sexta-feira, 14 de abril de 2017
João amava Lourdes que amava João
Lourdes amava João.
Ele falante alegre,
Ela risonha discreta.
Ele flertava com beijos
Ela somatizava desejos.
Ele analfabeto das letras
Ela letrada da vida
Ele entendia as coisas
Ela traduzia os fatos
Ele emitia sinais
Ela entendia no ato
Ele escutava música
Ela ligava nas notícias
Ele não queria festa
ela sossegava sua ânsia
Ele queria sexo
Ela o envolvia em amor
Ela fazia massagens
E ela adorava sacanagens
Ele não tinha amigos
Ela afastava a solidão
Ele beijava onde dava
Ela abraçava seu coração
Ele a queria sempre
E ela o queria louca
João amava sua Lourdes
Lourdes amava seu João.
João morreu de acidente
Lourdes morreu de paixão.
Encontraram-se no céu
Logo deram-se as mãos
Tocaram-se incrédulos
Sentiram da vida a pulsão
João amava Lourdes
Lourdes amava João.
É isto aí!
Ele falante alegre,
Ela risonha discreta.
Ele flertava com beijos
Ela somatizava desejos.
Ele analfabeto das letras
Ela letrada da vida
Ele entendia as coisas
Ela traduzia os fatos
Ele emitia sinais
Ela entendia no ato
Ela ligava nas notícias
Ele não queria festa
ela sossegava sua ânsia
Ele queria sexo
Ela o envolvia em amor
Ela fazia massagens
E ela adorava sacanagens
Ele não tinha amigos
Ela afastava a solidão
Ele beijava onde dava
Ela abraçava seu coração
E ela o queria louca
João amava sua Lourdes
Lourdes amava seu João.
João morreu de acidente
Lourdes morreu de paixão.
Encontraram-se no céu
Logo deram-se as mãos
Tocaram-se incrédulos
Sentiram da vida a pulsão
João amava Lourdes
Lourdes amava João.
É isto aí!
quinta-feira, 13 de abril de 2017
quarta-feira, 12 de abril de 2017
Como nascem os mitos
Detesto rótulos, portanto não me rotule, murmurou baixinho ao ouvido da entrevistadora, e isto é uma ordem.
Entendo!
Entende mesmo? Se está falando só para me agradar, cale a boca e escute.
Certo.
Certo, senhor! É assim que uma moça se dirige a uma autoridade constituída, entendeu?
Sim, senhor!
Ótimo, vamos lá!
Senhor, quais serão as suas primeiras ações governamentais, se eleito?
Primeiro não existe o "se". Eu sou o eleito, o ungido, o escolhido, o salvador da pátria amada, salve salve lindo pendão da esperança,
Desculpe, senhor, uma vez tomando posse do que é seu por direito, quais serão as sua iniciativas?
Acabar com favelas, com pobres crônicos, com filas em unidades de saúde e assistência social, eliminar núcleos onde só uma determinada e inferior parcela da sociedade vive sob os auspícios do grande e único poder branco, inteligente, ereto e viril, eliminar adversários e afastar dos amigos.
Alguma coisa poderá ser adiantada sobre o modus operandi destes feitos, senhor?
Não pergunte, e não é da sua conta, pois você ainda está contaminada com o saber destas escolas comunistas de formação acadêmica. Além disto, detesto narcisistas, balconistas, golpistas e falsos moralistas.
Alguma correlação, senhor?
Não me interrompa! Cale a boca e apenas faça a sua função. Eu detesto feministas intrometidas, homens fracos casados com mulheres fartas e políticos polutos.
Mais alguma coisa, senhor?
Sim! Odeio professorazinhas de história, filosofia e gramática, bem como titulados com mestrado e doutorado..
O senhor teria algo mais a acrescentar, senhor?
Detesto maniqueistas, budistas, sufistas e neurologistas.
Neurologistas, como assim, senhor?
Precisava de uma rima convincente e achei que esta caiu bem.
Ficou bom, muito bom ... gostei! Posso divulgar no grupo de manipulação midiática, senhor?
Pode, mocinha, pode, mas coloca o autor, que sou eu, o único macho alfa capaz de deliciar os prazeres das mulheres desta pátria amada, idolatrada e também o único capaz de silenciar a classe comunista, socialista, contista, rentista, contabilista, esquisita, celetista e empregatícia que assola esta nação
E assim nascem as lendas e os mitos da grande rede vazia de ideias e de conteúdos ,,,
É isto aí!
terça-feira, 11 de abril de 2017
“Onde se queimam livros, acaba-se queimando pessoas.” Heinrich Heine (1797-1856)
![]() |
| Queima Livros pelos Nazistas 1933* |
Subi a Colina do Bom Senso buscando uma explicação literária para o que ocorre na vizinhança e o que vejo na terra que tem palmeiras e onde canta o sabiá (e silencia a sabiá) é um fenômeno catártico, ainda não drástico, pelo menos por enquanto.
Vários elementos se amontoam feitos folhas mortas em ballet de vento, mas são apenas isto - folhas mortas de páginas não lidas que estão sendo queimadas para que a maculada história seja apagada.
