Dei uma olhada na rua antes de sair. Primeiro, olhei pela fresta da janela. Uma janela antiga, de madeira, com venezianas fixas do meio para baixo e vidro do meio para cima, de maneira que, quando as janelas interiores fecham, o ambiente fica escuro.
Subi na cadeira, minha velha amiga, herança da minha avó, e fiz a sondagem da rua, do movimento, das vozes anônimas etc. Tudo certo. Era só sair e atravessar a rua, entrar no Bravo, apelido carinhoso do carro que herdei do meu avô.
Fechei a janela, travei a porta com a barra transversal que corre pelos suportes e, agachado, rastejei até a cozinha, saindo pelos fundos, rente ao tanque.
Corri os olhos e não havia ninguém ali. avancei rapidamente os quatro metros até o muro baixo da vizinha. Bati as mãos na coluna, joguei o corpo e caí de pé em terreno minado. Imediatamente rolei até a porta da cozinha da casa ao lado. Testei a possibilidade de estar aberta, e estava.
Era agora ou nunca. Depois de semanas observando aquela rotina, finalmente chegara o momento. Coração disparado, corpo tenso, ofegante, suor de tensão.
Dei o comando mental - é agora! Levantei e...
— Dudu, Dudu, acorda... Vai chegar atrasado de novo.
Era a patroa me acordando antes de eu pegar a vizinha.
É isto aí!
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