domingo, 18 de janeiro de 2026

A conta não fecha.



Esqueci as palavras na ordem corrente. Mas sabe quando a gente era pequeno e não sabia fazer barco de papel para brincar no barro e se encantava com a terra tocando nossa alma? Aí as folhas da castanheira se tornavam navios, as formigas seus marinheiros e os sonhos flutuavam de uma maneira tão elegante, tão amiga e a gente não era mais feliz pela ignorância benta de não saber o que era não ser feliz.

Na infância, navegávamos sem entender os números que viriam depois — como se fosse possível, depois, simplificar o mundo em contas que fecham.

Quantas vezes são setenta vezes sete? Esse número mágico — maior que a velocidade da luz — parece simbolizar a extensão do amor e do perdão que buscamos, mesmo quando não conseguimos alcançá-lo plenamente. Perdoar é isto, um gesto de amor na velocidade da luz. Quanto bem faz perdoar e ser perdoado? E as folhas da castanheira desciam o oceano  revolto das chuvas de verão como devem sair de nós estas dores por toda a vida.

“Perdoar-se é um dos desafios mais duros que enfrentamos: falamos isso sem rodeios porque negar a dureza não nos aproxima da cura. é uma luta desigual, nossos erros são fortes, altos, pletóricos e nossa alto-estima é uma bosta quando estamos no campo do perdão. Os olhos marejados, os lábios contraídos, o ar preso, e a dor ... a dor violentamente cruel a nos lembrar de que nunca vamos aprender a lição de que é o único caminho.

Não existe uma fórmula mágica até que um dia você emagrece, rejuvenesce e transcende tudo de repente ao mesmo tempo e seu corpo dolorido vai em direção a uma experimentação única, que trás consigo a resposta de quanto dá setenta vezes sete.

Se cuida. Ué? Acabou? Quanto dá esta conta se tentarmos eleva-la ao quadrado, multiplicá-la pela gravidade de Júpiter, elevar tudo a X! (X fatorial…), ainda assim nunca terá um resultado claro — porque a conta é sua. É por isto que você não entendeu nada. 

Você é o X e é por isto a conta não fecha. Você é a única pessoa que segura peido, medo e lágrimas tudo junto e misturado só para sorrir e os outros acharem que está bem. Por isto a conta não fecha. 

É isto aí!

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