quinta-feira, 23 de julho de 2026

Somos todos nautas


Dificilmente voltaria a falar sobre este assunto, mas já que estou aqui, tenho a impressão que isto poderá fazer algo dentro de mim, apesar de não me sentir confortável em dizer as coisas que preciso dizer, mas não quero dizer. 

Senhor ...

Tenho medo, sabe? Tenho medo de não poder mais chorar. É isto. Tenho receio de extravasar todas as minhas sentimentalidades. Desculpe ... já estou a lacrimejar, feito um orvalho no mato da roça. É que às vezes tenho pena de mim.   

Albertinho ...

Pois não?

Acorda, Albertinho. Está dentro de um sonho, e não sou doutor, sou o pipoqueiro do parque.

Sonho? Pipoqueiro? Papai? É você, papai?

Sim, Albertinho, sou eu, seu pai.

Eu morri? 

Não, meu filho. Você está preso neste sonho.

E por onde é a saída?

Feche os olhos, Albertinho.

Acordei numa imensa Caravela medieval, a navegar em mar aberto. Agora me perdi, pensei. Parece que sou eu a caravela indo contra o vento, em um novo caminho que me levará ao próximo sonho. Creio, no fundo, no fundo, que somos todos argonautas, astronautas ou simplesmente nautas.


É isto aí!



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