— Você tem aroma de cupuaçu maduro — disse o enamorado diante da moça que, pela terceira vez, entrara em seu sonho.
— Eu gosto de vir aqui, sabe. Há um frescor de outono, com pitadas de primavera.
— Sério? Você vem aqui muitas vezes?
— Só quando você me chama.
— E quando isso acontece?
— Quando, por exemplo, você ouve incansavelmente nossa música e fecha os olhos.
— Mais alguma ocasião para estar aqui?
— Muitas. Como quando você se desliga do mundo ou viaja pelos seus pensamentos de maior candura. Todos esses caminhos fazem você chegar até mim.
— Interessante. Então é você que vejo atravessando a casa e cobrindo-me com um olhar de pertencimento?
— Exatamente. Saio da dimensão dos seus sonhos e materializo o desejo das suas vontades.
— Um dia estaremos juntos?
— Nunca fomos e nunca seremos separados. Não há maldição, feitiçaria, maldade e tantas outras coisas que falam sem saber. Há o amor, e isso basta.
É isto aí!
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