Tem um Dorian Gray que sofre muito por entender que sua beleza irá eventualmente desaparecer, e desta forma expressou recentemente o desejo de vender sua alma, para garantir que o retrato, em vez dele, envelheça e desapareça. Assim seguirá uma vida libertina de experiências variadas e amorais; enquanto seu retrato envelhece e regista todos os pecados que corrompem a alma.
Em outro patamar, vem ao caso um Julien Sorel , um jovem que não era alinhado ao establishment, mas que tratou de subir na vida, apesar do seu nascimento plebeu de origem afrodescendente, através de uma combinação de talento, trabalho duro, engano e hipocrisia, apenas por encontrar-se atraído por paixões externas, ocultas e secretas que lhe concedem poder e prazer.
Falando em poder e prazer, há aqui um plágio grotesco de Fausto, temos o nosso Calabar Caipira, que uma vez pactuado com Mefistóteles para ser feliz ao lado de uma moça bela, recatada e do lar, desejou destruir tudo e todos. Fausto de Goethe foi ao Paraíso enquanto o infeliz e grotesco clone de Calabar é o anti-herói que não tem nenhum interesse de obter passagem ao céu.
É isto aí!
Sobre a foto postada:
Sobre a foto postada:
*Fonte - Milton Ribeiro
Entre os dias 10 de maio e 21 de junho de 1933, logo após a chegada ao poder de Adolf Hitler, foram organizadas centenas de queimas de livros em praça públicas com a presença de entusiastas, polícia e bombeiros e representantes do governo.
Tudo o que fosse crítico ou se desviasse da orientação nazista, deveria ser destruído. Os incêndios ocorreram por iniciativa do diretório nacional de estudantes nazistas.
Entre os livros queimados pelos nazistas estavam obras de Thomas Mann, Heinrich Mann, Walter Benjamin, Bertold Brecht, Erich Kästner (que, anônimo, assistia a tudo), Robert Musil, Erich Maria Remarque, Joseph Roth, Nelly Sachs, Franz Werfel, Sigmund Freud, Albert Einstein, Karl Marx e Heinrich Heine.
Oskar Maria Graf não foi incluído na lista. Seus livros não somente não foram banidos como até foram recomendados pelos nazis. Em resposta, ele publicou um artigo intitulado “Verbrennt mich! (queimem-me) no jornal vienense “Arbeiter-Zeitung” (Jornal dos Trabalhadores). No ano seguinte, foi atendido.
A opinião pública e a intelectualidade alemãs ofereceram pouca resistência à queima. A burguesia tomou distância, passando a responsabilidade aos universitários. Também os outros países acompanharam a destruição à distância, chegando a minimizar a queima como resultado do “fanatismo estudantil”.
Entre os dias 10 de maio e 21 de junho de 1933, logo após a chegada ao poder de Adolf Hitler, foram organizadas centenas de queimas de livros em praça públicas com a presença de entusiastas, polícia e bombeiros e representantes do governo.
Tudo o que fosse crítico ou se desviasse da orientação nazista, deveria ser destruído. Os incêndios ocorreram por iniciativa do diretório nacional de estudantes nazistas.
Entre os livros queimados pelos nazistas estavam obras de Thomas Mann, Heinrich Mann, Walter Benjamin, Bertold Brecht, Erich Kästner (que, anônimo, assistia a tudo), Robert Musil, Erich Maria Remarque, Joseph Roth, Nelly Sachs, Franz Werfel, Sigmund Freud, Albert Einstein, Karl Marx e Heinrich Heine.
Oskar Maria Graf não foi incluído na lista. Seus livros não somente não foram banidos como até foram recomendados pelos nazis. Em resposta, ele publicou um artigo intitulado “Verbrennt mich! (queimem-me) no jornal vienense “Arbeiter-Zeitung” (Jornal dos Trabalhadores). No ano seguinte, foi atendido.
A opinião pública e a intelectualidade alemãs ofereceram pouca resistência à queima. A burguesia tomou distância, passando a responsabilidade aos universitários. Também os outros países acompanharam a destruição à distância, chegando a minimizar a queima como resultado do “fanatismo estudantil”.
Os estudantes e membros das SA e SS participaram destes festins. As entidades estudantis NSDStB e ASTA competiram entre si, numa tentativa de uma mostrar-se melhor que a outra. A maioria dos livros queimados pertenciam à bibliotecas públicas. Eles eram de autores “pouco alemães”. O poeta nazista Hanns Johst foi um dos que justificou a queima, logo depois da ascensão do nazismo ao poder, com a “necessidade de purificação radical da literatura alemã de elementos estranhos que possam alienar a cultura alemã”.
