Este espaço existe para você.
Mas só chega até aqui quem deseja chegar.
O Reino ao Pé da Pitangueira nasceu de uma interrupção.
Quando a vida me impôs silêncio, recolhimento e demora, percebi que não se tratava de pausa, mas de travessia. O que começou como um período sabático transformou-se em território. E o território, em reino.
Houve entradas e saídas. Houve desistências.
Antes de encontrar sua voz, este lugar precisou se perder várias vezes. Arquivei textos, apaguei rastros, fechei portas — não por negação, mas por espera. Nada nasce pronto quando é verdadeiro.
Este reino não é vitrine.
Não é rede.
Não é palco.
Aqui não há algoritmos que recompensem o ruído, nem aplausos fáceis que confundam movimento com sentido. Aqui, a cumplicidade é silenciosa. Só permanece quem aceita caminhar sem pressa.
Neste espaço, falo do que me atravessa:
o amor e suas ruínas,
as paixões que inflamam e as que cansam,
o riso inútil, o besteirol necessário,
as dores que não pedem licença,
as sombras que insistem em ficar.
Falo de política como quem observa um teatro trágico.
Falo de cultura como quem recolhe fragmentos.
Falo de musas, delírios e obsessões sem pedir desculpas.
Aqui posso malhar sem emagrecer.
Aqui posso errar sem ser punido pela pressa.
Este reino é diário, mas não é confissão.
É memória em movimento.
É tentativa de dar forma ao que insiste em permanecer estacionado dentro de mim.
Escrevo para não endurecer.
Escrevo para não esquecer.
Escrevo porque a vida, quando não escrita, se dispersa.
O Reino ao Pé da Pitangueira não promete coerência absoluta.
Promete honestidade de percurso.
Não oferece respostas — oferece perguntas que aprenderam a ficar.
Se você chegou até aqui, saiba:
não foi acaso, nem convite.
Foi afinidade silenciosa.
Este reino não cresce para fora.
Aprofunda-se.
E enquanto houver tempo, memória e palavra,
estarei aqui —
ao pé da pitangueira —
contando e recontando
casos, causos
e causalidades.
É isto aí!
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