sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Manual de Queda Livre


Menti muitas vezes quando me tranquilizava com o amanhã  e passava a olhar para um futuro promissor que nunca chegou. Sabe quando você está saltando de paraquedas e por uma fração de segundos tem medo dele não abrir? Naquele instante o seu futuro é o solo, e de uma forma ou de outra a chegada é inegociável.

Não sei guardar segredos, foi o que sempre disse para mim mesmo e isto, de certa forma, auxiliou no processo de só abrir a boca em raríssimas ocasiões. Na infância o médico que me examinou para ver se eu tinha algum problema, deu o diagnóstico mais preciso de toda a minha vida — este moleque não tem nada além de preguiça seletiva. 

Tudo ia bem até encontra-la numa destas esquinas da web, aí em vez de me escudar no diagnóstico clínico preciso, deixei o coração falar em alto e explícito som, e claro, deu merda. Ali senti a possibilidade do paraquedas não abrir e talvez fosse melhor assim. Viver deve ser mais do que isto, só que não sei bem onde abre a porta para achar este caminho certo. 

Garçom, desce mais uma! Hoje estou a fim de desassistir minhas preces. Viver é não ser normal em tempo integral e permitir a loucura eventualmente. Ou isso, ou a rigidez das normas e condutas. Viva a autarquia, a monarquia, as dinastias, a plutocracia. Garçom, outra — e saiba que não estou nada bem e não sei o que é esse sofrimento.

Antes de sair, o garçom fechou a conta e o diagnóstico: o senhor sofre de angústia existencial cotidiana.

É isto aí!


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