domingo, 31 de maio de 2026

O espião, a tensão e a missão


Dei uma olhada na rua antes de sair. Primeiro, olhei pela fresta da janela. Uma janela antiga, de madeira, com venezianas fixas do meio para baixo e vidro do meio para cima, de maneira que, quando as janelas interiores fecham, o ambiente fica escuro.

Subi na cadeira, minha velha amiga, herança da minha avó, e fiz a sondagem da rua, do movimento, das vozes anônimas etc. Tudo certo. Era só sair e atravessar a rua, entrar no Bravo, apelido carinhoso do carro que herdei do meu avô.

Fechei a janela, travei a porta com a barra transversal que corre pelos suportes e, agachado, rastejei até a cozinha, saindo pelos fundos, rente ao tanque.

Corri os olhos e não havia ninguém ali. avancei rapidamente os quatro metros até o muro baixo da vizinha. Bati as mãos na coluna, joguei o corpo e caí de pé em terreno minado. Imediatamente rolei até a porta da cozinha da casa ao lado. Testei a possibilidade de estar aberta, e estava.

Era agora ou nunca. Depois de semanas observando aquela rotina, finalmente chegara o momento. Coração disparado, corpo tenso, ofegante, suor de tensão.

Dei o comando mental - é agora! Levantei e...

— Dudu, Dudu, acorda... Vai chegar atrasado de novo.

Era a patroa me acordando antes de eu pegar a vizinha.




É isto aí!

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