sexta-feira, 3 de julho de 2026

Sobre Picles e o sentido da vida


 — Amor, quando você me beija, o que você sente?

— Querida, sabia que já viajei de trem bala?

— Amor, você está tergiversando.

— Querida, nunca usei e jamais recorro a subterfúgios para com você.

— Amor, dar desculpas e fazer rodeios é mister da sua existência. 

— Querida, nunca evitei dar uma resposta direta e clara sobre quaisquer assuntos levantados por você.

— Amor, você, com esta voz macia e este tom melodioso, está está a evasivar para evitar uma resposta clara.

— Querida, longe de mim  ganhar tempo ou enganar você com ferramentas de fuga de diálogos que nos alimentam.

— Amor, Onde você gosta mais de me beijar? Fala a verdade. 

— Querida, gosto de toda a sua pela, suas mucosas, seus relevos, sua doçura ...

— Amor, onde você não gosta de me beijar. Fala a verdade ou...

— Querida, tudo bem, não faltarei com a verdade. Não gosto de beijar a sua boca em tempo integral.

— Amor, está brincando, não é?

— Querida, não estou brincando.

— Amor... é brincadeira, não é? (choramingando).

— Querida ... (silêncio)

— Amor, fala o motivo, diz a verdade, pelamordedeus (gritando e chorando)

— Querida, sua boca tem gosto de picles.

— (Silêncio sepulcral entre as partes.)

— Cafajeste, monstro, insensível, adeus, nunca mais outra vez terá meu gosto na sua boca de sapo.

 — Boca de sapo quem tem é sua mãe, sua chata.

— Chata é a mocreia da sua irmã.

— Aposto que você nunca beijou outra menina, nem sabe o gosto das minhas amigas.

— Celeste tem sabor de framboesa, Chiquinha tem gosto de glacê e Dadá,  tem gosto de cereja.

— Você é um monstro insensível, um pusilânime, só resta o adeus.

—  Querida, antes de partir poderíamos ...

— Posso entender o sentido disto?

— Adoro picles na língua...

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