segunda-feira, 13 de julho de 2026

Cartas de Amor 125


Reino da Pitangueira,

Planeta Terra & Lua,

3º do Sistema Solar,

Via Láctea, Zona Sul


Cartas de Amor 125

Epistulae Amoris CXXV


Querida,

Jurei que não voltaria e acabei desconjurando o dane-se. O caso é que não há mais como frear este cérebro em movimento acelerado, ladeira abaixo, no presente contínuo.

Tudo bem. Disse a mim mesmo que a vida é isto que se vê em 15% e aquilo que não se vê em 84%. O restante, esse intrigante 1%, deve ser a força que faz girar a vida e que não joga os dados, como dizia Einstein.

Quantas vezes morri sem saber que estava convicto de haver errado e, no fundo, no fundo, duvidava disso. Quando me reencontrava, ressuscitava com aquele terrível sentimento de que fizera uma enorme besteira.

Saiba, meu bem, que, falando em fundo, há dias em que minha vida entra nas vagas de Nazaré, aquelas ondas gigantes ao norte de Portugal, formando paredões que podem ultrapassar os 25 metros de altura. E só então, no desespero da luta, vejo você, eu e tanta gente tentando manter o equilíbrio para não se afogar nas próprias mágoas.

É inútil fugir desses paredões para abdicar dos problemas, pois isso apenas piora as coisas, provoca novas tempestades e potencializa a ondulação desse imenso oceano de seres e problemas vivos. A solução para uma vida sem sentido não é fugir, mas encará-la e vivê-la em sua totalidade, lutando contra o absurdo com revolta.

Cansei. Envelheci. Enfrentei árduos combates; alguns venci, muitos me machucaram. Hoje tomei uma decisão que, por enquanto, apenas toca um dos pontos mais sensíveis da minha existência.

Querida, descobri que não sei escrever cartas de amor. Não sei explicar esta luta que me habita. Não sei dizer coisas fáceis, escrever coisas óbvias, ler livros chatos, assistir a filmes hipócritas... 

Não sei. Não, não sei mesmo.

Só sei que você é esta profusão de amor em mim.


É isto aí!


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