quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Carta de Amor de Victor Hugo para sua amada, Juliette Drouet


JULIETTE DROUET


Carta de Amor de Victor Hugo para sua amada, Juliette Drouet


Victor Hugo, autor de Os Miseráveis e O Corcunda de Notre-Dame, conheceu Juliette Drouet, uma atriz, em 1833. Ela abandonou sua carreira para dedicar-se inteiramente a ele, tornando-se sua musa, secretária e companheira fiel, mesmo durante seus exílios políticos. Esta carta foi escrita em 1835, na manhã de aniversário de Juliette.

Ela é um exemplo sublime de devoção romântica e literária. Hugo escreveu milhares de cartas para Juliette ao longo de quase 50 anos de relacionamento.


Por que esta carta é tão famosa e poderosa?

Intensidade Romântica: Ela captura a essência do amor romântico do século XIX: devoção absoluta, fusão de almas e elevação do amado à condição de divindade.

Contraste com a Vida Real: Hugo, embora profundamente apaixonado por Juliette, era infiel e tinha uma família. A carta revela a complexidade do coração humano, capaz de uma paixão avassaladora e, ao mesmo tempo, de contradições.

Testemunho de Durabilidade: Apesar dos altos e baixos, o relacionamento deles durou quase cinco décadas, até a morte de Juliette em 1883. Hugo ficou devastado. Esta carta é a semente de um amor que resistiu ao tempo.


Paris, 16 de fevereiro de 1835.

Minha adorada Juliette,

Escrevo-te estas poucas linhas, que certamente não conseguirás ler hoje, sobre esta mesinha que tem estado tantas vezes sob os meus olhares e sob as minhas mãos enquanto eu escrevia.

O dia de hoje é um dos mais gloriosos e importantes da minha vida. Faz precisamente três anos, minha querida alma, que tu pertences a mim. Três anos! São três séculos de felicidade! Tu tens-me dado três anos de um amor constante, profundo, terno, devotado, encantador, delicioso.

Desde esse dia bendito em que te possuí, todo o meu ser gravita em torno do teu. A minha vida tem o teu coração como centro, o teu amor como único horizonte.

Antes de ti, não tinha vivido. És tu que fazes a minha grandeza, a minha força, a minha coragem, o meu gênio. Por ti, sou bom e sou grande. Tu és a minha vida e a minha alegria.

Como é belo, sublime e terno este longo compromisso das nossas duas almas! Amar, ser amado, é a felicidade suprema. Tu tens-me tornado o mais feliz dos homens desde o dia em que te disse: "És a minha" e tu me respondeste: "Sou tua".

Nestes três anos, a tua fidelidade tem sido inabalável, a tua dedicação sem limites, a tua ternura sem mácula. Tu és a minha fortuna, a minha esperança, a minha consolação.

Que Deus te abençoe, minha Juliette! Que Ele te conceda os anos que me conceder a mim! Que possamos viver e morrer juntos! Que a morte, quando vier, não seja para nós senão um novo e mais íntimo abraço no céu!

Enquanto isso, amo-te, adoro-te, bendigo-te. Coloco-te acima de tudo. Os meus beijos cobrem os teus lindos pés que tanto têm caminhado para mim, as tuas mãos abençoadas que tanto têm trabalhado para mim, os teus olhos divinos que tantas lágrimas têm derramado por mim, a tua testa sublime, os teus lábios que tantas vezes têm sorrido para mim, a tua alma que não vive senão para mim.

Amo-te! Nunca deixes de amar-me, minha muito amada. Sê sempre a minha Juliette.

Teu, para sempre,

Victor.


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