Senhor ...
Tenho medo, sabe? Tenho medo de não poder mais chorar. É isto. Tenho receio de extravasar todas as minhas sentimentalidades. Desculpe ... já estou a lacrimejar, feito um orvalho no mato da roça. É que às vezes tenho pena de mim.
Albertinho ...
Pois não?
Acorda, Albertinho. Está dentro de um sonho, e não sou doutor, sou o pipoqueiro do parque.
Sonho? Pipoqueiro? Papai? É você, papai?
Sim, Albertinho, sou eu, seu pai.
Eu morri?
Não, meu filho. Você está preso neste sonho.
E por onde é a saída?
Feche os olhos, Albertinho.
Acordei numa imensa Caravela medieval, a navegar em mar aberto. Agora me perdi, pensei. Parece que sou eu a caravela indo contra o vento, em um novo caminho que me levará ao próximo sonho. Creio, no fundo, no fundo, que somos todos argonautas, astronautas ou simplesmente nautas.
É isto aí!
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