segunda-feira, 10 de abril de 2017
Haiti - Caetano Veloso e Gilberto Gil
Quando você for convidado pra subir no adro
Da fundação casa de Jorge Amado
Pra ver do alto a fila de soldados, quase todos pretos
Dando porrada na nuca de malandros pretos
De ladrões mulatos e outros quase brancos
Tratados como pretos
Só pra mostrar aos outros quase pretos
(E são quase todos pretos)
Como é que pretos, pobres e mulatos
E quase brancos quase pretos de tão pobres são tratados
E não importa se os olhos do mundo inteiro
Possam estar por um momento voltados para o largo
Onde os escravos eram castigados
E hoje um batuque, um batuque
Com a pureza de meninos uniformizados de escola secundária
Em dia de parada
E a grandeza épica de um povo em formação
Nos atrai, nos deslumbra e estimula
Não importa nada:
Nem o traço do sobrado
Nem a lente do fantástico,
Nem o disco de Paul Simon
Ninguém, ninguém é cidadão
Se você for ver a festa do pelô, e se você não for
Pense no Haiti, reze pelo...
O Haiti é aqui
O Haiti não é aqui
E na TV se você vir um deputado em pânico mal dissimulado
Diante de qualquer, mas qualquer mesmo, qualquer, qualquer
Plano de educação que pareça fácil
Que pareça fácil e rápido
E vá representar uma ameaça de democratização
Do ensino de primeiro grau
E se esse mesmo deputado defender a adoção da pena capital
E o venerável cardeal disser que vê tanto espírito no feto
E nenhum no marginal
E se, ao furar o sinal, o velho sinal vermelho habitual
Notar um homem mijando na esquina da rua sobre um saco
Brilhante de lixo do Leblon
E ao ouvir o silêncio sorridente de São Paulo
Diante da chacina
111 presos indefesos, mas presos são quase todos pretos
Ou quase pretos, ou quase brancos quase pretos de tão pobres
E pobres são como podres e todos sabem como se tratam os pretos
E quando você for dar uma volta no Caribe
E quando for trepar sem camisinha
E apresentar sua participação inteligente no bloqueio a Cuba
Pense no Haiti, reze pelo
O Haiti é aqui
O Haiti não é aqui
sábado, 8 de abril de 2017
Na idade do lobo
- Então ... eu vim aqui para dizer o que eu não consigo dizer do que sinto por você quando quero dizer algo, pois sempre acho que isto poderá prejudicar nossa relação.
- Olha só, você ama o impossível, eu sou comprometida com outra pessoa que é o único que não posso decepcionar.
- Mas eu te amo, e isto me dói muito.
- Tem dias que não existem emoções, nem pensamentos: só dor, então seu amor pode ser apenas um processo restritivo.
- Seus olhos, dois fachos de luz da sua alma a iluminar minha vida, a irradiar felicidade na minha tristeza.
- Se meus olhos mostrassem a minha alma, todos, ao me verem sorrir, chorariam comigo.
- Eu me cobro muito do porquê te amar tanto assim sem esperar nada em troca.
- Exige muito de você. Evitará muitos aborrecimentos se me esquecer.
- Minha alma esta doente, me sinto em coma, coma induzido pela tristeza profunda que sinto.
- Você é um homem com quarenta anos, bom, trabalhador, competente, só que eu não sou a mulher dos seus sonhos, não posso ser e não serei jamais a mulher da sua vida, da sua rua, do seu bairro ...
- E eu acreditei que viveria na alegria, e nos meus pensamentos tinha você comigo, mas na vida real é muito dura e sua imagem viva sempre vem acompanhada de uma tristeza sem fim.
- Pare com isto. Eu não te amo, eu não te quero, eu não desejo estar ao seu lado.
- Tudo bem. Nunca mais outra vez nunca mais! Mas eu te amo, e isto me dói muito ...
- Quer saber, fique com a sua dor e eu fico com minha vida - adeus!
- Espere, volte aqui, você uniu minha dor à sua vida? Foi isto? Há esperança, então? Volte, volte... me explique isso ...
- Aff ...
É isto aí!
quinta-feira, 6 de abril de 2017
Cartão de Crédito - Como roubar legalmente sem ser incomodado
Meu cartão de crédito mandou vários e-mails me convencendo a dividir meu débito deste mês em 12 parcelas com juros especiais de apenas - apenas 11,99% ao mês, pois para clientes que não contam com nosso desconto especial os juros são de 12,44% ao mês
Como tenho controle sobre meus gastos, isto não ocorrerá, mas cá para nós - Não passam de ladrões vinculados ao crime organizado destes que o d'atena fala neles todo dia.
Abaixo reproduzo os encargos financeiros que vêm na conta.
O que estas empresas fazem por aqui, em seus países sede, na Europa ou América do Norte o levariam para a cadeia:
Encargos Financeiros
Encargos de refinanciamento para 30 dias 17,39% am ou 584,81% aa
CET do financiamento da fatura: 651,17% aa
Encargos de saque à vista: 9,99% am
CET para parcelamento da fatura: 12,44% am ou 308,36% aa
Encargos por atraso: 21,99% am ou 986,15% aa
CET encargos por atraso: 75,40% aa
Encargos em caso de pagamento mínimo R$ 347,14
CET Saque à vista 10,97% am ou 240,61% aa
CET Pagamento de contas 1,03% am ou 12,82% aa
É isto aí!
quarta-feira, 5 de abril de 2017
Profissionais da Terceirização - A Decepcionista

Como o presidento em trânsito determinou a terceirização como praxe na pátria amada, hoje vamos falar de uma que será muito requisitada.
