sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Os estranhos fatos do outono

 

Era, sei lá, talvez três horas da manhã. Mas e daí? Levantei para ver o relógio e só então percebi que eram quinze horas. Aquilo levantou uma suspeita de que tinha perdido o bonde e a jornada da fadiga. 

Chamei fulana, mas ela não respondeu e nem os fulaninhos estavam em casa. Eram quinze horas de ontem, segundo me revelou o celular. Sentei-me para entender o que se passava. Lembro que olhei as horas antes de dormir. Aquilo me dava uma enorme vantagem para jogar a mega acumulada, pensei.

Só então reparei que não conhecia a casa.  Tudo rodou e acordei numa casa centenária. Uma mulher, suavemente perfumada, com uma fisionomia familiar me dava paz, enquanto segurava minha mão. Olhou para mim e beijou levemente meus lábios. Olhou novamente e perguntou:

 — Meu amor, você sabe onde estamos? O que está acontecendo?

Não sei o que está acontecendo, mas você é o amor da minha vida, deve ser que ganhamos algum presente do céu. Eu também te amo!

Olhei no fundo da existência dela, tocando sua pele sedosa, e respondi —  ter você aqui, ao meu lado, é uma coisa tão linda, que desejo ser eterna. Nunca mais vamos ... girou tudo à minha volta e acordei aqui, onde não tenho a menor ideia de onde é — parece um hotel  Voltei a dormir, e aí  o despertador tocou às cinco e cinquenta.  Estava em casa. 

Fui tomar banho para ficar um pouco  sozinho. Ao vestir a calça, tinha um cartão dela no bolso — volte logo, você também é o amor da minha vida!

É isto aí!

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