sexta-feira, 11 de setembro de 2026

O cara esquisito


 — E aí, Carminha? Deu bem na festa da Odete?

— Sei lá, ainda tenho dúvidas. Conheci um sujeito lá, mas o cara é meio estranho. Esquisito, sabe? Sei lá...

— Ficou e gostou?

— Fiquei, gostei, adorei, descabelei, gritei, amei, enlouqueci, mas o cara é esquisito.

— Ele é feio?

— É lindo, maravilhoso, forte...

— Ele é fraquinho na hora H?

— Viril, potente, másculo, insaciável e dominante.

— Casado?

— Solteiro, solteiríssimo, desimpedido e desenrolado.

— Analfabeto funcional? Semiletrado?

— Que isso, não... Graduado, pós-graduado, experiência internacional...

— Ah, sei... É violento, grosso, mal-educado?

— Que isso! Educadíssimo, elegante, roupa fina, fala baixo e sem vícios de linguagem.

— Olha, Carminha, ele é real? Pode falar...

— Não, com certeza não. Tenho convicção. Mas ele é estranho, sabe... Sei lá, meio esquisito.

— Entendo. Mas o que faz ele ser esquisito?

— Ele... ele... Como falar... Ele...

— Fala, menina, sou sua amiga. Pode falar.

— Ele... ele... Bem, ele não tem tatuagem, não fuma, não fala palavrão, não bebe mais que uma dose, não usa drogas, não tem cárie nem restauração, não tem unha inflamada, o carro é limpo, não canta nem fala sozinho no banheiro, come de boca fechada, mastiga sem fazer barulho, não usa perfume, desligou o celular, não acessou a internet, pagou todas as contas, abriu a porta do carro para mim... Sabe... É muito certinho...

— Credo, Carminha! Que cara esquisito! Só pode ser um ET...

Publicada originalmente em 1 de junho de 2014

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