Assim que clareou o dia, senti uma dor imensa tomando o lado direito do corpo. Aquilo não era normal. Tentei me levantar, mas o corpo não obedeceu. Apesar da dor unilateral, todo o meu ser parecia conspirar contra mim. Pensei em muitas coisas que se pode fazer numa situação dessas — e nenhuma tinha o aval do corpo para ser executada.
Estou sozinho, pensei. Não alcanço o celular — carregando ou já carregado — sobre a estante, do lado adverso da cama. A moça da limpeza não virá hoje. Quem daria falta da minha existência nesta manhã? Tentei voltar a dormir, mas a ansiedade, o medo e a tensão superavam qualquer desejo de repouso.
Vejamos coisas para se fazer… casar, talvez, evitaria esta situação. “Não, não, melhor que não — isto aqui passa e casamento tem essa tese pétrea de que é para sempre, enquanto dure.”. E então o despertador do celular faz o que sabe fazer de melhor: tocar. Tocar. Tocar.
Preciso me lembrar de parar com essa mania de desligar o alarme dormindo e, algum tempo depois, acordar assustado e atrasado, seja lá qual for o destino da manhã. Da cozinha, escuto o som da torradeira liberando duas fatias de pão integral e, logo em seguida, a cafeteira fazendo o que sempre faz — indiferente à minha possível morte, fazem a sua parte.
Pensei na Candinha, na Fernanda e numa especial que não posso citar, por recomendação do meu analista, e que eu daria tudo agora para ter dormido comigo esta noite. Acho que morri — ou estou próximo disso. Engraçado: não sinto o coração, não sinto a respiração. Agora está ficando tudo escuro. Maldito vinho.
De repente — não mais que de repente — recebo uma chinelada na perna esquerda, seguida de outra, ainda mais forte.
— Júnior, levanta, seu preguiçoso. Aqui não é hotel. Passa logo para o banho e se vira. E para com essa mania de se atrasar todo dia. Sai. Vaza daqui e corre atrás do seu serviço.
Levantei sem entender como. O corpo, antes falido, obedecia agora com a disciplina de quem teme uma nova chinelada. Tomei banho, me vesti e saí. O mundo seguia funcionando, apesar de mim.
Odeio as segundas-feiras...
É isto aí!

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