quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Cartas de Amor 115


Reino da Pitangueira,
Planeta Terra&Lua,
3° do Sistema Solar,
Via Láctea, Zona Sul

Querida, esta carta está repleta de abstrações.

Calma, meu bem. Olha a pressão, olha a maquiagem, olha as rugas de expressão e, sobretudo, olhe para mim. Pois saiba, minha flor, que a abstração é virtual, mas com efeitos muito reais, visto que é a capacidade que possuímos de pertencermos, mentalmente, um ao outro.

Vamos nos situar num gigantesco navio cruzeiro, em acomodações completas, pelo Atlântico, ignorando os mundos que nos separam e aqueles que nos afastam por diversas razões. Saiba, minha amada, que separar não é a mesma coisa que afastar. Separar é um processo de abstração — daí a validade das cartas de amor. É um ato cognitivo capaz de organizar o pensamento sem alterar a nossa integridade; afastar é apenas um ato físico.

Sendo assim, a arte de separar sem afastar nós dois vem da força da abstração, permitindo-nos navegar pela complexidade do mundo real e eterno que nos enlaça, sem precisar desmontar nossos castelos interiores para entendê-los.

Preciso dizer que não sei não amar você.

Tem dia que tudo o que a pessoa precisa é da outra pessoa: um cafuné na cabeça, um afago na face, um beijo apaixonado e um abraço apertado.

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