quinta-feira, 23 de julho de 2026

Cartas avulsas 33 - Ela não era uma mulher comum


Cartas Avulsas 33
Litterae solutae XXXIII

33ª Carta Avulsa
Reino da Pitangueira,
23 de Julho de 2026
204º dia do calendário gregoriano.
Faltam 161 dias ou 3.896 horas para acabar o ano.

Dia de Santa Brígida
Pôr do Sol às 17H:19min. 
A fase da Lua do dia 23 é Crescente
A estação atual é o inverno


Cartas ao vento costumam chegar nos locais mais secretos do universo, por isso creio que o vento e o tempo se encarregarão de fazer chegar de maneira intacta até aquela mulher, porque ela não era uma mulher comum.
 
Engraçado isto ser um mantra na minha escassa capacidade de entender as mulheres. Mas esta, especificamente, é real, tangível e linda. A verdade é que tudo tem um começo que não dói. Quando o caminho começa a oferecer espinhos, pedras e um desconforto permanente, capaz de destruir até a autoestima, a dor torna-se quase insuportável.

Morri pelo menos umas três vezes. Engraçado que a primeira morte não foi pela experiência dela com outro ser humano. Poderia entender, havia algo nele que não existia em mim, e tudo bem, vida que segue. A tristeza veio quando os termos de ajustamento de conduta passaram  a coexistir com minha nova realidade.

Não era uma mulher comum, destas que fazem questão de que esqueçamos delas. O que machucou, o que maculou, o que transtornou sua existência dentro de mim em tempo integral foi saber que nos amávamos mais do que antes, do que sempre, do que somos e eu não soube administrar o tempo, ficando preso ao continuum.

Hoje, passados séculos, é o mesmo dia de sempre, as mesma horas, a mesma primavera chuvosa. Já não sei mais onde termino e onde ela começa em mim. Queria saber escrever cartas de amor, enviá-las pelo vento até chegar ao tempo de relevar o que passa continuamente em cada sinapse que libero para manter este momento eterno.

Tudo valeu  pena.

É isto aí!


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