Zezé era um homem bom, de situação financeira excelente e herdeiro das maiores fortunas da região. Era fiel aos princípios da "boa ordem": tradição, família e negócios. Certo dia, saiu da casa da amante com peso na consciência e dor no peito. Quase morreu ao dar entrada no pronto-socorro, apenas 34 minutos após despedir-se da amada. A aventura aumentou-lhe a fé; mas ele buscava uma fé que conversasse com o céu, com o caminho e, sobretudo, com as prosperidades.
Cacá tinha desde sempre tinha as mãos calejadas e era um homem rude, falido em três ocasiões distintas e marcantes. Faliu primeiro no colo materno, quando o pai fugiu com a vizinha e nunca mais voltou. Na segunda vez, perdeu a mãe para um câncer. A terceira veio "no pacote": herdou a casa precária em terreno invadido e a responsabilidade por duas meias-irmãs, de 12 e 10 anos, ambas de paternidades desconhecidas. Cacá trabalhava duro; não deixava faltar nada em casa.
Jota nasceu em berço remediado. Era o que se conhece como "esperto". Falsificava tudo, roubava o que podia e enganava qualquer vítima com sua conversa mole e convincente. Jota era bom de bola, famoso entre as moças da cidade e autoproclamava-se fiel cumpridor dos deveres espirituais. Gostava de pregar sobre o amor, a vida, os sonhos e as ilusões, levando os ouvintes às lágrimas.
Zezé entendeu que investir em Jota era um bom negócio. Jota entendeu que usar a fé simplória de Cacá e das duas meninas era uma dádiva divina.
Moral da história: às vezes viver é equilibrar-se entre cafajestes e crápulas.

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