A Decepcionista:
A Decepcionista é a profissional responsável por atuar com atendimento ao público em geral e às pessoas específicas em particular (amigas, inimigas, amigos, pretendentes, etc).
Deverá promover uma decepção ética e altruísta em telefones, smartphones, em hotéis, motéis, pousadas, passeios e parques temáticos, hospitais, pronto-socorros, maternidades e ambulatórios, bem como em consultórios odontológicos e de psicanálise. Deverá evitar decepções em bancos, aeroportos e shoppings por motivo de segurança pública.
Deverá frequentar velórios com o máximo de assiduidade possível.
O que mais faz ou desfaz uma Decepcionista?
Uma Decepcionista realiza agendamento de gafes, equívocos, manotas e mal-entendidos, além de desorientar a chegada e a partida de pessoais próximas, distantes, apaixonantes e principalmente alvos de conquista.
Estão entre as principais responsabilidades atuar na decepção propriamente dita, atender e filtrar ligações amorosas, comerciais e virtuais; anotar recados estranhos e agendar visitas fora de hora com pessoas estranhas ao ambiente.
Deverá também se responsabilizar pela devolução de materiais vencidos com defeito, fazer petições públicas, fazer o direcionamento de ligações perigosas entre partes envolvidas, envio e controle de mensagens por whatsapp, prestar apoio tático em ilações embaraçosas, monitorar e desorientar o controle emocional dos envolvidos. Prestará apoio na desorganização e no caos, na gestão de finais infelizes e até em ligações insistentes da ex, do ex ou outrem de igual valor.
Deverá deletar documentos importantes e arquivar os segredos pessoais do objeto alvo, apagar dúvidas e distribuir incertezas, não responder perguntas gerais e principalmente as específicas sobre suas funções.
Em casos intrínsecos poderá direcionar as perguntas para outros envolvidos desqualificados a responder, que enviarão e produzirão mensagens mentindo ou desmentindo, e sobretudo organizá-los (os desqualificados) a distribuir as decepções em níveis de prioridade até chegar ao destinatário final,
Está qualificada também para executar arquivamento de cartões de amor, marcas de batom, reuniões secretas, e finalmente controlar todas as chaves e senhas que contenham registro de informações comprometedoras.
Está qualificada também para executar arquivamento de cartões de amor, marcas de batom, reuniões secretas, e finalmente controlar todas as chaves e senhas que contenham registro de informações comprometedoras.
O ideal é que seja graduada em Decepções por uma das inúmeras qualificantes Escolas Politécnicas sem Partido criadas e multiplicadas pelos homens de bem da pátria amada.
É isto aí!
A indignação dos ratos do bem
![]() |
| Salvador Dali - A face da guerra - 1940 |
Fiz isto motivado (se é que isto é possível) dado as parvoíces em escala imensurável promovidas e provocadas pelos bestiais ratos do bem de sempre.
Do alto da colina ocorreu-me um caso que escutei num ambiente social, destes de presença compulsória. Contava-se entre gargalhadas de uns e prantos de viúvas ao fundo, que tempos atrás, segundo confidenciou um amigo de uns amigos de amigos e amigas, um dos ratos do bem, da nata sobrenadante de resíduos sólidos da alta sociedade, teve acesso a um drama digno análise, nas areias de determinada praia de determinada cidade de determinado estado de Pindorama.
Este rato, condenado a ser um coadjuvante eterno, auto-proclamou-se triunfantemente como o "Rato dos homens de bem", Em função de uma série de fatos que geraram seu rico acervo mental, um deles veio a público num dia chuvoso, quando manifestou um desejo incontrolável (ao erário) de ser um mito da modernidade pindorâmica.
Este rato, condenado a ser um coadjuvante eterno, auto-proclamou-se triunfantemente como o "Rato dos homens de bem", Em função de uma série de fatos que geraram seu rico acervo mental, um deles veio a público num dia chuvoso, quando manifestou um desejo incontrolável (ao erário) de ser um mito da modernidade pindorâmica.
Mas como as coisas erradas sempre terminam erradas, segundo informações constantes da lenda urbana, ele perdeu esta oportunidade e desde a fatídica data ficou obcecado pelo pensamento de que aconteceria alguma coisa de desagradável, alguma coisa de dolorosa às duas coisas que ele mais ama - seu poder nas areias paradisíacas da corte imperial ou a uma amada, idolatrada, salve-salve conta no exterior.
Reza a lenda, daí a semelhança, que seu maior medo paranóico era que ratos entrassem em sua ética aparente, pudica à distância, etc e tal,
Daqui, da Colina do Bom Senso, fiquei com a impressão de que a sua piscina já está cheia de ratos .há muitos anos ...
E viva Nelson Rodrigues - a pátria de chuteiras tem complexo de viralatas, e daqui da Pitangueira arremata-se: daí só bate panela para a senzala e a choldra.
