Educadamente, ela sorriu para o rapaz e continuou sem se manifestar sobre as probabilidades de chuva na região.
Ele olhou para o horizonte, meio azul, meio cinza; olhou para o alto, limpo, limpo, e finalmente olhou para a moça. Experimentou um leve sorriso, como quem tenta desarmar os alarmes de perigo, varreu o corpo dela com um olhar de conhecimento da área, para finalmente perguntar:
— Você ainda namora com o Oscarzinho da lanchonete?
Ela olhou sem virar o rosto, mantendo uma distância social segura.
— Olha, só estou querendo um sim ou não. Nada complicado.
Sem tirar o olhar enviesado do rapaz, deu um passo à esquerda, virando o rosto para verificar se o ônibus estava se aproximando. Deu sinal e embarcou para seu destino.
No dia seguinte, terça-feira, encontraram-se lado a lado, sem se olharem, sem se analisarem, sem nada.
O ônibus parou. Ele entrou, e ela ficou aguardando o que a levaria ao seu destino. Guardou consigo o horário e o rumo que o rapaz tomou.
Pela primeira vez, achou-o bonito, bem-apessoado e educado, mas ele poderia, ao menos, olhar para ela — e não o fez.
Nos cinco dias seguintes, a cena se repetiu.
A curiosidade aguçou-se na mocinha. Já se sentia segura com a companhia do rapaz. Resolveu tomar coragem.
Olhou diretamente para ele no ponto de ônibus e perguntou, de uma forma suave:
— Quem é o Oscarzinho?
É isto aí!
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