Lentamente atravessou a praça da Matriz, conversando, perguntando e respondendo às partes envolvidas no seu sermão panteísta para explicar aos ouvintes a motivação por trás daquela obra. Ali habitam a ciência e a contradição, bradava ao atento pipoqueiro. Subiu ao coreto, saudou o homem cego, a mulher surda e o mudinho da pamonha.
Meu povo, bradou. Meu dileto povo ... com voz embargada de emoção dou a vocês o que há de melhor ... como vou explicar isto?
Safrinha?! Você está aqui? Safrinha?
Silêncio total.
Mudinho, vai buscar água com groselha. Verifique se Safrinha já chegou.
Sentiu um certo mal estar no Coreto, pois era Lua Cheia com Mercúrio Retrógrado. Esta combinação sempre o deixava atordoado.
Tenso e cabisbaixo, desceu e seguiu rumo à outra estátua posicionada diante do centenário templo Dionisíaco para despertar a alegria, as paixões da carne e a própria alma.
Povo da minha terra, assim falou Zaratustra, se não falou, deveria: Busquem dentro de sua mente a verdade e nela estará a resposta para suas dúvidas milenares: de onde vim, onde estou, para onde irei.
Mudinho, traga pamonha para as meninas do Templo, que vou conspurcar meu eu interior no recinto. Um dia, disse, todas elas serão santas no céu.
É isto aí!
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Gratidão!