quarta-feira, 1 de julho de 2026

Papo de Esquina - O gerente enfezado

O gerente foi se aproximando da minha mesa e, assustadoramente, mirava os olhos sobre um ponto fixo, que parecia ser eu. Logo eu, mudo, calado, reservado e sempre tentando ser invisível. Por experiências anteriores pensei que, nos segundos seguintes, ele se aproximaria e faria da minha vida um caos em queda contínua.

Andava apressado, corpo rígido e ereto, feito um recém nomeado chefe da turma do batalhão de choque, sendo que aqui é a sala da turma de análise de mercado. Mas ele é um imbecil e sempre confunde alhos com bugalhos da mãe dele.

Para evitar o dano causado por não saber, você, sim, você que por agora lê este inventário não profano, saiba que, desde as eras primeiras da criação da nossa pátria-mãe, a querida Portugal, reza a lenda que a analogia entre alhos e bugalhos deu-se por ser o alho bem conhecido, de bulbo em gomos, e bugalho, uma excrescência em formato de bola que se forma nos ramos de certas árvores.

Bem, pelo menos agora você já tem assunto para quando estiver conversando consigo sobre o número que sonhou, mas não jogou, e, para aumentar o sofrimento, e o que é pior, recusa-se a buscar o resultado oficial.

Voltando ao beócio: cada vez mais perto, cada vez mais próximo, até que, diante da minha mesa, foi direto para a caixa da chave do banheiro de uso restrito, mantido sempre limpo. Correu para lá, impulsionado por gases fétidos terrivelmente tóxicos. A contar pelos gemidos e sons diversos, literalmente esvaziou-se em si mesmo.

Moral da História: nem tudo é o que parece. O gerente era um cagão contumaz, e eu, tenso e assustado, havia esquecido disto.


É isto aí!

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