E pelo complexo de viralatas, citarei um pensador inglês - sim meus amigos e amigas, os ingleses não só sacaneiam, eles também pensam:
“Nenhum poder governamental pode ser abusado por muito tempo. A espécie humana não tolera isso. Existe um remédio na natureza humana contra a tirania que nos manterá a salvo sob toda forma de governo.”
É isto aí!
terça-feira, 4 de abril de 2017
Inferno feminino
Alto lá
Este poema não é meu
Copiei e colei
Autora - Rita Grego (RJ)
Fonte - Gregos e Troianos blog
Salve os dias assim...
que sem aparente razão
despertamos transbordantes...
de fé
de gana
de força
de sonhos
de coragem
de paixão
de desejo
de beleza
de criatividade
de sorrisos
de novidade
de amor
de vida...
Mas... de repente...
Lá pelo meio do dia!!
Bem na hora da Ave Maria,
acontece o revertério!
Os sentimentos reluzentes
da manhã transbordante,
tal qual trabalho encomendado,
transformam-se misteriosamente!
A cólera, a fúria, a impaciência,
a angustia, a carência,
a ansiedade,
o choro injustificável, exagerado...
descontrolado
instalam-se para a vespertina agonia!!
Que, com a chegada da noite,
Lentamente se dissipam!
E aos poucos vem se encaixando a harmonia,
o equilíbrio, a sensatez, a calmaria!
Ai,ai...
Esses demônios
a quem chamamos de hormônios!!
Este poema não é meu
Copiei e colei
Autora - Rita Grego (RJ)
Fonte - Gregos e Troianos blog
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| Fonte - Bella Oliveira |
Salve os dias assim...
que sem aparente razão
despertamos transbordantes...
de fé
de gana
de força
de sonhos
de coragem
de paixão
de desejo
de beleza
de criatividade
de sorrisos
de novidade
de amor
de vida...
Mas... de repente...
Lá pelo meio do dia!!
Bem na hora da Ave Maria,
acontece o revertério!
Os sentimentos reluzentes
da manhã transbordante,
tal qual trabalho encomendado,
transformam-se misteriosamente!
A cólera, a fúria, a impaciência,
a angustia, a carência,
a ansiedade,
o choro injustificável, exagerado...
descontrolado
instalam-se para a vespertina agonia!!
Que, com a chegada da noite,
Lentamente se dissipam!
E aos poucos vem se encaixando a harmonia,
o equilíbrio, a sensatez, a calmaria!
Ai,ai...
Esses demônios
a quem chamamos de hormônios!!
segunda-feira, 3 de abril de 2017
Há luz no fim deste golpe!
Alto lá - este texto não é meu
Copiei e colei
Autor - Reginaldo Moraes
http://brasildebate.com.br/author/reginaldomoraes/
Fonte - http://brasildebate.com.br/o-que-a-carne-fraca-e-o-projeto-de-terceirizacao-ensinam-a-esquerda/
Copiei e colei
Autor - Reginaldo Moraes
http://brasildebate.com.br/author/reginaldomoraes/
Fonte - http://brasildebate.com.br/o-que-a-carne-fraca-e-o-projeto-de-terceirizacao-ensinam-a-esquerda/
O escândalo da “Carne Fraca” mostrou várias coisas ao mesmo tempo. Antes de mais nada, escancarou a luta pelo protagonismo dentro da Polícia Federal – cada delegado querendo aparecer mais do que o outro. A qualquer custo. Depois, a tentativa de chantagear políticos, pela mesma instituição: primeiro, um recado ao ministro da Justiça, supostamente “chefe” da PF; quando outro ministro criticou a PF, reação parecida.
Depois veio Blairo Maggi – que Deus o tenha e o Diabo o receba. Não constava em delações, no dia seguinte a suas declarações, passou a constar. E os delegados fizeram questão de alertar: o que vazamos é apenas parte de nossa munição. O estado policial foi deslanchado com os golpistas e agora reina absoluto. Manda recados via vazamentos.
Será que alguém, fora Poliana, achava que a indústria da carne era pura e saudável? Ora, será que alguém pensa algo semelhante sobre o leite, os pães, os remédios, as frutas e legumes? Existe alguém que pelo menos não suspeite que comemos venenos e falsificações todo dia? Será que alguém imagina que alguma dessas grandes corporações paga em dia e integralmente os impostos e taxas? Será que alguém sonha que em algum dia o reino dos fiscais era imune às gracinhas dos fiscalizados? Só agora nos “escandalizamos” com essas “revelações”?
Neste episódio, argumentos sobraram de todos os lados. Sobre as maldades dos carniceiros – óbvias. Sobre as vantagens dos competidores internacionais com este choque – igualmente óbvias. Sobre a briga de bastidores para ocupar espaço, mídia e poder – algo também muito óbvio.
O que não apareceu – e, no entanto, deveria ser óbvia – é a necessidade de criar canais permanentes e ampliados de “transparência”, essa palavra tão utilizada e tão cínica. Vou sugerir um deles, que venho repetindo faz tempo.
