— Querida, sabia que já viajei de trem bala?
— Amor, você está tergiversando.
— Querida, nunca usei e jamais recorro a subterfúgios para com você.
— Amor, dar desculpas e fazer rodeios é mister da sua existência.
— Querida, nunca evitei dar uma resposta direta e clara sobre quaisquer assuntos levantados por você.
— Amor, você, com esta voz macia e este tom melodioso, está está a evasivar para evitar uma resposta clara.
— Querida, longe de mim ganhar tempo ou enganar você com ferramentas de fuga de diálogos que nos alimentam.
— Amor, Onde você gosta mais de me beijar? Fala a verdade.
— Querida, gosto de toda a sua pela, suas mucosas, seus relevos, sua doçura ...
— Amor, onde você não gosta de me beijar. Fala a verdade ou...
— Querida, tudo bem, não faltarei com a verdade. Não gosto de beijar a sua boca em tempo integral.
— Amor, está brincando, não é?
— Querida, não estou brincando.
— Amor... é brincadeira, não é? (choramingando).
— Querida ... (silêncio)
— Amor, fala o motivo, diz a verdade, pelamordedeus (gritando e chorando)
— Querida, sua boca tem gosto de picles.
— (Silêncio sepulcral entre as partes.)
— Cafajeste, monstro, insensível, adeus, nunca mais outra vez terá meu gosto na sua boca de sapo.
— Boca de sapo quem tem é sua mãe, sua chata.
— Chata é a mocreia da sua irmã.
— Aposto que você nunca beijou outra menina, nem sabe o gosto das minhas amigas.
— Celeste tem sabor de framboesa, Chiquinha tem gosto de glacê e Dadá, tem gosto de cereja.
— Você é um monstro insensível, um pusilânime, só resta o adeus.
— Querida, antes de partir poderíamos ...
— Posso entender o sentido disto?
— Adoro picles na língua...

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