3º do Sistema Solar,
Via Láctea, Zona Sul
Cartas de Amor 124
Epistulae Amoris CXXIV
Querida, sou poeta sem sê-lo, sou escritor sem sabê-lo
Calma, meu bem, logo explico ou melhor, tento explicar, já que a inefabilidade ecoa por entre os bosques do Reino. Saiba, minha amada, que neste monocrático e democrático reino onde você reside enamorada nos meus sonhos, por sua função aqui dezenas de vezes descrita, a minha escrita — que é para você — vai encontrando seu rumo enquanto caminha, como quem segue uma trilha sem conhecer completamente o destino.
Dia destes escrevi para você, retirado e alterado do contexto original da lindíssima canção da Amália Rodrigues, que tudo isto existe, mas nem tudo isto é triste, e nem tudo isto é fado no caminho solitário por entre as letras que formam nossa história. Hoje estou estranhamente feliz, e devo isto a você.
Não vou me alongar muito nesta manhã. Sinto-me tão ansioso quanto um comandante da Nau que navegará por mares revoltos sem saber como e quando chegará em algum porto seguro.
A carta é breve, mas nela estão todas as palavras que são quase tudo que hoje tenho para dar a você. O que faltar enviarei pelo correio onírico. Aqui está ameaçando neve, frio intenso, ventos fortes e a solidão que virá das noites longas. Quando chegar setembro, com a primavera à porta, quem sabe, colheremos flores juntos?
Querida, não sei não amar você!
Citação incidental de Amália Rodrigues,
Citação da Música: Tudo isto é Fado
Compositores: Anibal Nazare / Fernando Carvalho
Letra de Tudo isto é fado © Musica Del Sur, Musica Del Sur Ediciones
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