Por que não temos, no Brasil, uma representação dos trabalhadores na gestão das empresas – como em outros países que se livraram de ditaduras fizeram? É o caso de perguntar por que não temos eleição de comitês de empresas, com trabalhadores eleitos diretamente pelos seus companheiros, com mandato e estabilidade, com direito a inspecionar e divulgar as informações sobre a empresa: de quem compra, quanto vende, quanto paga de impostos, e assim por diante. Por que delegar a exclusivos fiscais do estado – por mais honoráveis que sejam – a vigilância fiscal, sanitária, ambiental e trabalhista?
Mais uma vez – estou ficando repetitivo – sugiro que os ativistas sindicais brasileiros, aqueles que ainda restam, deem uma olhada na legislação que a social-democracia alemã traduziu e entregou aos parlamentos espanhol português, depois da queda das ditaduras. Sim, só traduziu, não precisou nem inventar. Pode ser um ponto de partida. Até porque a representação trabalhista que temos é claramente envelhecida, burocratizada e, agora, se desmancha diante da pulverização do mercado de trabalho, graças à terceirização, automação e subcontratação.
Clique para contribuir!
Diante de escândalos como este, da Carne Fraca, está mais do que na hora de colocar na agenda um conjunto de propostas de esquerda. Que não apenas aumentem a regulação política dos interesses econômicos. Mas, também, oxigenem esta representação política.
Sindicalistas: ou mudam ou morrem de inanição
E já que estou no tema, aproveito para pegar carona em outro evento relevante do momento. O Congresso mercenário acaba de aprovar uma lei de desregulamentação e pulverização do mercado de trabalho, a chamada terceirização do fim do mundo. É um passo importante, mas é um passo numa caminhada que vem desde muitos anos. Faz tempo que o mercado de trabalho vem sendo esquartejado por operações do capital – via legislação e também via reengenharia das empresas. O resultado foi a fragmentação das categorias e o enxugamento das bases de muitos sindicatos, que viam seus representados e filiados escorrerem pelos dedos. A legislação recém aprovada dá um novo tranco – bem mais forte – nessa direção.
Os ativistas sindicais – aqueles que ainda existem – devem pensar rapidamente em criar ferramentas e formas de organização que respondam a esse desafio. Fenômenos semelhantes em outros países – como os Estados Unidos – podem servir de alerta ou inspiração.
No cenário americano, ao lado desses vetores que apontamos – automação, terceirização, subcontratação, migração de plantas – ainda se somou a massiva imigração latina, a terceira onda de migração daquele país. A selvageria do mercado de trabalho exigiu que ativistas de esquerda e sindicalistas (as frações menos burocratizadas da central AFL-CIO) inventassem novas ferramentas para organizar e mobilizar os trabalhadores formais e informais. Surgiram experimentos como os como os worker centers, as “paróquias” do Working America (movimento comunitário animado pela AFL-CIO) e as várias experiências de “sindicato-movimento social” que se espalham principalmente em regiões de forte presença de imigrantes.
Está mais do que na hora de a esquerda entrar na disputa com sua própria cara – e talvez coisas pequenas mas ousadas como estas sejam uma pista.
domingo, 2 de abril de 2017
sábado, 1 de abril de 2017
Papo de esquina XXXVI
- ... e tem também aquela história da rainha búlgara que foi atropelada ...
- Pelo vizinho romeno, quem diria, um romeno golpeando uma búlgara.
- Desculpe, mas não entendi - um romeno?
- É porque o Conde empalador Vlad III Dracula era romeno ...
É isto aí!
- Pelo vizinho romeno, quem diria, um romeno golpeando uma búlgara.
- Desculpe, mas não entendi - um romeno?
- É porque o Conde empalador Vlad III Dracula era romeno ...
É isto aí!
quinta-feira, 30 de março de 2017
Ausência ( Vinícius de Moraes)
Vinicius de Moraes (1913-1980) foi um poeta significativo da Segunda Fase do Modernismo. Ao publicar sua Antologia Poética, em 1955, admitiu que sua obra poética se dividia em duas fases:
A primeira fase é onde se encontra o poema Ausência, publicado em 1935, no livro de poesias "Forma e Exegese". Esta fase, segundo Vinícius, era carregado de misticismo e profundamente cristã, e começou com a publicação O Caminho para a Distância (1933), e terminou com a publicação de Ariana, a Mulher (1936).
A segunda fase, iniciada com Cinco Elegias (1943), assinala a explosão de uma poesia mais viril. “Nela – segundo ele – estão nitidamente marcados os movimentos de aproximação do mundo material, com a difícil, mas consistente repulsa ao idealismo dos primeiros anos.”
É considerado até hoje como um dos maiores compositores da história da música popular brasileira, além de ter sido um dos fundadores da Bossa Nova, movimento musical surgido nos anos 50. Foi também dramaturgo e diplomata.
