— Sei lá, ainda tenho dúvidas. Conheci um sujeito lá, mas o cara é meio estranho. Esquisito, sabe? Sei lá...
— Ficou e gostou?
— Fiquei, gostei, adorei, descabelei, gritei, amei, enlouqueci, mas o cara é esquisito.
— Ele é feio?
— É lindo, maravilhoso, forte...
— Ele é fraquinho na hora H?
— Viril, potente, másculo, insaciável e dominante.
— Casado?
— Solteiro, solteiríssimo, desimpedido e desenrolado.
— Analfabeto funcional? Semiletrado?
— Que isso, não... Graduado, pós-graduado, experiência internacional...
— Ah, sei... É violento, grosso, mal-educado?
— Que isso! Educadíssimo, elegante, roupa fina, fala baixo e sem vícios de linguagem.
— Olha, Carminha, ele é real? Pode falar...
— Não, com certeza não. Tenho convicção. Mas ele é estranho, sabe... Sei lá, meio esquisito.
— Entendo. Mas o que faz ele ser esquisito?
— Ele... ele... Como falar... Ele...
— Fala, menina, sou sua amiga. Pode falar.
— Ele... ele... Bem, ele não tem tatuagem, não fuma, não fala palavrão, não bebe mais que uma dose, não usa drogas, não tem cárie nem restauração, não tem unha inflamada, o carro é limpo, não canta nem fala sozinho no banheiro, come de boca fechada, mastiga sem fazer barulho, não usa perfume, desligou o celular, não acessou a internet, pagou todas as contas, abriu a porta do carro para mim... Sabe... É muito certinho...
— Credo, Carminha! Que cara esquisito! Só pode ser um ET...
Publicada originalmente em 1 de junho de 2014

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