
- Veja, meu filho, somente a espiritualidade ajudará na compreensão dos sofrimentos e na construção de significados e propósito à vida.
Mas, Mestre, e o kit-pré-apocalíptico que evita o mal? E as máscaras? E o infesto quixotesco do planalto? E o álcool gel? E o fique-em-casa?
- Vejo que tem as mesmas dúvidas espalhadas em múltiplas perguntas. Vou procurar respondê-las em dois tempos. Primeiro aprenda com David, o grande rei, pai de Salomão, que ensinou - "Livra-me, ó Senhor, do homem mau; guarda-me do homem violento, que pensa o mal no coração; continuamente se ajunta para a guerra." Esta é a chave que abre as comportas da Paz, meu filho.
Puxa, vida, mestre, mas onde está este homem mal?
Em toda a parte, meu filho, uns são fáceis de serem notados, como o que citou, mas 99,9% estão nas sombras, operam silenciosamente, tramam de uma maneira de tamanha engenhosidade maligna, que a culpa recairá sempre sobre um inocente útil.
E o segundo tempo da sua grande resposta, Mestre?
Meu filho, deverão as suas habilidades espirituais serem reconhecidas pela sua consciência racional como essenciais, afinal você é um ser feito à imagem e semelhança, com sua dupla natureza, uma em carne e a outra em espírito. Desta forma a ciência é importante e deve ser respeitada e o cuidado espiritual é indispensável no enfrentamento desta pandemia. Agora vá, e não acredite em quem não acredita que você é um vetor da paz. Se todos os vetores das paz, que são bilhões, se unissem, o mal não teria espaço para avançar.
O Mestre acabou de responder e recolheu-se ao silêncio do seu eremitério. Pela primeira vez desci em lágrimas.
É isto aí!
quarta-feira, 31 de março de 2021
Você sabe que tem algo errado (Paulo Abreu)
sabe
que
tem
algo
errado.
Você sabe
algo em você
algo deturpado
fez tudo errado
sabe, o abraço
equivocado ruim
domingo, 28 de março de 2021
Cartas à Neguinha em tempos de Covid 2
Neguinha, eu amo você! Sim, sei, é uma frase fácil de dizer, mas cá entre nós, tem que ter uma coragem danada para assumir isto e confirmar e reconhecer com firmeza e cravar o testemunho e provar o que está falando e cantar aquela música daquele cara que canta daquele jeito que você adora e rebola magistralmente de uma maneira íntima, pessoal e solitária.
Neguinha, estou com saudade de muita coisa. Saudade da minha infância numa rua descalça e a vida eterna e vadia. Saudade dos seus olhos; saudade das suas mãos delicadas; saudades dos seus beijos; saudades das suas covinhas. Claro que tudo isto uma hora passa, mas tenho a inútil saudade de vinho quente barato com queijo frescal gelado e azeitona com caroço. Mas subo o tom com as saudades de beijar seu pescoço, sua nuca, sua boca.
Neguinha, dia destes, estacionado numa vaga de supermercado, uma mulher se aproximou de mim para pedir algo. Alta, elegante, mas simples no estar e existir. Ao chegar próxima da janela do carona, abri o vidro - entreolhamos, esbocei um sorriso, ela antecipou uma dúvida e perguntei - pois não, senhora? - Puxa vida, ela começou a chorar, ninguém mais me chamou de senhora desde que fui arrastada para as ruas.
Neguinha, queria você ali para me ajudar a entender o mundo dentro daquela dor plural. A dor do mundo estava naquela mulher. Dei um dinheiro a ela, que recusou. Ela se sentiu humana depois de tempos, foi reconhecida como uma senhora. Choramos na nossa impotência - ela em pé no vidro do carona e eu sentado ao volante. Naquele dia e naquela hora queria você ali para me ajudar.
Neguinha, duas semanas depois, passo por uma esquina e vejo aquela senhora desacordada pelas drogas, no chão, sem alguém para elevar seu estado de espírito. Senti uma dor terrível. Não sabia o que fazer, as pessoas passavam para lá e para cá, não tinham pedras nas mãos, mas as carregavam no desdém e no desprezo nítido. Quantas vezes nossa humanidade apenas deseja ser reconhecida como tal? Fiquei ali, parado e abalado, até que uma pessoa se aproximou a levou.
Neguinha, eu amo você! Sim, já disse isto, já escrevi isto, já falei sobre isto, já me olhei pelo avesso procurando a possibilidade de ser um engano, um erro cósmico, um desvio do universo, mas não encontro nada. Eu amo você, suas covinhas e sua existência. Nunca mais outra vez um agora tão difícil como este tempo de vírus letal e ao mesmo tempo instrumento de tortura física, mental, financeira e psicológica. Mas isto fica para outro dia.
É isto aí!
Sabe todos os seus medos? (Paulo Abreu)
Sabe aquele medo da infânciade um monstro sob a cama?Sabe aquele medo da infânciade ter que assumir um erro?Sabe aquele medo da adolescênciade que amar dói e beijo é o delírio?Sabe aquele medo da adolescênciade que um dia seremos adultos?Sabe aquele medo da juventudede perder um grande amor?Sabe aquele medo da juventudede que a maturidade está na esquina?Sabe todos os seus medos?Não são nada perto do que vemNão são nem exercício prévioNão são nada em comparação a istoDe verdade, perdemos o sensode verdade perdemos a humanidadede verdade perdemos a espiritualidadepor um vírus, sem bomba H nem mais nada.
sábado, 27 de março de 2021
O fato é que estou com nojo disto tudo (Paulo Abreu)
Diante de tanta comiseração humana
advém o desgosto, o enjoo e a repulsão
anexadas pela adversidade cruel e má
Semente do tédio, abalos e aflições
As agruras pelo abandono da paz plena em si
o amargor pela cumplicidade fratricida
a amargura de mortes banalizadas ao leo
serão a colheita de uma geração adormecida
Colheremos aqui e ali angústias e atribulações
choque de consciência perdida e enlouquecida
Degustaremos a futilidade da vida estúpida
embrenhada na dor até a comoção da alma
Tardiamente à logística dos contratempos
depois do desagrado geral e pontual
o cínico consolo será hostil, perverso e feérico
como cabem às lendas da falsa consternação
Experimentaremos o desprazer magno
O dissabor do fel da amarga vitória
a dor da existência vazia de sentimentos
em completa desolação interior
insatisfação, mágoa, mal-estar
padecimento, pena, pesar
ressentimento, sofrimento, tribulação
tristeza, ânsia e asco
Eis que valerão as versões invertidas
no fastio desta luta imoral, insidiosa,
Experimentaremos náuseas pela podridão exalada
na agonia plena da repugnância pela abominação
antipatia, desamor, desprezo
estranhamento, execração, horror
ódio, ojeriza, pavor
raiva, rancor e rejeição
Não encontraremos a palavra certa
pela recusa, repúdio e enfado, já arrependidos
pelo nosso lado ciente, prostrados em pranto
É isto aí!
Ausência - Vinicius de Moraes
Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces
Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar uma gota de orvalho desta terra amaldiçoada
Que ficou sobre a minha carne como uma nódoa do passado
Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face em outra face
Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado
Mas eu te possuirei mais que ninguém porque poderei partir
E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada
Fonte do Vídeo: Dani Carvalho
Fonte do poema: Poema Ausência - Vinicius de Moraes
O que há em mim é sobretudo cansaço — (Fernando Pessoa)
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.
A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto em alguém,
Essas coisas todas —
Essas e o que falta nelas eternamente —;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.
Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada —
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...
E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço,
Íssimo, íssimo, íssimo,