Ausência (Vinicius de Moraes)
Eu deixarei que morra em mim
O desejo de amar os teus olhos que são doces
Porque nada te poderei dar
Senão a mágoa de me veres eternamente exausto
No entanto a tua presença
É qualquer coisa como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto
Existe o teu gesto e em minha voz a tua voz
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado
Quero só que surjas em mim
Como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar
Uma gota de orvalho
Nesta terra amaldiçoada
Que ficou sobre a minha carne
Como nódoa do passado
Eu deixarei
Tu irás e encostarás a tua face em outra face
Teus dedos enlaçarão outros dedos
E tu desabrocharás para a madrugada
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu
Porque eu fui o grande íntimo da noite
Porque eu encostei minha face na face da noite
E ouvi a tua fala amorosa
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa
Suspensos no espaço
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado
Eu ficarei só
Como os veleiros nos portos silenciosos
Mas eu te possuirei como ninguém
Porque poderei partir
E todas as lamentações do mar
Do vento, do céu, das aves, das estrelas
Serão a tua voz presente
A tua voz ausente
A tua voz serenizada
páginas 40 e 41
Editora Irmãos Pongetti
Rio de Janeiro, 1935
Poema Ausencia de Vinicius de Moraes - Declamado por Feneté
Fonte Youtube: Feneté
Um barrete vermelho, uma carapuça de linho e um sombreiro preto.
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| Seres humanos da Tribo Galibi* |
Aqui da Pitangueira, quando subo na Colina do Bom Senso, não vejo mais a vizinha Pindorama. Ela retornou ao estado vegetativo, entre brumas espessas, fétidas e asquerosas, impedindo a vista do céu, das águas fartas e até do solo da mãe gentil.
Nos primórdios do século XVI foi comprada pela alta corte dos homens de bem por um barrete vermelho, uma carapuça de linho e um sombreiro preto, conforme testemunhou e documentou o escrivão das majestadas do norte. Majestadas são aquele conjunto de majestadezinhas de merda unidas pelo único ideal de servir aos mesmos de sempre, desde sempre.
Estas majestadas atuais que aí estão a destruir, não fazem nada mais a não ser garantir a continuidade do contrato, e em troca agradados pelo serviço com sangue, ouro e, claro, por mulheres belas, recatadas e do lar, pelos mesmos homens de bem, os muito discretos e permanentemente ocultos celtas, bretões e saxões, aqueles de sempre, desde sempre ...
Pero Vaz de Caminha:
"Dali avistamos homens que andavam pela praia, obra de sete ou oito, segundo disseram os navios pequenos, por chegarem primeiro. Então lançamos fora os batéis e esquifes, e vieram logo todos os capitães das naus a esta nau do Capitão-mor, onde falaram entre si.
E o Capitão-mor mandou em terra no batel a Nicolau Coelho para ver aquele rio. E tanto que ele começou de ir para lá, acudiram pela praia homens, quando aos dois, quando aos três, de maneira que, ao chegar o batel à boca do rio, já ali havia dezoito ou vinte homens.
Eram pardos, todos nus, sem coisa alguma que lhes cobrisse suas vergonhas. Nas mãos traziam arcos com suas setas. Vinham todos rijos sobre o batel; e Nicolau Coelho lhes fez sinal que pousassem os arcos. E eles os pousaram.
Ali não pôde deles haver fala, nem entendimento de proveito, por o mar quebrar na costa. Somente deu-lhes um barrete vermelho e uma carapuça de linho que levava na cabeça e um sombreiro preto. Um deles deu-lhe um sombreiro de penas de ave, compridas, com uma copazinha de penas vermelhas e pardas como de papagaio; e outro deu-lhe um ramal grande de continhas brancas, miúdas, que querem parecer de aljaveira, as quais peças creio que o Capitão manda a Vossa Alteza, e com isto se volveu às naus por ser tarde e não poder haver deles mais fala, por causa do mar."
* A foto do século XIX dos seres humanos da tribo Galibi, encarcerados no Brasil e apresentados em zoológicos das cortes dos homens de bem, neste caso específico, em Paris - 1893, fornecida (e denunciada) pelo historiador francês Pascal Blanchard
É isto aí!
terça-feira, 28 de março de 2017
II Timoteo 3
1.Nota bem o seguinte: nos últimos dias haverá um período difícil.
2.Os homens se tornarão egoístas, avarentos, fanfarrões, soberbos, rebeldes aos pais, ingratos, malvados,
3.desalmados, desleais, caluniadores, devassos, cruéis, inimigos dos bons,
4.traidores, insolentes, cegos de orgulho, amigos dos prazeres e não de Deus,
5.ostentarão a aparência de piedade, mas desdenharão a realidade. Dessa gente, afasta-te!
II Timóteo, 3 - Bíblia Católica Online
segunda-feira, 27 de março de 2017
Fevereiro (Matilde Campilho)
Matilde Campilho (Matilde Maria d'Orey de Sousa e Holstein Campilho) (Lisboa, 20 de Dezembro de 1982) é escritora e poetisa portuguesa.
Graduou no curso de Literatura e depois foi para Florença estudar pintura. Nesta cidade passou um ano num atelier a desenhar, tendo feito ilustrações para uma revista de Portugal.
