segunda-feira, 1 de junho de 2026

Cartas avulsas 31

 


Cartas Avulsas 31
Litterae solutae XXXI

31ª Carta Avulsa
Reino da Pitangueira,
01 de Junho de 2026
153 dias desde o início do ano
Faltam 213 dias para acabar o ano.

Dia Nacional de comemoração da Imprensa no Brasil
Pôr do Sol 17:19. 
Lua na fase Cheia
Estação Outono

Chegará logo o dia de rever você, quando tudo será melhor, mais bonito, mais doce, mais delicado, mais envolvente, mais feliz. É isto então — tudo indo e vindo em todos os vértices da felicidade, feito ondas apaixonadamente lindas.

Serão como sempre foram — românticas e reluzentes, em todas as formas concêntricas e excêntricas de amar você. Tudo incidirá no ponto de encontro entre nós dois, ora em ondas retas, ora em linhas; dezenas, centenas, milhares delas, em curvas que aqui denomino você: a razão da existência do amor.

Daquele dia, daquela hora que virá, o impacto das nossas vidas. Gritarei como um guerreiro defendendo nossa integralidade, batendo com a mão fechada sobre o coração, gritando impropérios contra o... puxa vida, isto é tão estranho, pois nos meus sonhos funcionavam muito bem estas ações e estes eventos primevos.

De repente, ainda bradando, mas abaixando o tom e deixando cair o tacape, não vejo mais você. Não que não esteja aqui, pois está em todos os lugares e dentro de mim, feito a mais perfeita pérola. Percebo estar, verdadeiramente, numa outra dimensão que não tangencia meu querer. Tudo é tão lindo quanto exótico ou inefável, e todas as coisas acontecendo ao mesmo tempo.

Pássaros ou algo do tipo, em plena cantoria, sobrevoam para um ponto infinito. Sinto um frio glacial. E seres indescritíveis, como se estivessem dobrando o universo, seguem no mesmo rumo das aves, como se todos soubessem para onde ir, menos eu. Há medo, e agora lágrimas que aparecem do nada preenchem um imenso vazio em mim. Acho que morri.

Este silêncio, os olhares alhures de pessoas que não são exatamente pessoas. Mas minha consciência ainda me banca; ainda posso ver minhas mãos. Não, espera, não posso ver minhas mãos, mas posso senti-las. Então é aqui a Eternidade. Vou caminhar para ver onde dará esta estrada.


É isto aí!


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