sexta-feira, 24 de julho de 2026

O Pregador na Praça da Matriz


Eu, do alto da minha magnificência,  autorizo, disse o homem longilíneo e maltrapilho diante da estátua de bronze, antiga e esquecida tanto quanto o personagem de vestes sacerdotais e mão direita apontando para o céu. 

Lentamente atravessou a praça da Matriz, conversando, perguntando e respondendo às partes envolvidas no seu sermão panteísta para explicar aos ouvintes a motivação por trás daquela obra. Ali habitam a ciência e a contradição, bradava ao atento pipoqueiro. Subiu ao coreto, saudou o homem cego, a mulher surda  e o mudinho da pamonha.

Meu povo, bradou. Meu dileto povo ... com voz  embargada de emoção dou a vocês o que há de melhor ... como vou explicar isto? 

Safrinha?! Você está aqui? Safrinha? 

Silêncio total. 

Mudinho, vai buscar água com groselha. Verifique se Safrinha já chegou.

Senti um certo mal estar no Coreto, pois era Lua Cheia com Mercúrio Retrógrado. Esta combinação sempre me deixa atordoado.

Tenso e  cabisbaixo, desci e segui rumo à outra estátua posicionada diante do  centenário templo Dionisíaco para despertar a alegria, as paixões e a própria alma.

Povo da minha terra, assim falou Zaratustra, se não falou, deveria: Busquem dentro de sua mente a verdade e nela estará a resposta para suas dúvidas milenares: de onde vim, onde estou, para onde irei. 

Mudinho, traga pamonha para as meninas, que vou adentrar no recinto.


É isto aí!


 

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