Desde 2010 vive entre o Rio de Janeiro, onde trabalhou como jornalista e redatora, e Lisboa. No período de 2010 a 2013 publicou seus primeiros poemas, em jornais do Rio e de São Paulo, e escreveu seu primeiro livro, Jóquei, lançado em Portugal em 2014.
Matilde foi uma das principais estrelas da Bienal do Livro de São Paulo de 2022 com o livro de prosas Flecha.
Abaixo, ouça a autora declamando e leia seu poema Fevereiro - lindíssimo!
isto é muito sério.
Anda, escuta que isso é sério!
O mundo está tremendamente esquisito.
Há dez anos atrás o Leon me disse
que existe uma rachadura em tudo
e que é assim que a luz entra,
não sei se entendi.
Você percebe alguma coisa
da mistura entre falhas e iluminação?
Aliás, me diga,
você percebe alguma coisa de carpintaria?
Você sabe por que foi que
meteram um boi naquele estábulo
ao invés de um pequeno rinoceronte?
Deve ter tido alguma coisa a ver com a geografia.
Ou com os felizmente
insolucionáveis mistérios
que só podem vir do misticismo asiático.
Um boi é um bicho tão … inexplicável.
Ainda bem!
O amor é um animal tão mutante,
com tantas divisões possíveis.
Lembra daqueles termômetros
que usávamos na boca
quando éramos pequenininhos?
Lembra da queda deles no chão?
Então!
Acho que o amor quando aparece
é em tudo semelhante
à forma física do mercúrio no mundo.
Quando o vidro do termômetro se quebra,
o elemento químico se espalha
e então ele fica se dividindo
pelos salões de todas as festas.
Mercúrio se multiplicando.
Acho que deve ser isso
uma das cinco mil explicações possíveis
para o amor.
Ah é! Eu gosto de você!
A luz entrou torta
por nós a dentro, mas, olha,
eu gosto de você!
A luz do verão passado
quebrou o vidro da melancolia
e agora ela fica se expandindo
pelas ruas todas,
desde aquele outro lado do Sol
até esse tremendo agora.
Hoje ainda faz bastante frio.
As cinzas ainda não aterraram
sobre as cabeças disfarçadas.
Tem gente batucando
suor e cerveja
pelas ruas da nossa cidade sul.
pelas ruas da nossa cidade sul.
E na cidade norte,
há ondas de sete metros
tentando acertar no terceiro olho
dos rapazinhos disfarçados de cowboys.
[suspiro]
O mestre ainda não veio
decretar o começo da abstenção
e ... olha,
a luz ainda está conosco.
a luz ainda está conosco.
Sim,
o mundo está absurdamente esquisito.
Já ninguém confia
nas imposições dos perfeitos.
A esta hora na terra é um tanto carnaval,
um tanto conspiração,
um tanto medo.
Metade fé,
metade folia,
metade desespero.
E, provavelmente,
a esta hora,
uma metade do mundo está vencendo
e a outra metade dormindo.
Há ainda outra metade
limpando as armas,
outra limpando o pó das flores.
Mas, por causa do que me ensinou o místico,
eu acredito que agora exista alguém
profundamente acordado.
Alguém que esteja vivendo
no intervalo tênue
entre o sonho e a agilidade.
Suponho que ele saiba perfeitamente
que este começo de século
será nosso batismo do voo
para nossa persistência no amor.
João molhou a testa de Emanoel.
Os gritos das ruas
molham as testas de nossos corações.
De que lado você está
eu não me importo.
De que garfo você come?
de que copo você bebe?
que posto certo você escolhe?
qual é seu orixá?
seu partido?
sua altura?
de qual de suas cicatrizes você cuida?
que pássaro você prefere?
quem é seu pai?
qual é seu samba?
Pinot noir ou Chardonay?
que protetor você usa?
qual é sua pele?
seu perfume?
qual político?
quantos amores você sonha?
em que Fernando?
em que Ofélia?
em que cinema?
em que bandeira?
em que cabelo você mora?
Qual dos túneis de Copacabana?
Reze para seus santos quando atravessar.
É… é impossível
viver no país de Deus.
Isso eu te dou de barato.
Mas atravessar o gramado de Deus em bicicleta,
isso não é impossível, não.
Escuta, isso é sério.
Andamos crescendo juntos,
distraidamente.
As árvores crescem conosco.
Nossa pele se estende,
nosso entendimento teso, também!
O século cresce conosco.
O amor pelas ventas da cara do mundo,
também!
Quanto a um pra um
entre nós dois,
isso logo se vê.
Não sei nada sobre a paixão,
suspeito que você também não.
Mas começo a entender
que o compasso da fé
está mudando a passos largos.
Dois pra lá e dois pra cá.
Portanto, escute.
Isto é muito sério.
Isto é uma proposta aos trinta anos.
Agora que o mercúrio
assumiu sua posição certa,
vem comigo achar
o meu trono mágico
entre a folhagem.
E, no caminho até lá,
vem dançar comigo, vem!
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