Cartas de Amor 110
Reino da Pitangueira,Planeta Terra&Lua,
3° do Sistema Solar,
Via Láctea, Zona Sul
Querida, vamos falar de desamor.
Sei que assusta falarmos de tema tão indigesto como este que proponho enquanto o tempo vai paulatinamente me desapegando desta existência. Poderíamos rodear a beleza do Ágape, este amor incondicional e altruísta. Mas este amor é você, nunca tive dúvida, nunca imaginei ou cogitei sequer a menor possibilidade de não sermos uma única harmonia.
Quantos sonhos sonhamos acordados na varanda da sala, vendo o dia amanhecer só para admirarmos o quão lindo era aquele espetáculo da estrela tocando nossa atmosfera e explodindo em luz. Adorava ver sua entrega ao novo dia. Sempre linda, ali, ao meu lado.
Hoje trago comigo dias mais curtos e noites mais longas. Ainda aprecio as teias da aranhas. Acho fantástica a trama que tecem, com os orvalhos da manhã a provocar ali naquele pequeno planeta Teia o espectro da luz inabalável. Um da haveremos de nos reencontrar como nos encontramos a primeira vez, dois adolescentes com coragem e com medo de amar e ser livre para ser um do outro.
Querida, quando a vida é preenchida por estes pilares, o desamor é só uma palavra no dicionário, nem cabe o desconforto de dar-lhe palco.
Não sei o dia de amanhã, talvez bilhões de neutrinos ainda passem pelo meu corpo, talvez eu vá com eles até o insofismável infinito. Se por acaso não estivermos mais aqui amanhã, que esta carta seja nossa declaração de amor eterna.
É isto aí!

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